AnaMaria

Flávia Alessandra abre o jogo sobre futuro de 'Salve-se Quem Puder'

Em entrevista exclusiva, a atriz falou sobre sua personagem Helena

André Romano Publicado em 04/04/2020, às 08h00

A atriz estava no ar na novela das 19h, que entrou em hiato por conta da pandemia do coronavírus - Globo/João Miguel Júnior
A atriz estava no ar na novela das 19h, que entrou em hiato por conta da pandemia do coronavírus - Globo/João Miguel Júnior

Aos 45 anos de idade e 30 de carreira, Flávia Alessandra poderia facilmente já ter perdido o entusiasmo profissional – afinal, ela já encarou tantas personagens –, mas o sorriso da estrela, sua marca registrada, prova justamente o contrário: que ela está sempre disposta a encarar um bom desafio. 

O atual é viver a misteriosa Helena na novela 'Salve-se Quem Puder'. Nem a própria atriz sabe definir ao certo se a bem-sucedida empresária do folhetim é mocinha ou vilã. E é aí que mora a graça para ela. 

“É a primeira vez que faço uma personagem obscura para mim”, diz. Isso significa que os telespectadores descobrirão junto com a intérprete as cenas dos próximos capítulos. 

À AnaMaria, Flávia fala sobre os enigmas de Helena e como vence a luta contra os efeitos do tempo para se manter sempre bela.

O QUE VOCÊ JÁ DESCOBRIU ATÉ AGORA SOBRE QUEM É A HELENA? 
Helena Santa Marina é uma empresária bem resolvida do ramo da gastronomia. Ela tem um complexo de restaurantes, lojas... A família dela é formada pelo marido, Hugo [Leopoldo Pacheco], e dois enteados que ela criou e trata como filhos, Téo [Felipe Simas] e a Micaela [Sabrina Petraglia]. Mas essa mulher tem um segredo aí no passado. 

ISSO É INTERESSANTE? 
Sim, porque é a primeira vez que faço uma personagem assim, que se tornou obscura para mim. Porque, lá atrás, essa mulher era casada com o Mário [Murilo Rosa], e teve uma filha, a Luna [Juliana Paiva]. A Helena deixou essa filha na hora de atravessar a fronteira do México com os Estados Unidos. E não sei o motivo pelo qual essa mulher deixou a filha, que irá atrás da mãe. 

OU SEJA, VOCÊ SABE TÃO POUCO DA HELENA QUANTO O TELESPECTADOR? 
É a primeira vez que faço uma personagem, de fato, muito misteriosa para mim. Eu não sei qual o segredo dela, não conheço a índole dela e eu estou esperando a justificativa dessa mãe por ter abandonado a filha. O segredo é tão grande que a Helena mente e diz que nunca pôde engravidar. Em nenhum momento ela revela que teve essa filha. Só o meu marido atual sabe disso. 

NO COMEÇO DA TRAMA, O HUGO A IMPEDE DE VOLTAR PARA O MÉXICO? 
Quando o Téo sofre um acidente no México, como ela é superprotetora, quer ir lá para acudi-lo, mas o marido a impede, dizendo: “Você não pode voltar ao México, esqueceu do seu passado? Você esqueceu de tudo o que você fez?”. E ele sabe também desse segredo. Então, aconteceu algo que foi um divisor na vida dela e que ela apagou, não quer assumir. Mas está sendo muito gostoso fazer.

COMO É O DIA A DIA DA PERSONAGEM ? 
Ela tem uma vida bem atribulada. Trata-se de uma mulher que resolve de tudo um pouco, coordena a casa, está presente na educação dos filhos, tem uma relação de mimo com o Téo... Aliás, ela o mima e o superprotege além da conta. Helena está sempre a mil, coordena sozinha o empório, que é um sucesso, e vai dar novos passos. Ela tem as lojas, o restaurante, resolve lançar uma linha de chocolates... Enfim, é uma mulher muito bem-sucedida e realizada nos negócios dela.

MAS É UMA MULHER AMARGA, NÉ? 
Ela não é triste, ela é uma mulher bem objetiva e prática. Tem alguns momentinhos ali em que ela beira a grosseria, eu não sei se é o normal ou se é a praticidade do dia a dia. Mas acho que veem a Helena como uma mulher ideal, de sonho. A mulher que, você olhando, é realizada nos negócios, no casamento, ama os filhos, o marido a ama... Então, parece tudo perfeito. Mas, no fundo, não sei como é essa ferida, essa lacuna de ter deixado uma filha. Ela apagou essa filha da vida. Mas quem olha tem a imagem da mulher perfeita e realizada.

