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Comunicação não violenta ajuda a todos!

A maneira como nos comunicamos com as crianças e os adolescentes influencia o comportamento deles. Tente novas abordagens para aumentar a harmonia!

Ana Bardella Publicado em 20/05/2018, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h46

A técnica facilita o dia a dia! - iStock
A técnica facilita o dia a dia! - iStock

Desse jeito você está me tirando do sério” ou “eu não vou falar mais uma vez”: essas frases são comuns na maioria das casas. Afinal, os filhos sabem como ninguém testar os limites dos mais velhos – e é assim que boa parte deles reage a essas atitudes desafiadoras. Mas a verdade é que ficamos tão envolvidos nessa rotina de broncas que pouco paramos para pensar sobre a maneira que estamos nos relacionando com as crianças e adolescentes (e o que poderíamos fazer para melhorar a comunicação com eles). Veja uma das possibilidades para deixar o ambiente doméstico mais acolhedor:

Como é?

Não é só falar baixinho e usando palavras sutis. “Trata-se de um conjunto de técnicas que permite aproximar as pessoas, gerando empatia, criando conexões, dando abertura para o diálogo, diminuindo os conflitos e harmonizando as necessidades”, explica Marie Bendelac Ururahy, cofundadora da Be Coaching Brasil e especialista no tema. Esse método pode ser usado nas grandes empresas, por profissionais que lidam com a saúde mental e até em assuntos políticos. Para aplicar o método com os filhos, a especialista elencou os quatro principais passos na página ao lado. Imagine que você, mais uma vez, entrou no quarto da criança e encontrou roupas no chão e bagunça por toda parte: 

PASSO 1 - Não julgar

O primeiro impulso pode ser de elevar o tom de voz, se aborrecer e iniciar um conflito, dizendo que já pediu mil vezes que ele não deixasse as coisas dessa maneira, acusando-o de ser irresponsável, bagunceiro e criticando-o. No entanto, para atingir resultados mais efetivos, busque se acalmar e reformular as frases de maneira a sensibilizar seu filho. Afinal, quando você emite uma crítica, não gera abertura para o diálogo. E mesmo que ele passe a obedecer, pode fazer isso pela via do medo ou do ressentimento. Portanto, busque sentar (se for uma criança, fique na altura dela, olhando-a nos olhos) para uma conversa franca.

PASSO 2 - Expressar os sentimentos

Exponha os fatos. Diga, por exemplo, que durante a semana você entrou em seu quarto quatro vezes e que, em todas elas, havia muitas peças de roupa no chão. Em seguida, em vez de culpá-lo, assuma a responsabilidade dos seus sentimentos. Diga, por exemplo, que se sente incomodada com a situação.

PASSO 3- Fale sobre a necessidade.

Ainda sem jogar a culpa para seu filho, converse sobre as necessidades que estão por trás da situação. Para isso, é preciso refletir sobre seus próprios sentimentos. Por que você está irritada? Dizer, por exemplo, que você tem uma necessidade de viver em um ambiente ordenado pode ser bastante efetivo. Assim, a criança entenderá.

PASSO 4 - Faça um pedido objetivo e claro.

Para encerrar a conversa, em vez de dizer “não deixe seu quarto bagunçado”, utilize uma linguagem positiva. Pergunte se pode lhe fazer um pedido. Em seguida, peça, por exemplo, que ele recolha a roupa que está no chão e coloque-a na máquina de lavar ou em um cesto de roupas. Assim, a probabilidade de ele atender às suas necessidades será maior, uma vez que não foi ofendido e sabe exatamente do que você precisa. Mas atenção: não se esqueça de que isso se trata de um pedido. É preciso estar aberta ao diálogo. Se ele disser, por exemplo, que deseja fazer isso mais tarde porque está ocupado, será necessário respeitá-lo.

Agora, imagine que um parente está para visitar a casa e você precisa que seu filho cumpra a tarefa imediatamente. Nos casos em que há urgência, é preciso deixar claro que se trata de uma ordem, avisando a ele que a atividade deve ser cumprida neste exato momento. Como mãe, haverá momentos em que isso será inevitável. No entanto, busque utilizar esse recurso apenas quando ele for realmente necessário, para não desgastar a relação.