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Conheça a síndrome que faz crianças se oporem às autoridades e como detectá-la

Saiba como detectar se seu filho está com Transtorno Opositivo-Desafiado

Da Redação Publicado em 22/12/2019, às 08h00

Aos familiares, cabe observar as atitudes do pequeno no dia a dia - Banco de Imagem/Getty Images
Aos familiares, cabe observar as atitudes do pequeno no dia a dia - Banco de Imagem/Getty Images

Convencer seu filho sobre algo é sempre muito difícil mesmo quando ele está evidentemente errado? Faz parte do comportamento do pequeno se opor a tudo que dizem? Ele bate boca por qualquer coisa? 

Se você respondeu afirmativamente para essas três perguntas, pode ser que a criança em questão sofra de Transtorno Opositivo-Desafiador, o chamado TOD. Em geral, os pais confundem o problema com birra ou uma suposta falta de limites. 

Algo, aliás, compreensível, pois trata-se de um diagnóstico pouco popular. Tanto que o neurologista infantil Clay Brites e a psicopedagoga Luciana Brites lançaram o livro Crianças Desafiadoras (Editora Gente, R$ 33,16). 

Na obra, além de explicar a diferença entre TOD e pirraça, os especialistas apontam os sintomas mais comuns do distúrbio e as melhores estratégias, além de tratamentos, para lidar com o filho que apresenta esse perfil.

COMO PERCEBER QUE A CRIANÇA TEM TOD
“Quando atitudes disruptivas (conduta em que o pequeno interrompe todos o tempo todo) começam a se manifestar de forma agressiva com autoridades de casa e da escola”, explica o médico. 

O especialista avisa que crianças dentro desse diagnóstico não aceitam imposições naturais de regras e rotinas, perdem amigos por criar conflitos recorrentes, agem utilizando discursos de vítima, afrontam ou fazem chantagens e, por fim, tendem a ser vingativas. 

Além disso, podem ter sinais de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e/ou de autismo. 

“O comportamento do filho com TOD provoca sofrimento nos pais, pois eles não conseguem entender o que motiva tais atitudes por parte da criança e não sabem que o transtorno está além do controle da pessoa que sofre dele”, explica o médico. 

Aos familiares, cabe observar as atitudes do pequeno no dia a dia, como: desobediência, capacidade de se envolver em constantes confusões, agressividade, caráter violento, jeito ríspido de lidar com as pessoas e dificuldade na interação social. “Esses fatores também são indícios de que o filho seja portador do Transtorno Opositivo-Desafiador”, analisa Clay.  

DIFERENÇA ENTRE A BIRRA E O TRANSTORNO 
Pirraça é um comportamento natural de crianças que têm entre 8 meses e 4 anos de idade. Nessa faixa etária, quando se frustra, ela chora e se joga no chão para tentar convencer seus cuidadores a lhe darem o que deseja. 

“Já no caso do Transtorno Opositivo-Desafiador considera-se anormal, independentemente da idade, uma reação de raiva e agressividade desproporcional quando contrariada. Além disso, a criança não admite ser subjugada por autoridades, como os próprios pais, por exemplo. Em situações assim, é comum o filho quebrar objetos, armar cenas altamente constrangedoras ou agredir alguém fisicamente. E tudo isso pode vir associado a situações mais extremas e sentimentos de vingança”, analisa o neurologista.

TRATAMENTO 
O cuidado é interdisciplinar e consiste em: 

  1. Terapias comportamentais de manejo parental: o método ensina habilidades aos pais para que eles consigam lidar com o comportamento dos filhos e conquistar mudanças possíveis. 
  2. Medicações para controle do temperamento e de comorbidades (doenças associadas, como o TDAH).
  3. Suporte escolar para manejo de comportamentos inadequados e reforço – os profissionais são treinados para saber como lidar com os alunos com TOD.
  4. Mudança de postura dos cuidadores em geral.

AJUDA DA ESCOLA 
Segundo o médico, é importante informar ao colégio o diagnóstico do aluno. A partir disso, o primeiro passo: ressaltar que tanto a instituição quanto os pais precisam agir juntos. 

“Deve-se manter sempre um discurso firme e objetivo com o estudante TOD. Ou seja, não pode dar espaço ao aluno para discussões nem tampouco passar a impressão de que ele vai ganhar muito mais por começar a agir de maneira obediente. Além disso, precisa ficar claro que as regras são necessárias e todos, sem exceção, devem segui-las. Os professores podem conhecer mais este aluno e ressaltar ou valorizar os pontos positivos dele”, explica o médico. 

E se acontecer uma crise de raiva na escola? A dica do médico vai para os educadores: “O professor deve dar um tempo até que a criança ou jovem se acalme e retorne à ordem original do ambiente sem que os pais sejam ou o estudante seja dispensado para casa”.

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