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Crônica da Xênia: Uma perda inestimável para a TV

Marília Pêra interpretava como ninguém. Não foi à toa que sua partida causou tanta comoção

Redação Publicado em 12/01/2016, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

anamaria - Shutterstock
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Já há algum tempo venho querendo escrever nesta coluna sobre o programa de Miguel Falabella, Pé na Cova. Fui adiando por achar que não conseguiria verbalizar meus sentimentos. Agora, com a partida de Marília Pêra, que ficou encantada, vamos ver se eu consigo. 
Assisti somente a estreia do programa e não mais consegui assistir. Acho tudo genial. Sem fazer demagogia, Miguel Falabella e todo o elenco (e aí entram também os excelentes redatores) mostram a tristeza, a melancolia e a miserabilidade do povo brasileiro. 
Não é um programa de humor, mas de dor. De um povo abandonado, que espera não sei o quê, que venha não sei de onde – e que nunca chega. Comparo Pé na Cova às músicas de protesto de Chico Buarque de Hollanda.
Assisti ao programa depois da longa viagem de Marília Pêra para o mundo do nada, ou do tudo – porque ninguém sabe. Ela fará uma falta enorme neste nosso mundo. A sua Darlene, maquiadora de cadáver, que no meio de tanta miséria manteve-se eternamente apaixonada por Russo, me comove tanto que chorei o tempo todo. 
Terça-feira, dia 8, o Jornal Nacional anuncia que Pé na Cova está na programação do ano de 2016. Como operária da arte, Marília Pêra gravou todos os capítulos sentada, por causa da dor. Não se deixou abater. Assim, Darlene ficará mais tempo com a gente. E nós vamos fazer de conta que não aconteceu nada. A tecnologia permite esse milagre. 




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