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Coronavírus / Vacina

Pesquisa revela que CoronaVac dobra anticorpos em quem já teve covid-19

A quantidade de anticorpos neutralizantes foi o dobro em quem já havia tido a doença

Da Redação Publicado em 27/08/2021, às 08h57 - Atualizado às 08h57

CoronaVac, vacina contra a Covid-19. - Divulgação/Instituto Butantã
CoronaVac, vacina contra a Covid-19. - Divulgação/Instituto Butantã

A CoronaVac, vacina da farmacêutica chinesa Sinovac contra a covid-19, que é fabricada no Brasil pelo Instituto Butantan, foi capaz de dobrar a quantidade de anticorpos neutralizantes e multiplicar em 4,4 vezes o nível de imunoglobulina IgG em quem já teve a doença. Quem descobriu isso foram pesquisadores da Universidade Médica de Chongqing, na China. 

Apenas para você entender melhor, os tais anticorpos neutralizantes são responsáveis por combater uma eventual reinfecção pelo SARS-CoV-2). Já o IgG está ligado ao processo de defesa do organismo no qual atuam as imunoglobulinas encontradas na corrente sanguínea, desempenhando também um papel fundamental na prevenção de reinfecção viral.

Os resultados preliminares da pesquisa foram divulgados na Cell Discovery, publicação que faz parte do grupo britânico Nature. É válido, porém, aguardar mais resultados, pois a pesquisa foi feita com apenas 85 pacientes recuperados da covid-19, entre 3 e 84 anos e que contraíram a doença, em sua maioria, no início de 2020. No entanto, eles foram acompanhados ao longo de 12 meses, um período consistente de avaliação.

O QUE ACONTECEU?
Os pesquisadores descobriram que o nível de anticorpos neutralizantes entre as pessoas que tiveram covid-19, que era de 36 um dia antes da primeira dose, atingiu 108 duas semanas após a segunda dose. No grupo de controle, ou seja, de pessoas que nunca haviam tido covid-19, esse indicador alcançou 56. Isso significa que a quantidade de anticorpos neutralizantes gerados pela vacina em quem já havia sido contaminado pela covid-19 foi o dobro de quem não havia tido a doença.

Nas pessoas recuperadas da covid-19, o nível da imunoglobulina IgG, que era de 3,68 um dia antes da vacina, subiu para 47,74 duas semanas após a segunda dose de CoronaVac. É uma quantidade 4,4 vezes superior ao nível de 10,81 detectado no grupo controle.

No entanto, ao longo do acompanhamento, os níveis dos anticorpos neutralizantes diminuíram de 631, no fim do primeiro mês, para 84 no último mês. No caso da imunoglobulina IgG, o indicador caiu de 28,6 para 7,2 no mesmo período, o que pode significar a importância de uma dose de reforço.

VAI TER 3ª DOSE
O Ministério da Saúde divulgou nos seus canais de comunicação, na última quarta-feira (25) informações sobre a aplicação de uma dose de reforço contra a covid-19 no Brasil. De acordo com a pasta, a partir do dia 15 de setembro o país vai iniciar a distribuição de imunizantes voltados para a aplicação de uma terceira dose dos imunizantes.

“A ação será destinada a todos os indivíduos imunossuprimidos após 28 dias da segunda dose e para pessoas a cima de 70 anos vacinadas há seis meses”, informou o ministério.

A dose de reforço, preferencialmente, será feita com vacinas da Pfizer ou, de maneira alternativa, com as da Janssen ou AstraZeneca. “Também, a partir do próximo mês, o intervalo entre as doses da Pfizer e da AstraZeneca passará de 12 para 8 semanas para toda a população”.

PREPARADÍSSIMO
Dimas Covas informou que o Butantan está preparado para fornecer a terceira dose, durante uma coletiva de imprensa realizada também nesta quarta. Atualmente, o instituto fornece vacinas para ao Ministério da Saúde com o intuito de finalizar um contrato de 54 milhões de doses.

Segundo o governador João Doria (PSDB), questões relativas a aplicação de uma terceira dose na população idosa em São Paulo serão discutidas em uma reunião na próxima quinta-feira (26). Jean Gorinchteyn, secretário estadual da Saúde, já afirmou que a medida deveria ser antecipada.