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A faxineira que virou juíza

A história real de uma mulher brasileira, pobre, negra e cheia de sonhos

Izabel Duva Rapoport Publicado em 18/08/2017, às 16h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

A faxineira que virou juíza - Shutterstock
A faxineira que virou juíza - Shutterstock
Adriana Maria Queiróz, 38 anos, é juíza, autora de livro, tem cinco pós-graduações e... já foi faxineira. Porém, acima de qualquer título, é uma grande sonhadora! Natural de Guanambi (BA), teve uma infância pobre e mudou-se com seus pais e cinco irmãos para Tupã (SP), em busca de uma vida melhor. Durante o ensino médio, surgiu seu primeiro sonho: cursar direito. “Vivia em meio à injustiça, discriminação e exclusão social e vi no direito a possibilidade de mudar isso”, afirma. Com 18 anos, entrou na faculdade particular (não tinha pública na cidade) e pegou no esfregão para pagar a mensalidade. “Comecei a trabalhar como faxineira na Santa Casa da cidade”, diz. Porém, o dinheiro não era suficiente. Então, procurou o diretor do curso e conseguiu 50% de bolsa! Na faculdade, surgiu seu segundo sonho: ser juíza de direito.

Muita fé e determinação
Ao se formar advogada, pediu demissão da Santa Casa e, com o acerto trabalhista, foi para São Paulo. “Tinha consciência de que a estrada seria longa e precisava adquirir muito conhecimento para ser aprovada em um concurso do nível da magistratura”, afirma Adriana. O dinheiro dava só para os dois primeiros meses de aluguel e ela ainda estava sem trabalho. Então, buscou o diretor do curso preparatório Damásio de Jesus e conseguiu, além de uma bolsa integral, um trabalho de bibliotecária para se manter na cidade. “Foram sete anos de estudo, inclusive sábados, domingos e feriados”, lembra a juíza, que ouviu muita gente considerar seu objetivo impossível de ser conquistado. “Sempre escutei que buscava algo que não era para mim: negra, pobre e de família humilde. Passei por muitas reprovações até chegar à minha tão sonhada aprovação”. Hoje, Adriana é juíza titular da 1ª Vara Cível e da Infância e Juventude de Quirinópolis, em Goiás.

Um livro para a vida
Quando tomou posse, em 2011, muita gente procurou Adriana pedindo dicas sobre como alcançar o que se almeja. Então, surgiu mais um sonho: escrever um livro. E lá foi ela cumprir mais uma de suas metas. Em abril, chegou às livrarias Dez Passos para Alcançar Seus Sonhos – A História Real da Ex-Faxineira Que Se Tornou Juíza de Direito. Na obra, Adriana conta o esforço para realizar suas conquistas. “A ideia é motivar as pessoas a acreditarem em seus sonhos, mesmo que se encontrem distantes e em condições desfavoráveis”, diz.

Adriana fazia limpeza para pagar a faculdade

Juiz Cidadão
Para muitas pessoas, o juiz ainda é visto como uma figura inacessível, sentada no trono. Para combater essa visão, a Associação dos Magistrados do Estado de Goiás (ASMEGO) lançou a campanha Juiz Cidadão, que integra a história de Adriana e de juízes das mais diversas camadas da nossa sociedade. “A iniciativa mostra a luta de pessoas comuns que alcançaram seus objetivos. Os critérios de acesso ao cargo, sempre por concurso público, são iguais a todas as pessoas, sem preferências políticas ou sociais”, afirma Adriana, que conseguiu trazer seus sonhos mais improváveis ao alcance das mãos, transformando não só a sua própria vida, mas também a de outros tantos cidadãos que batem à porta do Judiciário diariamente.

Frases que inspiram
“Desistir, jamais. Para seguir em frente, ofereci às dificuldades o meu maior empenho. A cada dia assumi o compromisso de estudar ainda mais”

“Os sonhos não escolhem as pessoas por cor da pele ou condição social. Importará a força de vontade de vencer, apesar de tudo e de todos”

“Se Deus permitiu que esse sonho nascesse em meu coração, é porque eu tinha a capacidade para realizá-lo”

“Quando tudo parecer ruir ao redor, trabalhe e aja ainda mais, pois somente com empenho vencemos as dificuldades”


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