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Segredos para criar bons filhos

Estudo aponta quais princípios resgatar para garantir herdeiros mais humanos no futuro

Izabel Duva Rapoport Publicado em 20/06/2017, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Segredos para criar bons filhos - Shutterstock
Segredos para criar bons filhos - Shutterstock
A era digital trouxe novidades incríveis, mas também um desafio e tanto para os pais: despertar o interesse dos filhos para atividades além do celular, tablet e televisão. E mais: ensiná-los, desde cedo, a serem pessoas éticas e generosas. Uma recente pesquisa realizada na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que, para educar crianças que se transformarão em adultos bondosos e responsáveis no futuro, nos tempos atuais, é preciso resgatar princípios básicos de educação que não podem ser descartados. Quer saber quais são eles e como começar a plantar essa sementinha? Confira as dicas dos estudiosos para colocar esse plano em prática desde já.

A interação é a base de tudo
As crianças aprendem a respeitar os outros quando são tratadas com atenção e amor. Brincar, ler, ir ao parque... são atividades que
você pode fazer com seus filhos. Mas se a rotina lhe rouba esse tempo, não se assuste! Transforme os minutos que passam juntos em momentos de qualidade. “Aproveite o caminho da escola para conversar com ele. No banho e no jantar, faça perguntas e escute as respostas com atenção”, diz a psicóloga Mariana Brandão Lourenço Gonçalves. “As conversas diárias têm papel importante na formação da autoestima da criança e, depois, do adulto”, avisa.

Eles são prioridade!
Segundo os psicólogos de Harvard, “embora a maioria dos pais diga aos filhos que o cuidado com eles é prioritário, as crianças não percebem a mensagem”. Por isso, para o estudo, além de falar (em alto e bom som) que os pequenos estão acima de tudo, os pais devem acompanhar a vida deles em todos os âmbitos: falar com os professores e treinadores pode ajudar a descobrir mudanças no comportamento. Também vale permitir que os filhos se sintam confortáveis para conversar sobre conflitos e conquistas. Para incentivá-los, compartilhe histórias de sua infância e do seu dia a dia atual.

Cada um com os seus próprios problemas
Se você quer criar adultos produtivos e que possam dar exemplo no futuro, dê aos seus filhos a capacidade de analisar e resolver problemas. Permita que falem sobre suas dúvidas com você e os guie a fazer as melhores escolhas possíveis, porém, deixe que tomem a decisão final. Segundo especialistas, é difícil dar um passo atrás quando percebemos  que um filho vai cometer um erro,
mas faz parte da aprendizagem.

Olhos bem abertos
As crianças aprendem ética e moral observando o comportamento dos pais. Então, preste atenção em si mesmo. “Pai e mãe precisam ser modelos. Mais importante do que ditar como o filho deve se comportar, é agir como tal diante dele”, afirma Mariana. Para a especialista, as crianças reproduzem nas brincadeiras e no trato com os amigos ao que assistem e o que recebem em casa.
“O melhor jeito de o seu filho ser honesto, é você ser digno com todos ao seu redor. Assim, a criança constrói um modelo sobre ser adulto”, conclui

Oportunidades e gratidão
Os pesquisadores dizem que os que praticam o hábito de agradecer têm mais chances de ser úteis, generosos, felizes, saudáveis
e de perdoarem com mais facilidade. Além de serem gratos a cada tarefa realizada pelos filhos em casa, os pais devem encorajá-los
a expressarem esse sentimento. Faça com que as crianças reconheçam o que têm de bom – e que nem todos possuem: professores bacanas, vovó disposta a ir ao parquinho, comidinhas coloridas no prato todo dia, cama quentinha... Visão além do umbigo
Preocupar-se com a família e amigos é relevante. “Mas trazer esse incômodo para um campo maior de visão é uma tarefa muito
mais importante”, diz Mariana. O grande desafio é fazer com que as crianças desenvolvam empatia em relação às pessoas fora do seu círculo social, como um aluno novo na classe, um colega que acredita em outra religião, o responsável pela limpeza da rua, alguém que fale outra língua ou tenha dificuldades para andar. De acordo com a psicóloga, os pais são exemplos também nesses
casos, pois os filhos vão prestar atenção em como eles tratam as pessoas diferentes deles. “Se houver preconceito e intolerância na família, provavelmente a criança levará esses tratamentos adiante”, afirma.

Mensagem final do estudo
“Criar uma criança respeitosa, carinhosa e ética é árduo. Mas é algo que todos podemos fazer. E nenhum outro trabalho é mais importante ou mais gratificante.”