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Após fraturar a coluna, modelo se prepara para correr 3ª maratona

Modelo que sofreu acidente grave se prepara para correr 3ª maratona

Bruna Calazans Publicado em 24/06/2019, às 16h23 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h47

Babi Beluco sofreu um acidente grave e deu a volta por cima - Reprodução/Instagram
Babi Beluco sofreu um acidente grave e deu a volta por cima - Reprodução/Instagram

"Como isso aconteceu comigo?". Foi o que se questionou a modelo Babi Beluco em 2014, logo após sofrer um acidente de carro. Por conta da batida, quase fatal, ela fraturou as vértebras C1, C3 e C4 da coluna cervical. 

Seu caso lembra o de Christopher Reeve, que viveu o personagem Super-Homem em quatro filmes clássicos do cinema.

O ator norte-americano fraturou as mesmas vértebras ao cair de um cavalo e acabou tetraplégico.

Babi, que na época tinha 27 anos, viu seu mundo desmoronar com a notícia. "Eu não acreditei no que tinha acontecido inicialmente, pois saí das ferragens sem nenhum arranhão", conta. 

O diagnóstico só veio quando a modelo já estava no hospital. "Por ordens médicas, nem espirrar eu podia", lembra.

Como seu acidente aconteceu poucos dias depois do que vitimou a atleta Lais Souza, que também fraturou a C1 e ficou em coma na época, Babi lembra de ter ficado bem tensa quanto ao seu prognóstico.

VOLTA POR CIMA 

Durante o processo de recuperação, Babi passou um mês hospitalizada e outros dois sem poder caminhar ou mesmo se mexer. Essa imobilização era importante para ajudar na fixação das lesões, corrigidas durante a cirurgia. "Jurei que, se eu saísse sem nenhuma sequela, iria correr uma maratona. Seria o meu ápice de esforço na vida". 

Após muitas sessões de fisioterapia, Babi acabou se recuperando. Sete meses depois do acidente, ela deu início aos treinamentos para cumprir sua promessa. A preparação incluía, por exemplo, longos períodos correndo para acostumar o corpo a não estranhar as longas distâncias.

Seus primeiros 42 km, mais 195 metros, foram na Maratona de Berlim, na Alemanha. "O acidente mudou muito meu jeito de pensar e perceber o quanto precisamos viver o presente. O amanhã pode não chegar". 

Desde o acidente, Babi já participou de uma segunda maratona e está se preparando para correr a de Chicago, em outubro. Em cada prova, ela diz que conquistou diversos aprendizados, como o foco na prática regular de exercícios, além de se alimentar de forma mais saudável, focada em performance. 

MEDULA ESPINHAL

O caso de Babi chamou a atenção do neurocirurgião Jerônimo Milano, que trabalha no Hospital do Instituto de Neurologia de Curitiba (PR). “A pessoa conseguir correr uma maratona após esse tipo de lesão não é algo comum”, comenta ele, que é especializado em coluna vertebral.

Apesar de não ter sido o médico responsável pelo caso, Milano explica que, mesmo tendo fraturado as mesmas vértebras, a situação de Babi provavelmente não foi tão grave quanto o do ator norte-americano ou da ginasta pela lesão não ter prejudicado sua medula espinhal. 

Caso contrário, as sequelas seriam bem mais complicadas. “Algo que também faz muita diferença nessa hora é um atendimento rápido, que ajuda a evitar problemas maiores”, diz.

Já o ortopedista André Evaristo, do Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, explica que a prática de exercícios físicos é fundamental na recuperação de lesões como o da modelo.
Ele serve para fortalecer a musculatura, que fica mobilizada durante o tratamento.

Segundo o especialista, o resultado cirúrgico em caso de lesão na coluna é quase sempre positivo e, quando somado com a atividades físicas regulares, a recuperação costuma ser excelente. 

Apesar da vida normal que tem, a modelo ainda carrega algumas traumas por conta do acidentes. Ela evita, por exemplo, algumas posições em sua rotina de treinos, como aquelas em que a pessoa fica com a cabeça virada para baixo. "Morro de medo, de verdade".

Hoje, além da vida de atleta, ela também dedica tempo para dar dicas de vida saudável em um canal no YouTube e blog. "Quando a pessoa quer reverter alguma situação, sempre se pode dar a volta por cima", diz.