COMO É A RELAÇÃO DELA COM OS ENTEADOS? 
Helena chama os dois de filho. Acho que ela transferiu um amor ali, não sei se por causa da filha que abandonou, mas a gente tem trabalhado nesse viés, eu transferi todo o meu amor para esses dois enteados. Os dois queriam também uma mãe, a Micaela foi mais difícil de aceitação, mas o Téo a aceitou logo de cara. Eles têm uma relação muito próxima, e como eu já destaquei, de mimar, de superproteger, de claramente botá-lo num lugar diferente ali.

O QUE O PÚBLICO PODE ESPERAR DE SALVE-SE QUEM PUDER? 
Além da diversão, de visual, a novela é muito leve, tem uma trama divertida, que tem muitos núcleos diferenciados. O meu núcleo, por exemplo, tem cenas incríveis. A filha da Helena está dentro da casa da mãe, mas a Helena não sabe que é a filha dela, mas a Luna já sabe que eu sou a mãe dela. Essa filha está se apaixonando pelo meu enteado... Enfim, sou mãe, sou sogra, está uma loucura [risos]. O público pode esperar muitas surpresas e reviravoltas, pois o Daniel Ortiz [autor da trama] está inspirado.

A PERSONAGEM SERÁ A GRANDE ANTAGONISTA DA TRAMA? 
Quando você pega uma personagem, quer entender se ela é do mal, como a Cristina [vilã interpretada pela atriz em Alma Gêmea, novela das 6 exibida em 2005], mas é muito difícil quando você não conhece a índole da personagem, ainda mais por conta de ter abandonado a filha. Eu penso nas possibilidades e nada justifica uma mãe deixar a filha, não consigo encontrar uma desculpa. Então, ou essa mulher é de má índole, é alguém do mal, ou tem alguma coisa que ela fez para justificar isso, que é desconhecido para mim.

VOCÊ PENSOU EM DESISTIR DESSE PAPEL, NÉ? 
Foram grandes conflitos para mim quando li a sinopse e vi que ela deixou a filha. Falei com o Fred Mayrink [diretor do folhetim] de novo, com o Daniel Ortiz e com o Silvio de Abreu [diretor de dramaturgia da TV Globo] e aí eu entendi que isso era um subsídio muito bom para eu aceitar e, pela primeira vez, estou fazendo um papel que, de fato, não sei o porquê. Não sei a índole dela e está sendo curioso.

HELENA SOFRE POR TER ABANDONADO A FILHA NO PASSADO? 
Ela sofre pelo que fez, que eu não sei o que é, e sofre por ter deixado a filha, por algo que o marido sabe, mas não chora, não quer falar sobre o assunto e eu não sei por quê. É muito louco.

AOS 45 ANOS, VOCÊ É APONTADA COMO SÍMBOLO SEXUAL. COMO SE CUIDA? 
Busco o equilíbrio pela vida, mas a fraqueza continua lá existente. Minha busca é sempre pelo bem-estar, a vida inteira. Sou uma pessoa que como de tudo, gosto de comer, tento o equilíbrio, principalmente com carne vermelha, que como duas vezes por semana e faço atividade física, treino, ioga, faço trilha, dança, vou variando.

A IDADE INFLUENCIA EM RELAÇÃO AOS CUIDADOS COM O CORPO? 
Acho que mudou a questão do colágeno, massa magra... Aí a gente tem que intensificar musculação, é o que vai diferenciar, não para ficar sarada, mas para não sentir dor. É importante demais se mexer, o músculo tem memória.

VOCÊ PARECE SER UMA PESSOA MUITO FELIZ. 
Sempre fui feliz. A gente se descobre feliz da forma que é e com o que tem. A única coisa que eu mudaria em mim é meu tamanho, mas não dá pra mudar, então vamos lá.

JÁ ENFRENTOU ALGUMA CRISE EM RELAÇÃO AO PASSAR DO TEMPO? 
A única crise que tive foi profissional, quando entrei na faculdade para estudar direito, porque minha carreira não decolava. Depois, no fim de tudo, graças a Deus, fui chamada para assinar um contrato. Enfim, a crise que tive foi essa de pensar que não conseguiria viver do que mais amo, que é atuar, e ter que virar advogada para me sustentar. Foi uma grande crise.

GOSTOU DE FICAR COM O CABELO CURTINHO? 
Sou muito suspeita e meu marido [Otaviano Costa] também, ele me elogia. Eu até queria um pouco mais radical. Quando acabar a novela, vou dar uma raspadinha e deixá-lo mais blonde. É uma delícia, prático e rápido.

COMO LIDA COM O PASSAR DO TEMPO? 
O tempo hoje passa muito rápido. Eu tive a impressão de que o ano passado teve muita velocidade. Não sei se é porque a gente está absorvendo mais informação e conteúdo, pelo corre-corre, mas lá atrás era outro ritmo, outra velocidade.