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“Será que ela anda comendo demais?”

Apesar de ser mais comum em adultos, crianças também podem desenvolver compulsão alimentar. E o comportamento dos pais é fundamental para reverter o problema!

Ana Bardella Publicado em 18/09/2018, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h46

“Será que ela anda comendo demais?” - iStock
“Será que ela anda comendo demais?” - iStock

Como ele se comporta quando o assunto é comida?
De acordo com Adriana Pereira Santos, psicóloga da plataforma Vittude, o principal sintoma de uma criança que está sofrendo com o problema é o de comer exageradamente. “Muitas vezes, elas passam a se alimentar escondido dos adultos e mentir sobre o assunto. Depois, sentem-se culpadas”, explica. Elas também podem recorrer à ingestão dos alimentos ao se sentir tristes ou frustradas. “Outro
sintoma comum: basear a rotina toda em torno da comida”, reforça Ariane Bomgosto, nutricionista infantil. As refeições não são suficientes e elas sempre pedem para beliscar algo fora dos horários preestabelecidos, porque não sabem reconhecer quando estão se sentindo satisfeitas.

Origem do problema
Segundo Adriana, ao notar esses sintomas, os pais precisam investigar as causas do comportamento. Problemas de saúde podem estar envolvidos, tais como desequilíbrios hormonais ou diabetes. Por isso, vale consultar um pediatra e, se necessário, realizar exames para descartar essas possibilidades. Se nada for encontrado, a hipótese é de que a compulsão esteja relacionada a fatores emocionais. “Muitas vezes as crianças estão tentando transmitir algum tipo de mensagem para os pais. Como ainda não são capazes de transformar
esses sentimentos complexos em palavras, inconscientemente buscam refúgio no ato de comer”, detalha a psicóloga. O problema pode ter início a partir dos 3 anos de idade

O ambiente influencia muito!
“Cada pessoa tem uma forma de interpretar os episódios da vida, e com as crianças também funciona assim”, diz Ariane. Separação dos pais e agressões verbais recorrentes entre os membros da família podem ser gatilhos para o desenvolvimento da compulsão. No entanto, se os mais velhos usam a comida como recompensa (por exemplo, deixam a criança comer um chocolate depois de tirar uma nota boa na prova), isso também pode ser um estímulo. Por isso, atenção às situações em que os episódios compulsivos ocorrem e o que pode estar escondido por trás deles. Mais importante do que repreender imediatamente seu filho é visualizar o contexto para poder tratar a raiz do problema.

O perigo morano futuro
Caso a compulsão não seja tratada, existe a possibilidade de a criança crescer, amadurecer e mudar de comportamento. No entanto,
o assunto também pode acabar ganhando outras dimensões. “É possível que o transtorno evolua para um quadro de anorexia ou
bulimia, principalmente na fase da adolescência”, alerta Adriana. O ideal, segundo as profissionais: desenvolver uma boa relação com
a comida desde a infância. Sempre é possível mudar de hábitos, mas quanto antes o processo se iniciar, mais fácil fica vencer o drama!

Tratamento multidisciplinar
Além de se consultar com um pediatra, a criança precisa do acompanhamento de um psicólogo e de um nutricionista. E lembre-se de que, assim como nos casos de obesidade infantil, a família toda deve se comprometer para ajudá-la a vencer a compulsão. Afinal, o comportamento dos pequenos está diretamente relacionado com a maneira como os mais velhos agem no dia a dia. Pais ansiosos, agressivos ou rígidos demais contribuem para a piora do problema. Só mesmo mudando os hábitos de todos os moradores da casa será possível virar o jogo. Portanto, esteja aberta às possíveis transformações! Afinal, o esforço vai resultar em uma convivência mais harmônica, além de influenciar de maneira positiva no bem-estar do seu filho.