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Jejum é a prática da vez!

O debate sobre os benefícios de ficar horas sem comer está com tudo. Segundo especialistas, com orientação, pode fazer bem à saúde e emagrecer

Júlia Arbex Publicado em 25/01/2017, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Jejum é a prática da vez! - Shutterstock
Jejum é a prática da vez! - Shutterstock
O jejum deixou de ser apenas um costume milenar religioso pra virar alvo de estudos. Isso após pesquisadores acharem pistas de que ele traz benefícios à saúde, como o controle do diabetes e da obesidade. Ainda assim, é visto com ressalvas por alguns médicos. Pra entender melhor como funciona, conversamos com Maria Flávia Sgavioli, nutricionista da Estima Nutrição, e com a ginecologista Bruna Pitagula Peret Ottani, membro do Instituto de Medicina Funcional dos EUA. Segundo elas, ficar horas sem comer faz bem, mas tem contraindicações!


Como assim?
O jejum intermitente alterna períodos de privação com outros em que a pessoa come normalmente. “A mulher pode jejuar por 14
horas e o homem, por ser em geral maior, por até 16 horas. Ambos devem abrir mão apenas de uma refeição, que normalmente é o café da manhã”, aconselha ela, que também é membro da Associação Brasileira de Saúde Funcional e de Estilo de Vida. Já Maria
acredita que o jejum de 12 horas também traz benefícios à saúde. “Indico ficar 12 horas sem comer principalmente para quem está começando com a prática. Nesse caso, jante mais cedo, por volta das 19h, e volte a comer no dia seguinte, às 7h”, recomenda a especialista.


Benefícios do jejum intermitente

◗ Auxilia no emagrecimento, já que gastamos mais calorias do que ingerimos.
◗ Diminui os níveis de insulina no sangue, evitando complicações, como diabetes do tipo 2.
◗ Inicia um processo de reparo celular, chamado autofagia. Essa autolimpeza remove as células velhas e malformadas,
reduzindo as chances de desenvolver tumores.
◗ Reduz o colesterol e o triglicérides, diminuindo o risco de doenças cardiovasculares.
◗ Ajuda a criar novas células nervosas, o que protege de doenças como o Alzheimer.


Processo de adaptação
Segundo as especialistas ouvidas na reportagem, antes de começar a jejuar, assim como em qualquer mudança na alimentação, é preciso acompanhamento de um nutricionista. De acordo com Bruna, o indivíduo que quiser aderir à prática precisa rechear o
cardápio com alimentos naturais e saudáveis, que saciam a fome e não engordam. Aproveite e:

◗ Diminua a quantidade de carboidratos, como arroz, macarrão e pães.
◗ Corte o açúcar da alimentação. “Primeiro, como o cafezinho da tarde, chá e suco. Depois, diminua a quantidade de doces. É impressionante como o nosso corpo se acostuma a ficar sem glicose e para de pedir açúcar”, diz Bruna.
◗ Consuma alimentos ricos em gorduras boas, como abacate, amêndoas, azeite de oliva, sementes de linhaça, chia e girassol. Tudo isso serve como fonte de energia e protege o coração, o cérebro e também os nossos ossos.
◗ Baseie sua dieta em alimentos como ovos, frutas, verduras, grãos e carnes magras.


Na prática
Todas as refeições devem conter alimentos frescos e que dão mais saciedade, como os integrais, por exemplo. Além disso, durante
o jejum é importante beber muito líquido para que o organismo não desidrate. Está liberado consumir tudo aquilo que não possui calorias, como água natural ou aromatizada com limão e gengibre, café e chá, sem açúcar ou adoçante, é claro! “No entanto,
de nada adianta jejuar e depois se entupir de carboidratos e alimentos pobres em nutrientes”, pontua Maria.


E aquela recomendação de comer a cada três horas?
Tudo vai depender do seu metabolismo e da sua genética. “Nossos antepassados não tinham comida o tempo inteiro. Eles faziam, no máximo, três refeições ao dia. Por isso, hoje sabemos que fazer várias refeições durante o dia não é mais uma regra. Existem
estudos que comprovam que jejuar ou comer só quando estiver com fome faz emagrecer, pois gastamos mais energia do que consumimos”, esclarece Bruna.


Contraindicações!
Antes de começar qualquer dieta, fale com seu médico. Em todo caso, pessoas com doenças crônicas, como diabetes e hipertensão, crianças, grávidas e lactantes estão proibidas de fazer jejum!