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Mas essa criança não dorme nunca, gente?

Dormir precisando da ajuda dos pais ou de estímulos externos que não se mantêm com a criança por toda a noite é péssimo. Isso pode fazer com que, nos despertares, ela não consiga voltar a dormir justamente por não saber como retomar o sono

Dra. Deborah Moss Publicado em 19/12/2017, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Mas essa criança não dorme nunca, gente? - iStock
Mas essa criança não dorme nunca, gente? - iStock

"Ouvi dizer que o filho copia o padrão de sono da mãe. É verdade? O meu é péssimo.”
N. E., por e-mail

Antes de se pensar em uma herança genética, é preciso descartar os problemas comportamentais, geralmente associados aos hábitos de sono. Vale uma análise tanto nos seus hábitos quanto nos do seu filho. Os pais são modelos de comportamento dentro de casa. Para uma primeira análise, algumas perguntas precisam ser respondidas. Há rotina (previsível) na hora de ir dormir? Ele sempre vai dormir no mesmo horário? Ele precisa de ajuda dos pais ou estímulo externo (por exemplo, assistir TV) para iniciar o sono? Quando desperta à noite, necessita de ajuda para retomar o sono? Dorme com alguma luz ligada no quarto? A rotina é importante para que a criança já antecipe que a hora de dormir está chegando e já vá sendo preparada para ir para a cama. Passar da hora em que já está cansada pode deixá-la ainda mais exausta e como consequência muito agitada, o que dificulta o ato de dormir assim como a qualidade do sono durante a noite. Dormir precisando da ajuda dos pais ou de estímulos externos que não se mantêm com a criança por toda a noite pode fazer com que, nos despertares (próprios do ciclo de sono), ela não consiga voltar a dormir justamente por não saber fazer isso! A melatonina é um hormônio que ajuda a organizar as funções quando estamos acordados e durante o sono. A substância começa a ser produzida na glândula pineal quando o dia escurece, para ajudar o organismo a se preparar para dormir. Qualquer estímulo luminoso pode atrapalhar todo este processo, interferindo na qualidade do sono. Se, uma vez resolvidos estes problemas comportamentais, o padrão de sono continuar ruim, o médico deverá ser consultado.

Não desista, procure ajuda
Nem sempre é fácil modificar hábitos de sono. Isso requer muito empenho e persistência por parte da família, que, cansada e envolvida no
problema, sente-se desorientada e nem sabe por onde começar as mudanças e muitas vezes nem sabe o que precisa mudar. Para
tanto, existem consultores de sono, profissionais que auxiliam os pais, através de um plano de sono individualizado, a buscar o melhor caminho para cada família.

DRA. DEBORAH MOSS: Neuropsicóloga especialista em comportamento e desenvolvimento infantil e mestre em psicologia do desenvolvimento pela Universidade de São Paulo (USP). Consultora do sono certificada pelo International Maternity and Parenting Institute, no Canadá.

Envie suas perguntas para dra. Deborah Moss pelo e-mail anamaria@maisleitor.com.br