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Meu filho mais saudável - Gabriela Kapim responde

Jamais use a comida como castigo ou recompensa

Gabriela Kapim Publicado em 08/10/2015, às 16h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

GRABRIELA KAPIM - SEBLEM MOTOVANI
GRABRIELA KAPIM - SEBLEM MOTOVANI
Tenho um enteado de 5 anos e meu marido usa a comida como recompensa ou castigo: se ele se comporta, ganha chocolate; se escova os dentes sem birra, tem sobremesa. Se não come todo o jantar, fica sem TV. Não acho isso muito certo. Como convencê-lo?  

M.T., por e-mail


Os valores da alimentação saudável e os motivos pelos quais deve-se comer bem precisam ser construídos a partir de questões coerentes. Quando se oferece um chocolate – ou qualquer outra besteira – em troca de um bom comportamento, o motivo real que leva as crianças a agirem dessa forma perde totalmente o sentido e o chocolate acaba ganhando uma importância que não deveria ter. Por outro lado, quando usamos a comida como uma forma de castigar a criança, como no caso “se não comer todo o jantar, fica sem TV”, ela passa a criar uma relação bastante ruim com o alimento. Na cabecinha dela, é culpa da comida ela ficar sem ver TV. E não é! Mais uma vez, criam-se valores deturpados envolvendo a alimentação. E as consequências a longo prazo não são nada boas. Podemos  relacionar alguns transtornos alimentares, como anorexia e obesidade, com esse mecanismo de usar sempre a comida 
como castigo ou recompensa. 
Na estrutura de recompensa, a criança acaba aprendendo que toda vez que quiser alguma coisa, é só comer tudo para ter o que quer. Assim, todas as atitudes dela passam a ser motivadas e/ou estimuladas pelo ato de comer, podendo levar à obesidade. Já quando se usa a alimentação como castigo, o resultado é o oposto: a criança pode criar uma relação de aversão à comida, já que ela lhe traz situações bem ruins e desagradáveis. Uma das consequências pode ser a perda do apetite, podendo chegar até a uma anorexia.
 Uma criança deve comer bem porque é fundamental para a manutenção da saúde dela. Uma criança precisa se comportar ao ir a um consultório médico porque é isso que se espera de uma criança educada. Esses, sim, são os valores que devem ser entendidos pelos pais e passados para seus filhos. 



Gabriela Kapim é nutricionista infantil e trabalha há 16 anos ajudando a criançada a se alimentar melhor. Há dois anos apresenta o programa Socorro! Meu Filho Come Mal, do canal pago GNT. É também coautora do livro que leva o mesmo nome da atração (Editora Leya, R$ 25,90).


Envie suas perguntas para Gabriela Kapim pelo e-mail anamaria@maisleitor.com.br
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