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''Cruzada do mal'', diz Ratinho sobre artistas que atacam Sérgio Reis

Apresentador disse ainda que artistas alinhados com o outro lado do poder falam coisas muito piores e são aplaudidos

Da Redação Publicado em 24/08/2021, às 09h45 - Atualizado às 09h46

Ratinho defendeu Sérgio Reis - SBT
Ratinho defendeu Sérgio Reis - SBT

Ratinho usou seu programa no SBT, na edição da última segunda-feira (23), para sair em defesa do cantor sertanejo Sérgio Reis. O cantor está sendo "cancelado" desde a divulgação de um áudio em que convoca atos antidemocráticos em defesa do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Na visão do apresentador, o sertanejo está sendo vítima de uma "cruzada do mal" após Guarabyra, Maria Rita, Guilherme Arantes e Zé Ramalho terem cancelado sua participação no próximo álbum do cantor.

"Sérgio Reis, quero dizer que você tem o meu apoio contra essa verdadeira cruzada do mal que você está sofrendo. O que eu sei é hoje o Brasil não suporta opiniões contrárias. O Sergião tá sofrendo uma perseguição sem igual", ressaltou Ratinho.

Especificamente sobre Guarabyra, da dupla com Sá, o apresentador afirmou que ele "não existe, acabou". "É bom que você não vá. Alguns desses cantores não fazem sucesso há muito tempo. E o Sérgio ia dar uma oportunidade. Não tem justificativa usar o ódio e não dar o direito de que ele se defenda."

Ele ainda afirmou que "artistas alinhados com outro lado do poder falam coisas muito piores e são aplaudidos". Para fechar a sua fala, convocou outros sertanejos a apoiar Sérgio Reis. "Artistas mais populares, quero falar com vocês. Duplas sertanejas, artistas populares, não sejam covardes. Mostrem apoio ao meu amigo!"

"DÁ LICENÇA DE EU ERRAR?"
Sérgio Reis pediu desculpas após ter um áudio vazado com planos de afastar ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista a Roberto Cabrini, exibida no 'Domingo Espetacular' do último domingo (22), o cantor se exaltou ao falar sobre o conteúdo da mensagem de voz que havia trocado com um amigo.

"Esquece esse áudio, pô, eu errei, dá licença de eu errar? Acabou! Morreu! Não fala mais. Eu errei, quero me redimir com esse povo, peço desculpas até ao Supremo. Se tiver algum pedido para me prender, aceito, com respeito. Não saí daqui, não me escondi. Se às 6h da manhã vier a Polícia Federal, eu me entrego", afirmou o cantor, de 81 anos.

Segundo ele, a ameaça ao STF foi um momento de descontração com um amigo. "Eu errei cara, quem não erra? Quem não faz uma bobagem um dia? Eu não me arrependo de nada, só dessa frase infeliz que vazou. Não é a realidade, se eu falei, foi brincando."

Veja a entrevista:

O QUE ACONTECEU?
No tal áudio vazado, o artista  revela seus planos de entregar um documento ao presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), tentando a aprovação do voto impresso, além da derrubada dos 11 ministros do STF.

"Eles vão receber um documento assim: 'Vocês tem 72 horas para aprovar o voto impresso e para tirar todos os ministros do Supremo Tribunal Federal. Não é um pedido, é uma ordem'. É assim que eu vou falar com o presidente do Senado. Isso é uma ordem. 'Se vocês não cumprirem em 72 horas, nós vamos dar mais 72 horas, só que nós vamos parar o país'", disse.

"Enquanto o Senado não tomar essa posição, nós vamos ficar em Brasília e não sairemos de lá até isso acontecer, [pode ser] uma semana, dez dias, um mês. Se em 30 dias eles não tirarem aqueles caras, nós vamos invadir, quebrar tudo e tirar os caras na marra", ressaltou em outro trecho.

Durante a entrevista para Cabrini, Sérgio Reis afirmou ter ficado triste após ter a mensagem de voz vazada. "Passei mal, eu só penso no bem dos outros. Agora, estão querendo acabar comigo como se eu fosse bandido, mas eu não sou bandido. Eu sou democrático, eu sou do bem, eu sou do amor", declarou ele.

SEM TER COMO PAGAR AS CONTAS
Sérgio Reis ainda comentou sobre os prejuízos em sua carreira após a divulgação do áudio. Ele já perdeu contratos de quatro shows e comerciais de televisão, além de quatro artistas terem pedido para sair de seu próximo álbum, com duetos em várias canções populares. "Não sei nem como vou pagar minhas contas", afirmou.

Apesar de não concordar com o comportamento do marido, Ângela Márcia Firmo, mulher do músico, não deixou de defendê-lo. "Não é justo, ele errou feio, mas ele estava desabafando com um amigo", disse ela, aos prantos. "O homem quando está [conversando com um amigo], ele se empolga, fala coisas que nem deveria falar. Eu penso assim, me desculpe se eu estiver errada."

POLÍCIA FEDERAL
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinou a restrição de nove pessoas de se aproximarem de um raio de um quilômetro da Praça dos Três Poderes, dos Ministros do STF e dos senadores. Na manhã da última sexta-feira (20), ele já havia ordenado buscas contra Sérgio Reis e o deputado Otoni de Paula por suposta ‘incitação à prática de atos violentos e ameaçadores contra a democracia'.

Os alvos da nova medida são Sérgio Reis, o cantor Eduardo Oliveira Araújo, os empresários Turíbio Torres e Alexandre Urbano Raitz Petersen, além do caminhoneiro Marcos Antônio Pereira Gomes, mais conhecido como ‘Zé Trovão’, Antonio Galvan, que é presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Soja, além de Wellington Macedo de Souza, Juliano da Silva Martins e Bruno Henrique Semczeszm.

Ao menos três deles – Sérgio Reis, Eduardo Araújo e Turibio Torres – estiveram eu reuniões no Planalto semana passada, de acordo com o jornal 'O Estado De S.Paulo'. 

Todos são alvos de inquérito solicitado pela Procuradoria-Geral da República por terem "convocado a população, através de redes sociais, a praticar atos criminosos e violentos de protesto às vésperas do feriado de 7 de setembro, durante uma suposta manifestação e greve de ‘caminhoneiros”.

Segundo o ministro do STF, a restrição de acesso se dá ‘para evitar a prática de infrações penais e preservação da integridade física e psicológica dos Ministros, Senadores, servidores ali lotados, bem como do público em geral que diariamente frequenta e transita nas imediações’. Tal determinação somente não se aplicará a Otoni de Paula, ‘em razão da necessidade do exercício de suas atividades parlamentares’.