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Ele pratica bullying. E agora?

Saber que seu filho tem atitudes que prejudicam os colegas não é nada agradável. Especialista recomenda firmeza e muito carinho

Cíntia Marcucci Publicado em 07/09/2015, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

FILHOS BULLYING 985 - SHUTTERSTOCK
FILHOS BULLYING 985 - SHUTTERSTOCK
Descobrir que seu pequeno está sofrendo com as brincadeiras dos colegas é terrível. Mas e se você for chamada na escola porque é ele quem atormenta a vida dos outros? Ouvir que seu filho anda praticando bullying é tão angustiante quanto saber que ele é a vítima. Bate logo aquele constrangimento e o sentimento de “onde foi que eu errei?!” Segundo Tania Maria Tupy, orientadora educacional do Colégio Liceu de Artes e Ofícios de São Paulo, o primeiro passo é descobrir o motivo e depois tomar as atitudes certas para que a prática não volte a se repetir.

O papel da escola

Por ser o espaço de maior convívio social das crianças, em geral, é lá que o bullying mais aparece. Portanto, a parceria entre a família e a escola é fundamental nesse momento. “Os dois lados precisam estar atentos para chegarmos aos motivos que levam um aluno a agir assim. Entender melhor o comportamento dele em casa pode nos ajudar a acolhê-lo também nos seus sentimentos sem apenas culpá-lo pelo comportamento”, diz Tania.

Um papo franco

Antes de colocar seu filho de castigo ou dar alguma punição severa, procure conversar. Peça para ele explicar melhor o que está acontecendo, pergunte por que ele está agindo assim e como vocês poderiam ajudá-lo a mudar. Mostrar interesse pelas situações que ele está vivendo e estar aberta a ouvi-lo são sempre atitudes recomendadas pelos especialistas. Após essa conversa, diga que toda a família reprova esse tipo de comportamento e, que caso ele volte a se repetir, haverá consequências.

Mas por que será?

De acordo com Tania, quase toda criança que pratica bullying já foi vítima dessas atitudes em algum momento da vida. E esse é um dos principais argumentos usados pelos educadores e pais para que a criança reflita um pouco. “Normalmente, a gente pede ao aluno que pense em como o outro se sente cada vez que ouve uma piada, uma risadinha, um cochicho ou cada vez que é deixado de lado”, completa a educadora. Isso facilita na hora de mostrar que aquelas atitudes não são mesmo nada legais. Aproveite e pergunte o que ele sente sabendo que deixou um colega triste. 

Muitas vezes, lembrá-lo de como o sentimento é desagradável pode ajudar bastante.  “Algumas pessoas praticam o bullying por querer se sentir valorizadas e superiores ou apenas pela vontade de ser bem-aceitas por um grupo. Sempre pedimos aos pais que observem o que está ocorrendo dentro de casa: ele pode sofrer com atitudes de um irmão mais velho, de um primo ou de um tio, e acabar descontando em um colega mais frágil do que ele”, diz Tania, que também é psicóloga.

Crise na família?

O relacionamento está difícil? Nasceu um irmãozinho? Ele precisou mudar de escola? Por conta da imaturidade, as crianças e até os adolescentes acabam não sabendo o que fazer com a raiva e a frustração e acabam tendo esse tipo de atitudes. “Em alguns casos, quando a conversa e a cooperação entre a escola e a família não é suficiente, uma das recomendações é a psicoterapia, para que o jovem se entenda com ele mesmo e, assim, passe a se entender melhor com os outros”, indica a educadora.