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É saudável deixar as crianças desenharem nas paredes?

Após polêmica com a apresentadora Bela Gil, a psicopedagoga Deyse Campos fala sobre o assunto

Izabel Duva Rapoport Publicado em 22/05/2018, às 13h12 - Atualizado em 05/12/2019, às 12h17

A grande questão é definir o que pode e o que não pode - Divulgação
A grande questão é definir o que pode e o que não pode - Divulgação

Neste mês, a apresentadora de televisão Bela Gil, especialista em alimentação saudável, causou polêmica nas redes sociais ao postar uma foto de seus dois filhos brincando no quarto deles, diante das paredes cobertas por riscos e rabiscos. Pela foto (veja no fim da página), é possível perceber que os desenhos foram feitos por crianças, o que levantou uma discussão: deixar as crianças desenharem nas paredes é algo saudável ou representa falta de limites?

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A psicopedagoga e especialista em educação, Deyse Campos, conta que a necessidade de marcar e registrar o espaço em que vivem é uma característica das crianças nos primeiros anos de vida. “É normal que crianças queiram rabiscar as paredes, deixando muitos pais bravos. Mas permitir ou proibir vai de acordo com os valores de cada família. O mais importante é estabelecer o limite do que se pode ou não”, afirma a especialista. Sem deixar de ressaltar a importância de os pais deixarem claro aos filhos, nesses casos, que não podem pintar as paredes da casa dos amigos.


Liberdade X Regras
Segundo ela, desenhar livremente pode ser um estímulo para as crianças desenvolverem a criatividade e expressarem seus sentimentos. Daniel e Maeva Vetrone, pais de Tom, de um ano e oito meses, deixam o pequeno desenhar nas paredes de um corredor da casa. Segundo os pais, Tom começou a se interessar por lápis e pinturas, mas devido a idade acabava desenhando fora do papel e em superfícies diversas.

“Uma criança da idade dele dificilmente brinca por mais de dois minutos com alguma coisa e o lápis prende a atenção. No início, quando ele começou a rabiscar as paredes, colocamos uma cartolina branca na parede, tentando delimitar um espaço. A estratégia não deu certo, já que ele arrancava a cartolina. E, então, liberamos a parede do corredor para os desenhos”, conta a mãe. Para os pais, o importante é delimitar regras. Tom pode pintar apenas na parede do corredor e essa regra precisa ser seguida. “Dar liberdade ao Tom é vê-lo crescendo com mais segurança e autoconfiança. Sem dúvidas é um desafio esta questão da liberdade X regras. De forma alguma ele pode pintar paredes das casas de amigos, nós estabelecemos limites”, diz o pai.

Para Dayse, o principal aprendizado nessa questão é justamente o limite. “A grande questão é definir para a criança o que pode e o que não pode ser feito. E fazer com que ela siga essa regra. Pintar as paredes pode ser um enorme aprendizado para toda a família, tanto pela parte lúdica, como pela questão dos limites. Mas isso é uma escolha de cada família. Se os responsáveis não se sentem confortáveis com essa prática, tudo bem. Se eles entendem que é um jeito legal de ensinar sobre limites, é legal também. Tudo é uma questão de bom senso”, avalia. Do ponto de vista da formação cultural, Deyse lembra ainda que pintar as paredes é algo que beira o primitivo. “É das cavernas. O ser humano tem um estímulo de deixar seu registro. Não é algo certo ou errado, é humano”, conclui.