AnaMaria
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Após vencer o câncer de mama duas vezes, influenciadora Linda Rojas deu à luz: "Uma dádiva!"

Linda Rojas contou sua história inspiradora em entrevista à AnaMaria

Karla Precioso Publicado em 23/01/2022, às 14h30

Linda Rojas venceu o câncer e tornou-se empreendedora social da causa - Instagram/@umalindajanela
Linda Rojas venceu o câncer e tornou-se empreendedora social da causa - Instagram/@umalindajanela

Uma das mais populares vozes no combate ao câncer de mama no Brasil, a carioca Linda Rojas venceu o câncer de mama duas vezes antes dos 30 anos e transformou sua história em causa! Assim que recebeu o primeiro diagnóstico, em 2012, ela criou um blog e um perfil nas redes sociais, Uma Linda Janela, para compartilhar sua história. Aos poucos, o perfil foi crescendo e, hoje, a página é uma plataforma de compartilhamento de experiências.

Com o passar do tempo, os tratamentos e diagnósticos, Linda abraçou de vez a causa da prevenção e passou a palestrar em empresas. Assim, tornou-se empreendedora social, criando a palestra Pequenas Felicidades, na qual compartilha sua vivência, numa perspectiva corporativa. Ainda dá consultoria a empresas da área da saúde, compartilhando sua perspectiva sob o ‘ponto de vista do paciente’.

E, agora, a felicidade não poderia ser maior. Após mais de dez anos fazendo quimioterapia e tomando medicamentos para não ter a recidiva e que causavam menopausa precoce, deu à luz o Martin, seu primeiro filho, fruto do relacionamento com o empresário Caio Barreto. Sua história é pura inspiração. Vem ver!

Onde encontrou tanta força para superar os diagnósticos?
Eu nunca me conformei em viver uma vida sem felicidade, então minha maior motivação foi querer viver, assim posso buscar as alegrias que me enchem diariamente e que, com certeza, fazem parte da cura.

E como foi estar grávida?
Eu sempre quis ser mãe e quando me deparei com o primeiro diagnóstico, aos 24 anos, logo vi que esse desejo podia ser impactado pelas chances reais de infertilidade após o tratamento. Mas logo entendi que alguns sonhos não precisavam ser desfeitos, e sim adaptados ou transformados. Eu compreendi depois de muito sofrimento que a maternidade poderia ser exercida de outras formas. Quando finalmente fiquei em paz com essa questão, também havia chegado a hora de tentar, com todo suporte médico. A tentativa foi um sucesso e sentir o crescimento do meu bebê no meu ventre é uma dádiva, além da emoção de sentir meu corpo forte depois de tudo e capaz de produzir tanta saúde e de formar um ser humano. 

O que você precisou fazer para conseguir engravidar, já que seu corpo tinha vários impedimentos biológicos?
Muita informação e comunicação com a equipe médica foi fundamental para entender minhas reais possibilidades. Meu tipo de câncer tinha uma característica: ele era receptor hormonal, então, mesmo depois do tratamento, o protocolo é continuar tomando medicações que bloqueiam esses hormônios - o que me provocou uma menopausa precoce. Isso somado a dois tratamentos quimioterápicos, aos 24 e 29 anos, poderia contribuir para uma possível infertilidade ou dificuldade para engravidar. Mas os
médicos fizeram um planejamento orquestrado pelo meu mastologista, em que, após um tempo tomando a medicação, podíamos interromper o protocolo e tentar a gravidez. Todos os prós e contras foram bastante discutidos, e resolvemos tentar. O tempo era fundamental, não podia ficar por um período muito longo sem os remédios e, por isso, considero a vida extremamente surpreendente. Conseguimos na primeira tentativa, após alguns meses desintoxicando da hormonioterapia, e isso foi extremamente comemorado.

E o que você diria para as mulheres que estão lutando contra o câncer de mama?
Pensar no futuro e retomar sonhos pode ser extremamente difícil quando estamos apenas dando um passinho de cada vez e vivendo um dia após o outro. O grande plano para quem está em tratamento é ficar bem depois da próxima quimioterapia ou da próxima etapa a ser concluída. E isso pode não parecer muito para nós na hora, mas precisa ser valorizado. Isso é prova de amor à vida, e esse esforço significa esperança. Então, vivam, respirem fundo e saibam que há sim MUITA vida além do câncer. Como eu, há milhares de mulheres dando as mãos umas às outras e, assim, podemos sentir que estamos juntas num elo inquebrável. Que todos os dias sejamos capazes de perceber nossas pequenas alegrias, pois são elas que nos trazem muita motivação para continuar.

O nome da sua palestra é Pequenas Felicidades. O que esse nome quer dizer pra você?
O grande mote da palestra é colocar o câncer como plano de fundo e exaltar os diversos aprendizados da jornada. O maior de todos eles, para mim, foi perceber minhas pequenas felicidades, que continuavam aparecendo na minha vida apesar da doença. Um dia sem efeitos colaterais era extremamente comemorado ou as coisas simples que geralmente passam despercebidas eram o suficiente para me fazer sorrir: um almoço especial, ter uma boa noite de sono, ver um filme e gargalhar com meu marido, falar horas com sua melhor amiga. Tudo isso é ter paz, faz a gente se sentir bem, é maravilhoso e jamais quero perder essa sensibilidade. Hoje não preciso de um super acontecimento para me entender feliz.

O seu trabalho também está muito ligado à visão do paciente. Escutá-lo é essencial?
Hoje na área da saúde muito se diz sobre o paciente estar no centro, mas acho um pouco piegas quando não vejo esse valor sendo exercido de fato. Sou paciente há quase 10 anos e já me tratei em hospitais públicos e particulares, converso com dezenas de pacientes por dia e sei o que passamos, como nos sentimos e o que vivemos dentro de diversas realidades. Por isso, sempre proponho que a marca, instituição, empresa ou qualquer indivíduo que tenha como objetivo o paciente como cliente final, que minimamente trate de entender a visão de quem está do outro lado. Essa aproximação já existe dentro de outros segmentos, mas ainda falta compreender que o paciente também é um cliente e ele merece ser ouvido. Proponho isso de uma forma responsável, sensível e também extremamente profissional, por meio de consultorias que analisam desde a linguagem a ser abordada, a efetividade da comunicação e possíveis gaps que parecem inofensivos, mas que podem machucar o paciente que já está sensibilizado. O combate ao câncer e a saúde são as causas da minha vida, por isso, enquanto eu tiver energia, vou lutar.