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Douglas Souza detalha episódio de homofobia que sofreu em aeroporto: ''Fisionomia mudou na hora’’

Jogador de vôlei contou que ficou 15h no aeroporto após apresentar namorado no controle de imigração

Da Redação Publicado em 08/09/2021, às 18h04 - Atualizado às 18h04

Jogador de vôlei ficou detido em aeroporto na Holanda, onde fazia ponte aérea para chegar em Roma - Instagram/@douglassouza
Jogador de vôlei ficou detido em aeroporto na Holanda, onde fazia ponte aérea para chegar em Roma - Instagram/@douglassouza

Desde a última terça-feira (7), seguidores e fãs estão preocupados com Douglas Souza. Isso porque o jogador de vôlei havia adiantado que estava passando por uma situação difícil no aeroporto de Amsterdã, na Holanda, e que chegou a sofrer homofobia por parte de um dos funcionários do controle de imigração. Na tarde desta quarta (8), após passar 15h no aeroporto e finalmente chegar ao seu destino, o jovem detalhou o episódio de preconceito que sofreu.

De mudança para a Itália, já que jogará pelo clube Vibo Valentia na próxima temporada, o atleta mostrou sua indignação ainda durante a situação. "Hoje é um dos piores dias da minha vida. Foi horrível. Está sendo horrível. Eu só não vou contar realmente o que aconteceu hoje porque eu tenho medo deles tirarem a minha passagem e me deportarem", desabafou ele, visivelmente abatido.

O ponteiro da seleção brasileira de vôlei, entretanto, garantiu que comentará o ocorrido quando estiver seguro em seu destino final. "Puro preconceito, homofobia, vocês não tem noção. Eu vou sim explanar isso, porque eu não mereço, ninguém merece isso", concluiu.

Mais tarde, seguro em suas acomodações, o esportista deu detalhes do que aconteceu. “A gente pegou um voo de São Paulo para Amsterdã e lá tivemos que passar pelo controle de passaporte para ir para Roma. Até então, estava tudo tranquilo, na hora que a gente foi passar no controle, o cara estava super de boa, perguntou para mim o que eu ia fazer na Itália, expliquei que eu era jogador de vôlei, que tinha sido contratado por tal time. Aí ele perguntou quem era o Gabriel [Campos, namorado de Douglas] e eu expliquei. Quando falei que era meu namorado a fisionomia dele mudou na hora e o tratamento também. Ele perguntou o que o Gabriel ia fazer lá, eu mostrei o documento de união estável, disse que ele ia me acompanhar, trabalhar lá”, contou.

PRECONCEITO
O problema é que o comportamento do funcionário mudou totalmente a partir deste momento. “Ele chamou um cara no telefone e disse que ele ia cuidar da gente. Levaram a gente para um outro lugar do lado da fila, onde tinha umas 20 pessoas, largaram a gente ali por umas cinco horas sem nenhum tipo de explicação. Chegava para ele para perguntar o que aconteceu, se a gente podia ajudar, passar o telefone do meu clube, porque já tinha acontecido isso com outra pessoa conhecida. Ligaram para o clube e aí deu tudo certo, liberaram. Eu achei muito estranho”, continuou.

Mesmo com a liberação do clube, os agentes continuaram questionando a presença de Gabriel; eles até chegaram a perguntar, mais uma vez, se o Vibo Valentia sabia que o jogador iria morar com o namorado.

Além da homofobia, o esportista se atentou a outros comportamentos preconceituosos. Afinal, na sala de espera do controle, que continha 20 pessoas, cerca de 18 eram pretas ou latinas. “Uma das pessoas se revoltou muito com a situação, porque uma moça, loirinha de olho azul, passou na frente dela. Aí ele começou a gritar porque estavam atendendo a moça, se era porque ela é branca. Eu já tinha pensado nisso, mas achei que era coisa da minha cabeça”.

FRAGILIZADO E CONSTRANGIDO
Por fim, o jogador disse que ele só foi liberado quando o aeroporto já estava fechado e não tinha mais voo para Roma, após o atendimento de todas as outras pessoas na sala de espera. “A gente teve que dormir no aeroporto porque já tínhamos passado pela imigração, não tinha nem como ir para um hotel. Ficamos largados no chão até 7h da manhã, que era o próximo voo para Roma”.

Douglas contou que se sentiu fragilizado e constrangido com a situação, já que não pode fazer nada: “Era contra a polícia, então se a gente falasse alguma coisa, se se exaltasse, poderia ter dado problema pra gente. Se eu não tivesse vindo a trabalho, se fosse turismo, com certeza nem estaria aqui, teria voltado para casa. Até tentei pedir meu passaporte de volta, mas não quiseram devolver ali na hora. Passei 15h no aeroporto que era para ser 3 horas no máximo", encerrou.

Para quem não se lembra, Douglas Souza foi um dos grandes destaques das Olimpíadas de Tóquio ao publicar vídeos divertidos em suas redes sociais. Na época, ele se tornou o jogador de vôlei mais seguido do mundo no Instagram e foi convidado por ninguém menos que Boninho para participar do ‘BBB22’.