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Transição de carreira: ela deixou a engenharia, virou massagista dos famosos e hoje ganha 4 vezes mais

Raquel Umb revela como o insatisfação a fez mudar de carreira e conquistar uma vida mais feliz

Ana Mota Publicado em 06/07/2021, às 08h00 - Atualizado às 10h21

Raquel Umb atualmente tem uma clínica de atendimento no Rio de Janeiro (RJ) - Divulgação
Raquel Umb atualmente tem uma clínica de atendimento no Rio de Janeiro (RJ) - Divulgação

Quando o assunto é drenagem linfática, o nome que as celebridades procuram é o de Raquel Umb. Massoterapeuta, ela soma mais de 30 mil seguidores nas redes sociais, conquistados ao longo do pouco mais de um ano em que abriu a sua própria clínica em Ipanema, bairro do Rio de Janeiro (RJ). O sucesso até veio rápido, mas exigiu coragem da paulistana. Afinal, ela largou a carreira de 12 anos como engenheira de produção no mercado financeiro para assumir a nova profissão, lidando com os riscos dessa mudança de carreira. 

Em entrevista para AnaMaria Digital, Raquel conta que tudo começou quando percebeu que a então profissão não lhe trazia mais felicidade. “Aquilo de trabalhar muito com números e investimentos, e olhar pouco para o ser humano, já não brilhava mais meus olhos. Isso foi me cortando por dentro e aquilo não fazia mais sentido pra mim", conta. 

Ela lembra ainda que a decisão de se tornar engenheira de produção veio aos 17 anos, quando percebeu aptidão para a área de exatas e foi incentivada pela família a ter um emprego que lhe sustentasse. Diante da infelicidade, Raquel resolveu fazer uma ‘lista do autoconhecimento’, em que anotou tudo o que não gostava, o que gostava e o que não estava disposta a encarar. Descobriu que não queria mais continuar trabalhando em empresas. No entanto, o medo de não ter como se sustentar, além do preconceito que viria a sofrer falavam mais alto.    

Mas bastou um “empurrãozinho da vida” para mudar totalmente de profissão. Em 2018, Raquel trabalhava em uma empresa no Rio de Janeiro (RJ) e acabou sendo demitida. “Hoje vejo como um grande livramento, pois não teria acordado para a vida se não fosse isso”, avalia. 

A TRANSIÇÃO
A engenheira, então, decidiu apostar em algo que gostava e que sempre a acompanhou: a drenagem linfática. Para ela, a técnica traduz cuidado, saúde e bem-estar às pessoas por meio do toque. Decidida a tentar, mas motivada por medo e incerteza, a paulista se inscreveu em um curso de massagem usando o resto do dinheiro que restava. Era o momento de saber se estava seguindo o caminho certo ou não. 

“Comecei fazendo massagens de graça nas pessoas para pegar os resultados e divulgar no Instagram”, conta. “Foi aí que passaram a me conhecer, até porque eu não era do mercado e não tinha clientela.” A boa notícia é que bastaram três meses para ela conseguir um bom volume de atendimento, ter algum retorno financeiro e passar a investir na nova profissão. “Subloquei algumas salas no Rio para ter espaço fixo para atender, além de ir na casa das pessoas”, explica.  

Com seis meses de transição de carreira, Raquel atendeu uma influenciadora digital que a indicou para a apresentadora Fernanda Gentil. Desde então, ela possui diversos clientes famosos. Apenas no dia em que esta entrevista foi realizada, Raquel já tinha atendido a escritora Thalita Rebouças e o ator João Vicente de Castro. Mas a clientela se estende também a Bruna Griphao, Carol Sampaio, Kéfera, Buchmann, Thiago Martins, entre outros. 

Ela ressalta que tudo aconteceu de forma relativamente rápida porque houve muito preparo e análises antes. Raquel explica que passou dois anos estudando o mercado, vendo quem eram as estrelas da área e como trabalhavam, justamente para entender como poderia faturar. Só assim, conseguiu ver seu modelo de negócios. “O medo no momento da transição não foi tão forte quanto o medo que eu tinha antes, quando estava na empresa, ganhando meu salário. Na hora de mudar não tinha como ter medo, pois precisava de dinheiro no final do mês”, conta. 

MUITO TRABALHO E ECONOMIA
Conforme a agenda foi enchendo, a massoterapeuta usou parte do conhecimento que adquiriu quando trabalhava no mercado financeiro e passou a economizar. Foi assim que, em dezembro de 2019, abriu sua própria clínica. E com um diferencial: a aromaterapia, que sempre leva na sessão de drenagem.

“Tento entender pontos de insônia ou ansiedade, por exemplo, e faço um blend específico para aquele momento, trabalhando todas as necessidades do cliente, além da parte física”, ressalta. Para Raquel, ver que a pessoa chegou de um jeito e foi embora melhor não tem preço." A diferença entre a engenharia e a massoterapia está no cuidado com o próximo. É isso que faz sentido pra mim”, diz.  

Atualmente, ela fatura cerca de quatro vezes mais do que antes. Singela, repetiu duas vezes para a reportagem que “ganhava muito bem”. Raquel, porém, ressalta que não mudou de carreira pensando no dinheiro. Conta, inclusive, que enfrentou preconceito de uma ex-chefe: “Ela viu meu trabalho no Instagram, lá no começo, e achou que eu estava passando dificuldade.” 

PANDEMIA TAMBÉM PESOU
Quatro meses após abrir seu próprio espaço, Raquel enfrentou a mesma situação que milhares de outras pessoas pelo país: fechar as portas do seu negócio por conta da pandemia de Covid-19. Além das contas da empresa em si, ela havia acabado de se divorciar e também pagava o aluguel de seu apartamento. Foi o aumento dos atendimentos na época do Carnaval de 2020 que lhe garantiu ficar fechada por 60 dias. 

A alternativa que encontrou naquela época para gerar receita foi dar cursos online, todos voltados para uso das redes sociais de maneira profissional. Eram cerca de 280 alunos divididos em duas turmas, que lhe pagaram R$ 97 cada. Mas a reinvenção não parou por aí. Preocupada com seus clientes, ela passou também a oferecer aulas de autodrenagem: “Acabou fazendo mais sucesso do que eu imaginava. E foi essa a minha maneira de fazer dinheiro e pagar minhas contas.”

Atualmente, Raquel afirma que é “muito, mas muito mais feliz” do que quando trabalhava como engenheira de produção, embora não se arrependa das decisões profissionais que tomou em sua vida.