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Dinheiro / MERCADO

Por que subiu o preço do arroz? Entenda fatores que influenciam os valores

Quem vai às compras nos mercados já deve ter notado uma mudança de valores; afinal, por que subiu o preço do arroz nos últimos meses?

Por que subiu o preço do arroz? Valores subiram em mais de 20% nos últimos meses - Unsplash
Por que subiu o preço do arroz? Valores subiram em mais de 20% nos últimos meses - Unsplash

Quem frequenta os supermercados pode ter notado uma diferença no preço do arroz. De acordo com o Procon, em São Paulo, o pacote de 5 kg custava, em média, R$ 30. Há um ano, o mesmo pacote custava R$ 20. Afinal, por que subiu o preço do arroz?

De acordo com Alexandre Gaino, professor de Economia e Finanças da ESPM, alguns fatores culminaram no aumento de custo para o consumidor. "O aumento do preço do arroz acontece desde a época da pandemia. Depois houve um recuo e agora novamente essa elevação", diz à AnaMaria

Por que subiu o preço do arroz?

O primeiro fator que culminou no aumento do preço do arroz são as chuvas e enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul - principal produtor do Brasil - nos últimos meses. Os temporais resultam dos fenômenos climáticos El Niña e El Niño.  

Um segundo fator está relacionado ao mercado externo. Isso porque, em 2023, houve uma redução da exportação de arroz pela Índia e problemas na safra da Tailândia, que é o segundo maior exportador global. Logo, os preços internacionais do arroz subiram muito, incentivando uma maior exportação. 

"E os nossos principais parceiros comerciais, de quem a gente adquire o arroz, como Argentina, Paraguai, Uruguai, também sofreram nos últimos anos com o El Nina e El Niño, então também teve um impacto de oferta. Com isso, ao invés de abastecer o mercado interno, a gente exportou para o mercado internacional também, reduzindo a quantidade ofertada dentro do nosso próprio mercado", explica o professor.

Por que subiu o preço do arroz? Impactos nas safras internacionais influenciam no valor
Por que subiu o preço do arroz? Impactos nas safras internacionais influenciam no valor - Unsplash

Além das chuvas no Rio Grande do Sul e dos problemas do mercado externo, existe ainda o câmbio a R$ 5. Embora tenha incentivado ainda mais a exportação, a alta do dólar impactou na importação e na produção da safra brasileira. Ou seja, o câmbio desvalorizado faz com que o produto importado seja mais caro. 

"Por último, o arroz é um bem essencial da nossa cesta, portanto, a demanda não diminui com o aumento do preço. Então, com a demanda se mantendo constante e a oferta se reduzindo, a gente tem um baita impacto sobre os preços", destaca Alexandre.  

Aumento expressivo 

E por que subiu o preço do arroz em cidades como Aracaju (SE), Porto Alegre (RS) e Vitória (ES)? Esses lugares tiveram um aumento ainda mais expressivo. Na capital sergipana, por exemplo, o quilo do arroz apresentou variação de aproximadamente 62%, com preços entre R$ 6,79 e R$ 10,99, de acordo com o levantamento da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon Sergipe).

A explicação é que a demanda do consumidor se manteve a mesma, enquanto a oferta diminuiu e os custos logísticos de transporte se mantiveram altos. "Boa parte da produção de arroz acontece no sul do país, desta forma, o custo logístico, que leva em conta o aumento do câmbio e dos combustíveis, acaba impactando no preço dessas mercadorias que são transportadas para as regiões norte e nordeste", afirma o professor. 

Demanda do arroz continua alta mesmo diante de preços altos
Demanda do arroz continua alta mesmo diante de preços altos - Unsplash

Já o aumento do preço do arroz em Porto Alegre é motivado pelas condições climáticas que atingem o estado. Apesar de 80% da safra ter sido colhida antes das enchentes, os outros 20% restantes da produção foram impactados com as chuvas.

As cheias, inclusive, possuem um efeito de médio-longo prazo nas lavouras, uma vez que as chuvas acabam afetando a qualidade do solo. "Isso vai impactar na necessidade de custos de preparo do solo e de melhorias dos nutrientes para a produção de plantação nos próximos anos, que vai levar tempo para se estabilizar novamente", explica o professor. 

Leilão da Conab

Para driblar os preços altos, o governo federal optou pela compra de arroz. No início do mês, aconteceu o leilão da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) para a importação de arroz. O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou que somou 263 mil toneladas das 300 mil previstas.

Os lotes arrematados foram destinados para o Ceará, Bahia e Maranhão. O objetivo é assegurar que o preço médio seja de R$ 25 pelo saco de 5 kg para o consumidor final.

Os pacotes importados terão os logotipos da Conab e da União, com o selo de "Produto Adquirido pelo Governo Federal". Além disso, o produto será tabelado. Ou seja, pacotes de 5 quilos custarão R$ 20 reais, como o governo tem anunciado.

Para Alexandre, é importante a adoção de estoques reguladores para estabilizar preços ao consumidor final. "A gente já vinha com baixos estoques nos últimos anos. Isso vai acelerar o impacto sobre preços, fazendo com que a oferta fique mais restrita", afirma.  

O professor, no entanto, destaca a necessidade de um programa de auxílio técnico e financeiro para os agricultores conseguirem restabelecer as produções futuras. 

"Uma coisa é estabelecer preços na atualidade, outra coisa é darmos condições para que a produção e oferta volte a ser crescente, porque ao adotar estoques reguladores, a gente evita aumento excessivo dos preços do arroz, o que é muito bom para o consumidor. Mas isso impacta de forma negativa o agricultor, fazendo com que o preço que ele receba não seja o mais vantajoso naquele momento. A gente tem que dar vazão, por exemplo, para um programa de crédito que possibilite condições para que os produtores voltem a recuperar suas lavouras no futuro", diz. 

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