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Dificuldade para ter o segundo filho? Entenda as causas da infertilidade secundária

Nem sempre surge em mulheres que tentam o primeiro filho, mas pode acontecer na hora de tentar segunda gestação.

Ives Ferro, com supervisão de Vivian Ortiz Publicado em 24/11/2020, às 09h00 - Atualizado em 09/12/2020, às 10h10

“A minha menstruação atrasava, eu ia toda feliz fazer o teste e dava negativo" - Banco de imagens
“A minha menstruação atrasava, eu ia toda feliz fazer o teste e dava negativo" - Banco de imagens

A psicóloga e escritora Renata Feldman, de 46 anos, conta que o processo de ter seu primeiro filho, Leonardo, foi extremamente simples. Isso porque ela engravidou poucos dias após parar o uso do anticoncepcional. “Brinco que eu era a rainha da fertilidade [risos]. Se não foi isso, eu realmente bati um recorde na facilidade de engravidar”, conta para AnaMaria Digital.

Renata e o marido deram, então, um intervalo de três anos para tentar ter o segundo bebê, só que as coisas não foram fáceis e a gravidez não veio tão rápido quanto eles esperavam.

“A minha menstruação atrasava, eu ia toda feliz fazer o teste e dava negativo. Fiz alguns exames e a médica obstetra detectou que eu tinha ovários policísticos. Paralelamente a isso, meu marido também fez os exames indicados e com ele não havia nenhum problema. Me concentrei nesses ovários policísticos e o procedimento foi fazer uma indução de ovulação”, relembra.

Renata com o marido e os dois filhos: Isabella, 13, e Leonardo, 17. (Foto: Arquivo Pessoal)

Em meio aos tratamentos que fez, com acompanhamento nutricional e medicamentos prescritos, a psicóloga deparou-se com um pequeno folículo no ovário, ou seja, um óvulo em crescimento. O procedimento seguinte foi fazer a histerossalpingografia, raio-x do útero, feito com a ajuda de contraste. Tudo isso para uma análise detalhada do problema. Por fim, o casal conseguiu engravidar de Isabella.

Segundo a médica Claudia Navarro, especialista em Reprodução Assistida, a infertilidade secundária, como é chamada essa dificuldade de ter um outro filho, envolve uma série de fatores. Alguns deles têm a ver com o intervalo entre uma gestação e outra. “Pode ser que, no meio do caminho, algo tenha acontecido tanto com a mulher quanto com seu parceiro”, explica.

(Foto: Arquivo Pessoal)

O QUE PODE ESTAR ACONTECENDO?
Um dos fatores que podem atrapalhar uma segunda gestação é a idade. Afinal, a capacidade reprodutiva feminina começa a cair consideravelmente após os 35 anos. No caso de Renata, ela tentou engravidar pela segunda vez aos 31, e só obteve êxito dois anos depois.

“O casal deve começar a investigar a infertilidade após um ano de tentativas sem sucesso. Se ela tem mais de 35 anos, já pode investigar com 6 meses de tentativas. Em 35% do casos, o problema é na mulher, em 35% no homem, em 20% em ambos, e em 10% as causas não são totalmente esclarecidas”, entrega a especialista.

Outro fator que atrapalha são o surgimento de miomas ou pólipos no útero. Os miomas uterinos geralmente são tumores benignos, e muito comuns. Segundo a Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), cerca de 80% das mulheres em idade fértil têm miomas, apesar de serem a causa da infertilidade em menos de 5% dos casos. 

“Eles crescem a partir da parede do útero e variam de localização e tamanho. Essas variações, principalmente a localização, determinam o impacto que ele terá na saúde do aparelho reprodutor”, explica a médica.

Problemas com a qualidade do esperma do parceiro também entram na conta. Por algum motivo, como infecções, os espermatozóides podem ter perda de motilidade e de concentração. “Por isso, mesmo aqueles homens que já são pais devem fazer o espermograma, além dos exames habituais da mulher”, conta a médica.

COMO SE CUIDAR
Claudia ressalta o quanto é comum que a mulher passe por um momento de frustração e um mix de emoções ao perceber que não está conseguindo engravidar novamente. Depois de muitas tentativas, Renata decidiu desistir para dedicar-se ao mestrado. Coincidentemente, descobriu a segunda gravidez ao reprovar nos estudos.

“É algo que hoje tem recursos e tratamentos ótimos. A medicina está avançada. Não torne isso uma ideia obsessiva. O processo precisa ser um pouco mais natural mesmo. Siga a vida tranquila para que esse sonho se torne realidade”, aconselha ela, hoje mãe de dois adolescentes.

Quando a mulher percebe que os meses estão passando e ela ainda não engravidou, é natural começar a se questionar. “‘Por que está acontecendo isso comigo?’ é uma pergunta comum no consultório, mas é exatamente para respondê-la que os profissionais de reprodução assistida estão ali”, relata a médica.

“As chances de infertilidade são as mesmas para homem e mulher, então os dois devem fazer exames”, orienta. “Além disso, se a situação estiver se tornando muito difícil, emocionalmente falando, o casal é  orientado a procurar ajuda psicológica”, completa.