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Day Mesquita fala sobre desafio em interpretar prostituta em 'Amor Sem Igual'

A atriz enfatiza a importância de olhar o outro com compaixão e respeito

Karla Precioso Publicado em 12/12/2020, às 08h00 - Atualizado em 16/12/2020, às 11h32

Na novela, Day vive Angélica, que adota a alcunha de Poderosa, uma garota de programa - Instagram/@daymesquita1
Na novela, Day vive Angélica, que adota a alcunha de Poderosa, uma garota de programa - Instagram/@daymesquita1

São 14 anos de carreira, sete novelas, algumas séries, longas-metragens e peças de teatro. Day Mesquita, 34 anos, já viveu a personagem principal, Eliana Vilela, em Vende-se um Véu de Noiva, no SBT. 

Também interpretou a vilã Amanda em Dance Dance Dance, na Band. Nos últimos anos, ela se tornou um dos principais rostos das novelas da RecordTV. Esteve em Milagres de Jesus, como Maria; e em Os Dez Mandamentos, quando se destacou com a personagem Yunet. A atriz também deu vida a Ioná, em A Terra Prometida; e Maria Madalena, em Jesus. Não termina aí. 

Após viver no cinema a mulher do bispo Edir Macedo no filme biográfico Nada a Perder − Contra Tudo, a paranaense voltou com força total. Agora, como protagonista da trama Amor sem Igual, também da RecordTV

Na novela, Day vive Angélica, que adota a alcunha de Poderosa, uma garota de programa: “Fazer uma novela contemporânea, depois de alguns trabalhos de época, é um desafio estimulante. Aliás, interpretar uma personagem que me permita sair da zona de conforto é o que me move na minha carreira”, garante. 

Destaque na TV, a estrela tem muitos motivos para comemorar. Ela aproveitou a quarentena para fazer cursos, praticar ioga, estudar inglês e até desenhar e pintar, como uma forma de terapia. Com um olhar de tolerância, compaixão e respeito ao próximo, a atriz fala sobre a importância da temática trazida por sua mais recente atuação e ainda revela o que pensa sobre a vaidade. É pra se inspirar! 

DESAFIO 
Após viver no cinema a mulher do bispo Edir Macedo, a atriz, agora, dá vida a uma prostituta na trama Amor sem Igual (com as gravações suspensas por causa da Covid-19, no próximo dia 28 de outubro a trama volta ao ar). 

Day Mesquita fala sobre esse desafio: “Essas duas personagens e todas as outras que já vivi são muito distintas, e é isso o que me desafia e instiga, ou seja, descobrir um novo universo a cada novo trabalho, se reinventar, encontrar uma outra maneira de pensar, agir, falar, se relacionar, lidar com conflitos diversos. Esse é o ofício do ator: se vestir de personagens diferentes a cada atuação, a cada trabalho”.  

PROSTITUIÇÃO 
Em Amor sem Igual, Day interpreta Angélica, a Poderosa, uma mulher que aparenta segurança, mas carrega consigo um passado triste. Sua mãe foi amante de um empresário e Angélica é fruto desse relacionamento. Aos 12 anos, a garota foi abusada sexualmente pelo namorado da mãe, que depois morre. Ela aprendeu a se virar sozinha e encontra no trabalho de garota de programa uma forma de sobrevivência. 

“Ela não vê outra alternativa. A mãe morre, ela foi abandonada, abusada pelas pessoas que cuidavam dela... Então, Angélica enxerga abuso em tudo, nos homens, nos relacionamentos... O corpo para ela não é nada. Por isso, decide sobreviver como garota de programa.” 

O abuso, o abandono, a rejeição, tudo isso representa muitas mulheres na vida real, infelizmente. No entanto, para a atriz, esses problemas não são necessariamente a mola propulsora para alguém se prostituir. 

“A prostituição é uma escolha livre de qualquer ser humano. Muitas pessoas passam por diversos traumas e vão por caminhos totalmente diversos. Outras, escolhem se prostituir. Cada caso é um caso, e cada pessoa responde a situações difíceis de uma forma. No caso da Poderosa, isso tudo contribuiu para que ela seguisse esse caminho. Depois de sofrer toda a rejeição e abuso, já bastante desiludida com as pessoas, ela não conseguiu enxergar com clareza tantas alternativas, e só pensou em seguir sobrevivendo. É como se ela tivesse optado trocar a tristeza pela raiva. No fundo, seu objetivo de vingança, um tanto controverso, serviu de motivação e a fez achar que, quando conseguisse se vingar de quem a fez sofrer, um pouco da sua tristeza iria embora... Mas, aos poucos, ela vê que o que salva não é a vingança, e sim o amor. Assim é na vida real”. 

