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10 lições a aprender com Troca de Família

A apresentadora Chris Flores contou para AnaMaria quais episódios do programa da Record mais lhe ensinaram coisas importantes sobre a vida com os parentes. Tire seus próprios aprendizados também!

Luciana Bugni Publicado em 30/12/2015, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

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1)Valorize a família, mesmo com todos os problemas
A Elane é da comunidade carioca de Tavares Bastos. Perdeu um filho afogado e, na época do programa,  levava uma vida dura, ao lado do marido desempregado. Fez a troca com a Célia, moradora de uma mansão do condomínio de luxo Alphaville, em São Paulo. Lá, Elane viveu dias de rainha. Se divertiu e aproveitou o que o dinheiro podia comprar. Mas descobriu que se sentia vazia, porque sua felicidade real era sua família. Não quis se mudar da comunidade, mesmo melhorando de vida, porque ali estão suas raízes. A princípio, sempre parece que a grama do vizinho é mais verde. Temos a ilusão de que a vida dos outros é melhor que a nossa e desejamos aquilo que não somos. Bobagem! Toda família tem dramas e alegrias. Sair da rotina é ótimo para percebermos e valorizarmos o mais importante.

2) Não controlamos o destino dos nossos filhos
Dolinha, uma lavradora do Espírito Santo, trocou de casa com Luciana, a mulher de um tatuador de São Paulo. Luciana se apegou muito a um dos filhos de Dolinha, moço trabalhador e educado, que sonhava ser caminhoneiro. Sonho que ele conseguiu transformar em realidade – mas a custo de morrer, ano passado, em um acidente. Dolinha nos deu uma lição de amor, ao falar de seu drama: “É a pior dor que uma mãe pode sentir. Mas me deixa em paz saber que ele realizou seu sonho antes de partir”. Fiquei pensando em como o medo das coisas ruins, às vezes, nos faz ser egoísta com nossos filhos. Bobagem: não temos controle sobre a vida. Por isso, precisamos deixá-los voar, mesmo correndo riscos. Sempre daremos nosso amor, apoio e segurança de que estaremos ao lado deles, ainda que apenas em pensamento.  

3) Ninguém é dono da verdade
Uma das trocas polêmicas foi entre Auriene, mulher de um delegado, e Desireê, hippie, que vivia numa aldeia sem lei. Vicente, o marido, pregava a filosofia do paz e amor. Mas acabou sendo machista e grosseiro com a mulher visitante: exigiu que ela pagasse suas contas porque era rica e que fizesse as atividades domésticas enquanto ele curtia com os amigos. A família riponga achou absurdo Auriene desistir antes do fim do programa. Eles acreditavam que eram melhores por terem uma vida alternativa. Passados oito anos, descobriram que não eram donos da verdade. Até porque encontraram outra verdade: viraram Testemunhas de Jeová. Muitas vezes, achamos que nossas crenças são as melhores. Podemos estar errados e ainda prejudicando o próximo e a nós mesmos com preconceitos. Mudar faz parte da nossa evolução.  

4) Admitir o erro é a chave da mudança
Houve uma troca que deixou muitas telespectadoras indignadas. Thaís é casada e tem uma filha pequena. Cris também é casada e tinha filhos pequenos. As duas eram vaidosas. Cris tinha acabado de fazer uma cirurgia de redução de estômago e lutava contra a obesidade. Thaís passava o dia na academia e se vangloriava de ser gostosa. Em resumo, ela foi para a casa da Cris, colocou fio dental num passeio de barco com o marido da outra e ainda fez a dança do ventre para ele. Cris descobriu que Thaís não cuidava direito da filha de 4 anos: lavava o uniforme da menina minutos antes de ela sair para a escola, só dava comida de restaurante para ela, não limpava a casa e preferia ir à academia do que ficar com a filha. Cris disse palavras duras para a outra sobre a falta de cuidado com a filha, o que a magoou. Ela garantiu que não mudaria em nada. Mas hoje, oito anos depois, Thaís é outra mulher: arranjou emprego, aprendeu a cozinhar, cuida da casa e da filha. Não podemos ter medo de admitir o erro. Ao percebê-lo, temos um difícil encontro com nós mesmas. Num primeiro momento, gera revolta, raiva e mágoa. O importante é partir para o próximo passo: onde posso mudar? Todos podemos melhorar, mas é só com autocrítica que conseguimos.  

5) Felicidade é uma escolha
Graciana gosta de sair toda noite, beber com o marido, Ariston, e levar uma vida livre na cidade onde vive, no interior de Minas Gerais. Aí, troca de casa com Eliana, que passa o dia trancada num apartamento de São Paulo, fazendo faxina e sendo submissa ao marido, Antônio, homem com mania de limpeza. Ela, logicamente, adora ir para Minas: dança, bebe cerveja e esquece da faxina. Ao voltar, exige que Antônio seja mais relaxado, dance com ela, diga “eu te amo” e a beije, o que nunca acontecia. Depois de oito anos, reencontrei Eliana de volta à estaca zero: conformada porque o marido não mudava, mas repetindo que era feliz, mesmo sem viver do jeito que sonhou. Será? Ser feliz é uma escolha pessoal. Só nós podemos ser responsáveis pela busca do que nos realiza, ninguém mais. 


