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Vamos incentivá-los a compartilhar mais!

Assim, você ensinará seu filho a respeitar as necessidades do outro, algo fundamental para a vida toda!

Redação Publicado em 21/10/2015, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

compartilhar - shutterstock
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Dividir é algo difícil até para os adultos, imagine só para quem ainda está em formação. Lembre-se da sua infância: se você tem irmãos, quantas vezes não garfou o bife antes do outro? Ou se escondeu no quarto com aquele brinquedo especial para não ter que emprestar? Faz parte do instinto de preservação querer guardar o que é seu. “Mas é também parte do processo normal de desenvolvimento infantil aprender a dividir. Isso implica empatia e habilidade de se colocar no lugar do outro”, diz a psicoterapeuta familiar e de casal Claudia Bruscagin, de São Paulo. Segundo ela, a criança passa a ter noção da necessidade de compartilhar lá pelos 6 anos. “Mas antes, ela pode ser condicionada a dividir, mesmo sem compreender a real importância desse ato”, afirma Claudia. Entenda melhor como o pequeno lida com essa situação em cada fase da infância e de que forma os pais podem ajudá-lo:

Até  1 ano: O bebê explora os objetos e entende que eles são diferentes, mas ainda não sabe se aquilo é seu.  “O conceito de dividir já pode ser introduzido aos poucos. É bom mostrar que o outro também existe e tem necessidades. Ele percebe isso quando a mãe se ausenta para comer ou tomar banho, e é importante valorizar esses momentos de afastamento", diz a psicóloga Ana Lúcia da Costa Rafael, de São Paulo.

De 2 a 4 anos: A criança passa a ter consciência de que é um ser diferenciado dos outros, inclusive da mãe, e acha que tudo o que a rodeia é dela. Logo descobre o “eu”, por isso, nesse período fala “pega eu”, “isso é meu”. Para a neuropsicóloga Ana Paula Cuoccolo Macchia, do ABC Aprendizagem Centro Interdisciplinar, de São Paulo, é nessa fase que os pais cometem os principais erros. “Os adultos acham graça quando a criança liga o DVD, o som, a TV, ou seja, objetos que não são dela. Ela precisa saber diferenciar o que lhe pertence ou não. É preciso mostrar que aquilo não é dela para que aprenda a respeitar o outro”, diz.

De 5 a 6 anos: Nessa período, surge a necessidade de ter companheiros para jogar e brincar, e começa o interesse por fazer parte de um grupo. É quando, realmente, as crianças tendem a compreender o conceito de dividir. Então, cresce ainda mais a importância do exemplo dos pais. “E isso pode vir de coisas bem simples, como a mãe dizer: `Olha, o papai está dividindo o travesseiro comigo’, ou `Vamos dividir esse sorvete ?’”, exemplifica Claudia. “Outra boa ideia é mandar um lanchinho a mais na mochila da escola para que a criança possa oferecer aos coleguinhas”, complementa a psicoterapeuta. 

A partir dos 7 anos: Agora, o compartilhar não deve ser mais um problema para a criança. A menos que não tenha aprendido direito. “Por preocupação em não frustrar o filho, ou por achar que ele é pequeno demais, os pais deixam a questão para depois. Nesse caso, eles podem começar a incentivar a criança a adotar um animal ou a participar de atividades coletivas, como grupos de escoteiros ou esportes não competitivos”, fala Ana Paula. E lembrar de que não se trata apenas de dividir objetos, mas também tarefas. É importante que eles saibam cooperar e aprendam a ser solidários. 

Sem exageros

Nem tanto ao céu, nem tanto à terra. Algumas crianças sentem a necessidade de dividir tudo o tempo todo. “Muitas vezes, com esse comportamento, estão apenas tentando ser aceitas ou queridas por seus pares. É como se repartir comprasse o seu ingresso para o mundo do outro, atitude típica de baixa autoestima infantil”, diz Claudia. “É comum, inclusive, isso ocorrer com filhos únicos, que tentam, assim, abrir o seu espaço no grupo, uma vez que não desenvolveram habilidade suficiente para fazer de outro modo”, completa. Tal situação pode ser sinal também de que o pequeno não é apegado a bens materiais. “E isso não é nenhum problema, desde que seu filho não permita abuso por parte de outras crianças ou demonstre descuido com suas  próprias coisas”, afirma o psiquiatra Gabriel Lopes, de São Paulo.
Fazer com que os pequenos dividam os brinquedos e até o tempo dos pais com outros irmãos pode não ser fácil, mas é muito importante para as futuras relações  deles