Questionada sobre a importância de trazer para o contexto das novelas o tema prostituição, a estrela continua: “Falar sobre prostituição na TV é fundamental para quebrar todo tipo de preconceito. Quando contamos a história de alguém com profundidade e riqueza de detalhes, talvez, as pessoas possam respeitar e entender melhor que essa pessoa é um conjunto de tudo o que aconteceu com ela e suas escolhas podem ser decorrentes de traumas ou uma mera opção de vida. Somos livres para escolher qual caminho seguir. Por isso, reforço: levar a questão à televisão é extremamente oportuno. Quem sabe, assim, as pessoas entendam a importância de olhar o outro com empatia, compaixão e sem julgamento”, afirma. 

E a artista continua: “A novela é uma ótima oportunidade também para se debater a questão da tolerância, respeito e carinho com as pessoas, independentemente da sua profissão, da sua orientação sexual, do seu estado civil... Na vida tudo se resume a uma única coisa: amor. Vamos, então, praticá-lo no sentido literal da palavra. E seremos bem mais felizes, podem apostar”.

FORÇA DA MULHER 
Day Mesquita ressalta a força que a personagem tem: “Infelizmente, ainda vivemos numa sociedade muito machista. Então, temos que desconstruir prejulgamentos que encaramos como normais a vida inteira. Quem foi que estabeleceu, por exemplo, que um homem que fala alto e é sem papas na língua é irreverente, e que quando é a mulher que é assim alguns a consideram deselegante? Quantas vezes vemos uma mulher assertiva ser vista como grosseira, quando se fosse um homem acharíamos que ele é seguro, de personalidade? O conceito de vulgaridade é um que, às vezes, é relativo também, e eu tento refletir sobre tudo isso. Aliás, são reflexões que precisamos fazer diariamente para que, no futuro, tenhamos de fato uma sociedade mais justa. Sobre a força de Poderosa, eu acho que ela vem exatamente da força que todas nós temos dentro da gente. Por causa de tudo o que sofreu, ela poderia simplesmente agir como vítima das circunstâncias – e ela é uma vítima, mas não, ela busca ser uma mulher determinada e com muita sede de viver”, encerra.

BELEZA REAL 
Quando o assunto é vaidade, Day deixa claro que cuidar da mente é fator determinante para se sentir bem, bonita e feliz: “Sou vaidosa, mas não ao extremo. Gosto de me produzir quando vou sair, mas também tenho momentos de preguiça desse processo todo de produção. Dá trabalho, leva tempo. Às vezes, prefiro ser mais prática. Algumas coisas eu faço com frequência, como usar protetor solar, corretivo e rímel, mas isso não é uma regra. Na verdade, não existe algo que eu não abra mão nunca. Acho que a real beleza vem de dentro para fora. Se você está bem consigo mesma pode bancar qualquer visual. Estou num momento muito feliz, mas procuro sempre cuidar mais da mente e da alma, porque é isso que comanda tudo”. 

A atriz também fala sobre se, em algum momento, a beleza já foi elemento decisivo para a realização de um trabalho: “A estética é relativa. No primeiro contato, a imagem de uma pessoa pode chamar a atenção, mas precisa existir algo a mais que sustente. Quase perdi a personagem em um comercial uma vez pelo fato de o meu perfil não ser muito ‘popular’, como a marca pedia. Mas a atuação como atriz despertou interesse e passou por cima disso. Precisamos sempre usar o que temos a nosso favor. O externo pode ajudar ou atrapalhar, por isso acredito que o trabalho tenha que vir em primeiro lugar!”.

PAIXÃO PELA DANÇA
“Sou formada em balé e jazz, dei aulas um tempo, mas hoje não pratico, porque exige uma disciplina, um tempo que, com o trabalho de atriz, já não tenho mais. A dança foi meu primeiro contato com a arte, e eu amo dançar! A vivência e a consciência corporal ajudam muito na atuação como atriz.”

QUARENTENA 
Day Mesquita fala sobre o período de isolamento: “Eu estava num ritmo acelerado de gravações quando tudo parou. Num primeiro momento, não sabia exatamente quanto tempo iria durar, mas não imaginava que fosse tanto. Com mais informações e entendendo melhor o que estava acontecendo, me permiti desacelerar, relaxar. É triste, mas precisamos tirar algo de bom disso tudo. Tive um processo de autoconhecimento, de cuidados com a mente, o corpo e a alimentação. Voltei a estudar inglês, fiz ioga, um novo curso de interpretação... Ah, também me arrisquei a desenhar e pintar, que serviu como terapia. A saudade da família pesou, porém isso me fez valorizar a simplicidade das coisas. Para não dizer que estou completamente sozinha em casa, passei a quarentena com o Pedro, meu namorado. Saí mesmo do isolamento apenas para o retorno das gravações”.