AnaMaria
Famosos / Empreendedorismo

Cleusa Maria, dona da Sodiê, revela desafios no início da profissão: ''Chorava no banho de tão cansada''

A empreendedora passou por maus bocados antes de alcançar o sucesso de sua franquia de doces

Karla Precioso Publicado em 25/04/2021, às 08h00

A empresária Cleusa Maria da Silva - Divulgação
A empresária Cleusa Maria da Silva - Divulgação

A História da empresária Cleusa Maria da Silva, 53 anos, serve de inspiração para qualquer pessoa acreditar em seus objetivos profissionais. Ela foi cortadora de cana, doméstica e recepcionista. Com segundo grau incompleto, ganhava menos de um salário mínimo por mês nessas funções. 

“No começo, pedi dinheiro emprestado ao meu irmão, e ele me deu a rescisão dele para investir na loja. Virei noites trabalhando... Tudo foi um grande desafio. Tinha dia em que eu chorava no banho de tão cansada que estava. A primeira lição que aprendi: não gastar o que se ganha e investir no negócio, mesmo que, para isso, passe alguma necessidade. Isso também é fundamental no início”, conta ela à AnaMaria Digital.

Enquanto trabalhava de carteira-assinada em uma indústria de alto-falantes, começou a fazer bolos em casa. Após dez horas de expediente, ela iniciava a produção à noite até madrugada. Durante muito tempo, usou o horário de almoço para entregar os bolos. 

“A mulher do meu patrão fazia bolos para fora e, quando teve um problema de saúde, pediu para que eu ajudasse. O primeiro bolo que eu fiz pesava 35 quilos, e o resultado foi sensacional. A partir daí, comecei a fazer bolos em casa. Entregava as encomendas a pé e fui aprimorando as receitas. Foi assim que consegui abrir minha primeira loja, em 1997”, revela.

MAIS OBSTÁCULOS

Foram dois anos de dupla jornada até abrir a primeira loja da Sodiê Doces em um espaço de apenas 20 metros quadrados, em Salto, no interior de São Paulo. Na época com 30 anos, Cleusa trabalhava das 7h às 23h e, por muito tempo, foi a única funcionária da empresa. Hoje, a marca é uma das maiores franquias de bolo do País, segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF). 

“Quando comecei meu negócio, ouvi gente dizendo que não ia dar certo, que não ia conseguir conciliar a família com o negócio... Nunca me fiz de vítima e nem dei ouvidos a pessoas negativas. As dificuldades e os obstáculos me fizeram chegar até aqui. Por um bom tempo, tive que abrir mão de coisas pessoais e até da vida social para conseguir juntar dinheiro para expandir o negócio. Hoje colho os frutos por isso”, desabafa.

Para Cleusa, uma das chaves de sucesso é sempre estar de olhos no concorrente, mas não para copiá-lo, e sim propor alternativas que vão diferenciar o produto dele do seu.

“Empreendedores inteligentes veem na concorrência uma oportunidade de melhorar o próprio negócio. Ouvir o cliente é fundamental também. Foi dessa forma que criei um dos maiores diferenciais da Sodiê: o bolo de festa à pronta entrega. Antes, era necessário encomendar com alguns dias de antecedência. Quem nunca esqueceu de encomendar um bolo, né? Entendi que poderia ter na vitrine vários bolos, e assim comecei a resolver os problemas dos clientes”, ressalta.

A CHAVE PARA O SUCESSO

A empresária destaca a ética, qualidade e respeito como os três pilares principais da Sodiê, título que veio da junção dos nomes de seus filhos, ‘So’ de Sofia e ‘Die’ de Diego. Apesar de investir em outros produtos como salgados e balas de coco, os bolos têm um significado especial: “Festa, comemoração, alegria, conquista, superação. E momentos assim, de felicidade, sempre vão estar presentes na vida das pessoas”.

Diante da pandemia de coronavírus, Cleusa chegou a afirmar que a situação, apesar de triste para diversos brasileiros, fez com que seu negócio crescesse. Mesmo assim, ela reforça que o desafio é sempre muito grande.

“Nunca esmoreci nem me vitimizei. Agora, lutamos contra algo invisível. Vou continuar enfrentando de peito aberto e com muito trabalho todas as situações que surjam pela frente. Cada vez mais o mercado será digital (compras pelo app e WhatsApp). Paralelo a isso, o atendimento terá que ser mais humanizado e cuidadoso. Mas, o empreendedor brasileiro é resiliente e se adapta às mudanças. Somos uma nação forte!”, conclui.