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De humorista a apresentador: relembre a carreira de Jô Soares

Artista morreu aos 84 anos, na madrugada desta sexta-feira (5)

Da redação Publicado em 05/08/2022, às 08h03

Jô Soares tinha 84 anos - Globo/Zé Paulo Cardeal
Jô Soares tinha 84 anos - Globo/Zé Paulo Cardeal

Morreu Jô Soares, aos 84 anos, na madrugada desta sexta-feira (5), no Hospital Sírio Libanês, em São Paulo (SP). Uma das figuras mais marcantes da TV brasileira, o artista deixa uma carreira repleta de trabalhos como humorista, ator, escritor e apresentador.

José Eugênio Soares nasceu no Rio de Janeiro em 16 de janeiro de 1938. Era o único filho do empresário Orlando Heitor Soares e da dona de casa Mercedes Leal Soares.

Ainda adolescente, os 12 anos de idade, foi estudar na Suíça, onde ficou até os 17. Foi na Europa que se interessou por teatro e shows. Entretanto, plano original estava longe de seguir carreira nos palcos, uma vez que cogitava a carreira diplomática. "Já inventava números de sátira do cinema americano; fazia a dança com os sapatinhos que eu calçava nos dedos", contou ao Memória Globo.

NO BRASIL

Com a falência dos negócios do pai, Jô e a família retornaram ao Brasil. Logo, não faltou iniciativa para adotar a vocação nas artes e apostar nos números para o teatro. "A coisa engrenou quase que naturalmente", lembrou.

Com isso, seus primeiros filmes musicais foram: “Rei do movimento” (1954), “De pernas pro ar” (1956) e “Pé na tábua” (1957), com destaque para “O homem do Sputnik” (1959), de Carlos Manga.

NA TELEVISÃO

A estreia na TV ocorreu em 1958. Como um feito, Jô conseguiu trabalhar em três emissoras ao mesmo tempo: TV Rio, TV Continental e TV Tupi. Dois anos depois, ele mudou-se para São Paulo, onde começou a trabalhar para a TV Record.

“Vim descobrir São Paulo, era casado com a Teresa, tinha 22 anos. Vim para passar 12 dias e fiquei 12 anos”, lembrou em entrevista ao 'Fantástico'. Nesta época, ele era casado com a atriz Teresa Austregésilo, com quem teve seu único filho, Rafael, que era autista e morreu aos 50 anos.

O programa de destaque foi “A família trapo”, exibido aos domingos entre 1967 e 1971, em que era roteirista ao lado de Carlos Alberto Nóbrega. Depois, ganhou um papel: o mordomo Gordon.

Mas foi em 1970 que Jô assinou com a TV Globo e estreou na emissora com o "Faça Humor, Não Faça Guerra'. Passou por outros programas até lançar o "Viva o Gordo".

"Os meus personagens são muito mais baseados no lado psicológico e no social do que na caricatura pura e simples. Eu nunca fiz um personagem necessariamente gordo. Eles são gordos porque eu sou gordo."

APRESENTADOR

O lado apresentador de Jô Soares surgiu em 1987, quando optou por não renovar o contrato com a Globo e ir para o SBT. No canal de Silvio Santos, Jô passou a apresentar um programa de entrevistas, o talk-show "Jô Soares onze e meia", que ficou no ar ao longo de 11 anos.

“Acho que descobri, também sem querer, a grande vocação da minha vida, a coisa que me dá mais prazer, mais alegria de fazer. Eu me sinto muito vivo ali. A maior atração do mundo é o bate-papo, a conversa”, afirmava.

Ele retornou à Globo em 2000, quando estreou o “Programa do Jô”. A atração ficou no ar até 2016 e se tornou um marco da TV brasileira.

ESCRITOR

Paralelo a carreira na TV, Jô também se dedicou à vida de escritor, publicando com regularidade nos jornais “O Globo” e “Folha de S.Paulo” e para a revista “Manchete”. Chegou até mesmo a assinar uma coluna na “Veja” nos anos 1990.

Além disso, ele também escreveu cinco livros: "O astronauta sem regime" (1983), o romance "O Xangô de Baker Street" (1995), "O homem que matou Getúlio Vargas" (1998), "Assassinatos na Academia Brasileira de Letras" (2005) e "As esganadas" (2011).

Os palcos também não ficaram distantes da carreira do humorista. No teatro, ele apresentou monólogos, todos marcados pelo tom cômico e crítico, com sátiras da vida cotidiana e política do Brasil, e participou de algumas peças como ator.

A MORTE

Jô estava internado desde o último dia 28, tratando de uma pneumonia no Hospital Sírio Libanês. A despedida do ator será restrita à família e amigos.

"O medo da morte é um sentimento inútil: você vai morrer mesmo, não adianta ficar com medo. Eu tenho medo de não ser produtivo. Citando meu amigo Chico Anysio, [uma vez] perguntaram para ele: ‘Você tem medo de morrer?’. Ele falou: ‘Não. Eu tenho pena’. Impecável", disse para o 'Fantástico', em 2012.

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