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Mariana Gross conta o dia em que Fidel Castro pagou a sua conta em um bar

Na época apenas uma estagiária, ela tentava conseguir alguma declaração exclusiva do ex-líder cubano

Da Redação Publicado em 09/09/2021, às 11h56 - Atualizado às 12h20

Mariana Gross no que - GNT
Mariana Gross no que - GNT

Mariana Gross, apresentadora do RJTV (TV Globo), relembrou o dia em que visitou um bar cubano no Rio de Janeiro (RJ) atrás de uma declaração exclusiva de Fidel Castro e teve sua conta no local paga pelo próprio. Durante participação no programa 'Que História é essa, Porchat?'', a jornalista explicou que, na época, era estagiária da rádio CBN e queria muito ser contratada.

"Em 1999, surgiu um evento chamado Cimeira América, que reuniu mais de 40 chefes de estado. Veio uma turma para cá, Bill Clinton, Fernando Henrique Cardoso... aí tiveram que montar uma força-tarefa na redação para os repórteres acompanharem essas pessoas ao longo dos cinco dias", explicou.

A chefia pediu, então, que Mariana cobrisse a visita do antigo líder cubano Fidel Castro. Apesar de ter ficado animada na hora em que recebeu a tarefa, ela entendeu o motivo de terem dado esse papel a uma estagiária. "O Fidel não saia da rotina dele e não ia dar uma entrevista pra mim, eu não ia dar trabalho", ressaltou.

Acontece que ela estava decidida a conseguir alguma declaração exclusiva do cubano e, apesar de estar já há quatro dias seguindo Fidel pela cidade, nada acontecia. "Ele se hospedou em um hotel chamado Rio Palace, no bairro de Copacaba. Na última noite, [eu e o motorista] estávamos jogando palavras cruzadas, já desanimados, quando liguei pro meu chefe, perguntando se poderíamos ir embora e ele disse que eu não era que nem todo mundo [que já havia ido embora] e que ia ficar", contou.

A boa notícia é que, assim que desligou o telefone, Fidel Castro surgiu andando, sem a tradicional farda verde oliva, mas usando blazer. "Onze e vinte da noite, [pensei]: onde esse homem vai?" Logo, ele e seus seguranças se dirigiram até um bar que ficava ao lado da hospedagem, chamado Havana Club. Mariana e o motorista, Faustino, foram atrás. Lá, os assessores do então presidente cubano logo a reconheceram por conta da cobertura jornalística.

APROXIMAÇÃO
Apesar de estarem sem dinheiro, Mariana conta que ela e o motorista foram sentar em uma das mesas do bar. "Era a tacada final e eu tinha que conseguir alguma coisa", ressaltou. Ao ver Fidel olhando a carta de bebidas e pedindo um whisky, a então estagiária pediu o mesmo. "Ele já me olhou", contou. "Logo depois, ele pediu um Daiquiri - drinque de origem cubana, que combina rum e suco de limão. "Eu não bebia nada, e nem sabia do que se tratava, mas pedi também. Aí vi que ele já curtiu."

Depois, ela conta ter começado uma aproximação dos assessores, mesmo sem falar muito bem espanhol. "Não aconteceu nada, achei que não ia rolar, quando escuto a voz do Fidel: 'Venga, chica'." Por fim, a conversa foi bem amena e sempre que Mariana queria colocar alguma questão sobre política externa, ou sobre a relação Brasil-Cuba, ele "saia pela tangente".

Tempos depois, Fidel disse que precisava ir e, mesmo com os pedidos de Mariana, não falou nada demais. "Não tive nem coragem de mostrar aquilo pro meu chefe. Ia dizer que ele falou de daiquiri?", brincou a jornalista.

INUSITADO
Aí começou o estresse, lembrou Mariana Gross. Isso porque tanto ela quanto o motorista não tinham muito dinheiro para pagar a conta. "Tomei três daiquiris, um whisky,  uma fortuna! Vai o meu salário inteiro de estagiária aqui", relembrou.

Ela, então, pediu a conta e o garçon contou que Fidel Castro sempre ia naquele bar quando estava na cidade, por ser de seu conterrâneo. Também avisou que o comandante havia pago a conta dos dois. "Nunca tinha tido coragem de contar isso pro meu chefe. Mas tudo bem, já prescreveu", brincou Mariana.