6) Cultivar o perdão e a compreensão 
Uma das trocas mais emocionantes foi com homens. Milton, um pai estressado de São Paulo, só pensava em trabalho, não se dava com os três filhos adolescentes e estava quase se separando da mulher depois de traí-la. Ele foi para uma aldeia de pescadores, muito simples, onde a família dividia o pouco que tinha e ainda fazia trabalho voluntário. Analfabeto, Jeová deu uma aula de respeito aos filhos paulistanos, que eles nunca haviam aprendido com o pai letrado. Esse pescador seria merecedor de toda sorte, certo? Mas não foi o que aconteceu. Dois filhos dele eram esquizofrênicos e um matou o outro num surto. No lugar da revolta, Jeová continua espalhando amor. Perdoou o filho assassino e cuida dele porque sabe de sua doença. Vive com a dor, mas a transforma em amor para seguir seu destino.

7) Tudo o que é demais faz mal
Todos os dias, Priscila, o marido e os dois filhos iam até uma padaria só para tomar café da manhã. O jantar deles era pizza com refrigerante. Priscila então troca de casa com Débora, vegetariana. Na casa de Priscila, Débora tentou implantar uma dieta mais natural, sem sucesso. Na casa de Débora, Priscila pediu pizza e refrigerante e fez as crianças descobrirem as guloseimas – ao som de funk. 
Eles se fartaram e curtiram tudo por apenas uma noite. Observando isso, percebi que tudo o que é demais faz mal. Os filhos de 
Priscila, obesos, precisavam de uma alimentação normal, adequada às necessidades de crianças. Os outros tinham uma alimentação saudável, mas também poderiam, de vez em quando, ter dias mais parecidos com o de crianças que simplesmente querem ser... crianças. Nem tanto à pizza nem tanto ao mato. Com equilíbrio, respeitando necessidades e vontades, podemos ter filhos saudáveis e felizes!

8) Voltar à origem para valorizar o presente
Débora Rodrigues teve uma infância pobre, mas foi eleita musa do MST, num assentamento do movimento. Posou nua e teve dinheiro para uma vida confortável. Trocou de casa com Ionice, uma catadora de lixo reciclável de Santa Catarina, que morava em uma residência bem humilde. Ao passar uma semana lá, Débora lembrou do passado difícil. E seus filhos conviveram com Ionice, uma mulher cheia de histórias e uma vida de luta. Às vezes, precisamos resgatar situações complicadas para perceber como a vida nos presenteou com algo mais próspero agora. É fundamental olhar para trás para seguir em frente mais gratas e confiantes de que podemos melhorar, com fé, bondade e foco. 

9) Não perder sua essência
Vera é uma senhora do Pantanal, no Mato Grosso, dona de casa tradicional, mãe, avó e esposa dedicada e fiel. Ela foi parar na casa de Simone, a Rainha Naja, uma dominadora na vida e no sexo, dona de uma casa fetichista, onde os frequentadores agem como escravos: apanham na cara e lambem os pés uns dos outros. O marido de Naja queria que Vera se tornasse uma dominadora e entrasse na fantasia dele. Para isso, humilhou, xingou e gritou com ela. A mulher não se dobrou às vontades do homem. Deixou claro, de maneira educada,  que não fazia parte de sua essência e que não iria fazer algo só para agradar ao outro. Muitas vezes nos machucamos, contrariamos o que somos para sermos aceitos por alguém. Isso não só nos faz mal, como é uma mentira para o outro. Não podemos fingir algo que não somos. Devemos mudar quando necessário, mas jamais perder a nossa essência. 

10) Ciúme destrói relações
Jaqueline, do Rio Grande do Sul, controlava o marido, Ricardo. Eles moravam no mesmo terreno da família dela, trabalhavam juntos e nunca saíam de lá. De repente, chega uma mulher de São Paulo, Gabriela, supermoderna, autoconfiante e abre os olhos do rapaz para um novo mundo. Eles passeiam, como o marido nunca havia feito com a esposa, e a paulista o incentiva a ter uma vida mais individual, inclusive mudando de casa e tendo seu próprio negócio. Quando a gaúcha volta e Gabriela diz que “preparou o marido” dela para mudanças, Jaqueline acha que os dois viveram um caso e tem uma crise de ciúme. Só depois percebe que o marido se sentia sufocado e precisava de individualidade. Hoje, ele toca seu próprio negócio e não depende da família dela para viver. Quanto mais tentamos controlar uma pessoa, mais a perdemos: sem direito à própria personalidade, ela fica infeliz e distante de nós.