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Construindo uma grande sociedade mais justa

Como criar filhos conscientes de que não devem aceitar os estereótipos de gênero que subjugam a mulher e supervalorizam o homem

Júlia Arbex Publicado em 02/06/2017, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Construindo uma grande sociedade mais justa - Shutterstock
Construindo uma grande sociedade mais justa - Shutterstock
Uma amiga da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie pediu conselhos para criar a filha recém-nascida longe dos preceitos machistas da sociedade. Em resposta, a autora escreveu o livro Para Educar Crianças Feministas – Um Manifesto. A obra tem sugestões de como educar meninas e meninos dentro da perspectiva feminista. Selecionamos nove desses toques para ajudar você nessa mesma missão.

1. Gosto pela leitura
Ensine a seu filho ou filha o prazer pelos livros. Se ele a vê lendo, entenderá o valor da leitura. As obras irão ajudá-lo a compreender e a questionar o mundo, além de auxiliá-lo na comunicação. Não precisam ser somente livros escolares, viu? Valem
biografias, romances, histórias...

2. Presente real
A maternidade, sim, é uma dádiva maravilhosa, mas uma mulher não pode ser definida apenas por esse aspecto. Seja uma pessoa completa e nunca se desculpe por ter uma carreira profissional. Dedicar-se a um trabalho de maneira prazerosa é um grande presente que você dá aos seus pequenos. Além disso, tire um tempo livre para si mesma, saiba que você não precisa ser uma mulher que “dá conta de tudo”. Cuidar da casa e dos filhos é uma tarefa tanto da mulher quanto do homem.

3. Horizonte amplo
Mostre à criança como questionar os homens que só conseguem sentir empatia pelas mulheres dentro da própria rede de relações
sociais, ou seja, só têm consideração pela própria mãe, namorada, amigas... Explique que pessoas do sexo feminino não precisam ser defendidas nem reverenciadas sem necessidade; apenas tratadas como seres humanos iguais.

4. Perfil único
Deixe claro que definir “papéis de gênero” é desnecessário. Compre carrinhos para a sua filha e boneca para o seu filho, se eles
quiserem. Isso não definirá a sexualidade deles. Nunca diga a eles, por exemplo, para fazer ou deixar de realizar algo “porque isso ou aquilo é coisa de menina ou menino”. Veja a criança como indivíduo e não como uma garota ou garoto que deve se comportar
de uma maneira específica.

5. Liberdade
Os pequenos não precisam se preocupar em agradar. A questão é serem eles mesmos: honestos, confortáveis com sua personalidade e conscientes da igualdade humana em relação às outras pessoas. Ensinar as meninas a serem agradáveis e “boazinhas” e não cobrar a mesma coisa aos meninos pode ser perigoso. Todos devem poder expor suas opiniões com sinceridade e respeito ao próximo, além de dizer o que realmente sentem.

6. Sem martírio
Romances vão acontecer, então dê apoio! Isso não significa ser “amiga” do seu filho, mas sim uma mãe com quem ele pode se
abrir com segurança. Mostre que para amar é preciso, sim, se entregar emocionalmente, mas também faz parte receber o retorno desse afeto. Ele não precisa se sacrificar. Nunca!

7. Sem padrão
Incentive a prática de esportes. Além dos benefícios para a saúde, a atividade física pode ajudar a superar inseguranças quanto à imagem do corpo que a sociedade exige, especialmente sobre as meninas. Ah, e não lhe diga que uma saia curta é uma peça “indecente”. Sempre relacione a maneira de se vestir à questão de gosto ou de beleza, mas nunca de moral.

8. Diversidade
Converse sobre as diferenças e as torne normal aos olhos das crianças. Afinal, essa é a realidade do nosso mundo. Ao ensiná-lo sobre isso, você preparará seu filho para sobreviver em um universo plural, diversificado. A criança precisa saber e entender que as pessoas percorrem caminhos distintos e que esses trajetos, desde que não prejudiquem outras pessoas, são válidos e merecem ser respeitados.

9. Sexualidade
Desde cedo, fale com os seus pequenos sobre sexo. Em princípio, pode até ser um pouco constrangedor, mas acredite, é necessário. Diga a eles que fazer amor pode ser uma coisa linda e que são donos do próprio corpo. Logo, nunca devem sentir a necessidade de dizer “sim” a algo que não desejem realizar ou para alguma coisa que se sintam pressionados a fazer.