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LGBT / Famosos

Bruna Linzmeyer pensou que perderia emprego por ser lésbica: ''Perdiam contratos por isso''

Hoje, atriz explica que se tornou uma porta-voz do movimento LGBTQIA+

Da Redação Publicado em 14/06/2021, às 12h14 - Atualizado às 12h15

Bruna Linzmeyer ao lado da namorada - Reprodução/Instagram
Bruna Linzmeyer ao lado da namorada - Reprodução/Instagram

Bruna Linzmeyer viveu momentos de incerteza depois que se assumiu lésbica para a imprensa. Após a publicação de uma notícia, em 2016, a global temeu não ter mais oportunidades de trabalho por conta da sexualidade, segundo explicou à Patrícia Kogut, do jornal O Globo.

“Na época, não foi um problema. O problema começou na pessoa que me olhava, se iniciou numa matéria de jornal, com os comentários dos leitores, com o medo de quem estava à minha volta, com o meu... As pessoas e eu pensávamos que eu não ia conseguir mais trabalhar, não sabíamos o que ia acontecer com a minha carreira. E era um receio genuíno porque isso acontecia realmente. As pessoas perdiam papéis e contratos. Quando eu comecei a falar, foi porque saiu numa matéria que ‘Bruna Linzmeyer é gay’”, contou.

Quando viu as notícias envolvendo seu nome, Linzmeyer se surpreendeu com os termos que usavam para designá-la. A artista nunca se preocupou em definir-se como “gay”.

“Eu não tinha nem pensado nesses nomes, sabe? Eu estava só vivendo a minha vida. Mas eu pensava: ‘Se eu for ser alguma coisa, não é 'gay' a palavra. Acho que talvez seja lésbica. Porque gays são homens’. No caso, eu sou uma mulher, então já tem uma invisibilidade nesse sentido”, opinou.

“Aí fui me colocando conforme as coisas foram vindo e não foi fazendo muito sentido para as pessoas que estavam ao meu redor nem para mim. Fui descobrindo isso junto com as pessoas que me acompanham, junto com vocês da imprensa. Fui aprendendo sobre os nomes, a importância de falar disso…”, completou ela.

A atriz de 28 anos se considera hoje um símbolo da luta contra o preconceito, e se declarou uma “porta-voz” do assunto: “Foi uma construção coletiva porque, se eu não precisasse falar, eu não ia falar, entende? Falo porque eu preciso e porque é preciso para o mundo ser falado. Então, trato com carinho. São coisas que eu adoraria ter ouvido. E, pelo que recebo de retorno das pessoas, tem feito sentido para elas, tem feito bem esse deslocamento de olhar. Faço (essa representatividade) na maior alegria. Hoje em dia é parte de mim falar disso. Tenho escrito sobre isso, tenho feito histórias ficcionais. Então, isso virou meu ofício também”.