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‘Nos Tempos do Imperador’: descubra 5 curiosidades sobre a Imperatriz Teresa Cristina

Última monarca do Brasil está sendo interpretada por Letícia Sabatella na nova novela das seis

Sabrina Castro, com supervisão de Vivian Ortiz Publicado em 16/08/2021, às 08h20 - Atualizado às 13h21

Letícia Sabatella interpreta a Imperatriz Teresa Cristina na nova novela das seis - Divulgação/Globo | Wikimedia Commons
Letícia Sabatella interpreta a Imperatriz Teresa Cristina na nova novela das seis - Divulgação/Globo | Wikimedia Commons

A novela ‘Nos Tempos do Imperador’, que estreou na última segunda-feira (9), acompanha a trajetória da família real brasileira - seja em relação ao momento político que atravessava o país, seja no âmbito de suas vidas pessoais.

Por isso, além de ser interessante saber sobre o contexto da época - que tratamos em outra lista -, a trama se torna mais legal quando você tem uma breve noção sobre as personalidades da monarquia. Afinal, não tem nada melhor que assistir a nova novela das seis e pegar as referências ao futuro que Alessandro Marson e Thereza Falcão deixaram no roteiro.

É isto que AnaMaria Digital, com o apoio deAventuras na História, irá te ajudar a fazer, com relação à vida da Imperatriz Teresa Cristina. Confira as 5 curiosidades que separamos sobre a figura histórica interpretada por Letícia Sabatella!

1. APARÊNCIA E PRIMEIRO ENCONTRO
D. Pedro II (representado por Selton Mello na novela) ficou especialmente animado para o casamento após ver uma pintura da futura Imperatriz do Brasil, com traços extremamente belos para o padrão da época. 

O que o Imperador não esperava é que o retrato continha algumas “alterações” no rosto da monarca. Assim, no primeiro encontro com a futura esposa, seu principal sentimento foi a insatisfação com a aparência dela - alguns historiadores chegaram a afirmar que ele a desprezou tanto que foi encontrado algumas horas depois chorando no colo da babá, reclamando que foi enganado por um registro falso. Este último fato não é unânime entre os pesquisadores: Aniello Angelo Avella, biógrafo da imperatriz, acredita que esse foi um boato espalhado pelos austríacos, que viam a união entre os países com desdém. 

De qualquer forma, o noivado seguiu em frente, possibilitando que o interesse político da nação fosse cumprido: a abertura da rota de imigração para italianos trabalharem nas fazendas cafeeiras.


(Retrato da Imperatriz que deixou D. Pedro II animado para o casamento. Crédito: Revista de História da Biblioteca Nacional / Museu Imperial do Brasil)

2. FILHOS
Ao todo, o casal teve quatro filhos: Afonso, Isabel, Leopoldina e Pedro Afonso. Os dois meninos morreram ainda na infância - fato que foi comentado em uma cena emocionante do último sábado (14). Por isso, caso a monarquia tivesse continuado, a coroa teria sido passada para a herdeira mais velha, a princesa Isabel, que assinou a Lei Áurea em dos seus três períodos de regência.


(Teresa Cristina e Dom Pedro II com as filhas. Crédito: Joaquim José Insley Pacheco | Wikimedia Commons)

3. BRASIL E ITÁLIA
De acordo com Ricardo Vieira Alves, reitor da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, a Imperatriz é “uma das personagens que mais contribuíram à formação da identidade de nosso país e ao desenvolvimento das relações culturais, sociais e políticas entre o Brasil e a Itália”. 

Realmente, a napolitana não abandonou suas raízes: com a sua ajuda, médicos, professores, farmacêuticos, enfermeiras, artistas e trabalhadores foram trazidos para o país, com o intuito de melhorar a educação e a saúde pública com profissionais especializados.

Por causa dela, a ópera italiana ganhou apreço das elites brasileiras. A própria Imperatriz, inclusive, era conhecida por ser uma ótima cantora. Além disso, a monarca patrocinou expedições arqueológicas na Roma Antiga, trazendo diversos artefatos da cidade para o Brasil. 

4. “MÃE DOS BRASILEIROS”
A simplicidade dos monarcas já foi mencionada nessa primeira semana da novela, com a chegada de Luísa, a Condessa de Barral (Mariana Ximenes), à corte. A Imperatriz avisou o marido que a nobre era muito ‘elegante’ e, por isso, podia estranhar a austeridade dos dois. 

Esse traço da personalidade da napolitana foi um marco importante de seu período no país. Junto disso, sua natureza acolhedora e gentil lhe rendeu o apelido de “mãe dos brasileiros”. Por outro lado, o fato de ela não se manifestar sobre nenhum assunto político fez com que alguns historiadores se referissem a ela como “imperatriz silenciosa”. Alguns escritores chegaram a descrevê-la como uma mulher pouco instruída e devotada unicamente à religião católica.

(Teresa Cristina ficava empolgada com as inovações tecnológicas, como a fotografia. Crédito: Joaquim José Insley Pacheco | Wikimedia Commons. Coloração de J. Courtois)

5. MORTE
Nos primeiros capítulos da novela, D. Pedro II e Teresa Cristina aparecem comentando o caso de um monarca que foi exilado de seu país após a instauração de uma república. Na cena, a napolitana declarou que morreria se tivesse que deixar o Brasil. Esta foi uma das referências deixadas pelos autores nas entrelinhas do roteiro, porque, de fato, isto aconteceu. 

Durante toda a viagem até Portugal, imposta pelos novos governantes, a esposa de Dom Pedro II mostrou estar com a saúde bastante afetada. Ela morreu no dia 28 de dezembro de 1889, pouco mais de um mês após a Proclamação da República e a expulsão da família real.

De acordo com o historiador Pedro Calmon, na obra ‘História de D. Pedro II’, a imperatriz teria dito para Maria Isabel de Andrade Pinto, a Baronesa de Japurá, que estava em profunda angústia. “Maria Isabel, não morro de doença. Morro de dor e de desgosto (...) Sinto a ausência das minhas filhas e de meus netos. Não posso abençoar pela última vez o Brasil, terra linda ... não posso lá voltar", teria afirmado.