Conselho de amiga: a miopia do amor à primeira vista

Amar exige conhecimento de causa. Detectar nas entrelinhas as miudezas que provocam admiração

Da Redação Publicado sábado 13 julho, 2019

Amar exige conhecimento de causa. Detectar nas entrelinhas as miudezas que provocam admiração
Necessita de tempo para correr uma meia maratona juntos - Banco de Imagem/Getty Images

Não. Ninguém ama à primeira vista. Não mesmo! À primeira vista você repara nos sapatos, no sorriso, na bunda. Nota se a pessoa come de boca aberta, se palita os dentes ou se chama o garçom por “psiu”. 

À primeira vista, descobrimos Simone & Simaria na playlist, se os verbos são conjugados corretamente ou se ali está um motorista que dirige pelo acostamento. Talvez seja possível odiar à primeira vista, isso sim. 

Amar exige muito conhecimento de causa. Detectar nas entrelinhas as miudezas que provocam admiração. Só com um mínimo de convivência a gente encontra o amor. Notamos gestos de gentileza apenas evidentes quando o outro não sabe que está sendo observado. 

Quando baixa a guarda, o personagem sai de cena e o ator mostra quem é na vida real. Vamos percebendo amor quando a pessoa nos ouve olhando nos olhos. Ri das mesmas piadas tontas que nos fazem rir também. Usa o guarda-chuva arqueado em nossa direção.

Prefere ir a pé para ficar mais tempo junto. E aí, sim, quando cai a ficha de que você faria o mesmo, olhando no fundo da trilha, o amor está se avizinhando. 

À primeira vista não dá para saber se vão encaixar dormindo de conchinha, se ele gosta de comida agridoce ou trocaria uma viagem exótica para o Marrocos para passar o Réveillon em uma praia lotada do litoral paulista, abusando da pieguice e pulando sete ondas de mãos dadas.

Difícil amar à primeira vista: necessita de tempo para correr uma meia maratona juntos, nem que seja para carregar o desfibrilador. É necessário passar, pelo menos, um inverno para dividir a manta pequena no sofá desconfortável e entender que a prioridade não é mais o seu frio. 

Quando a gente já coleciona o gestual do outro de memória, passa a falar em linguagem tatibitate e abre primeiro a mensagem da pessoa em detrimento do WhatsApp do chefe e até da mãe, aí, sim, você entende que o amor, bem-nascido como é, não faz como os parentes do interior, que chegam e depois avisam. 

Ele espera você olhá-lo nos olhos e reconhecê-lo para depois então se instalar como se a casa sempre tivesse sido dele. É exatamente assim que acontece...

WAL REIS é jornalista e profissional de comunicação corporativa. Escreve sobre comportamento e coisas da vida: www.walreisemoutraspalavras.com.br/blog/

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