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Conselho de amiga: vou ali fazer o que eu quero e já volto!

Faça o que quiser sem depender de ninguém

Wal Reis Publicado em 22/06/2019, às 08h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h47

Coube a nós encararmos o dia seguinte de cara lavada - Banco de Imagem/Getty Images
Coube a nós encararmos o dia seguinte de cara lavada - Banco de Imagem/Getty Images

Somos meninas. Princesinhas. Patricinhas. Vacas. Biscates. E, às vezes, todas em uma, depende de quem nos enxerga. Mas se tem uma coisa que a maturidade pode trazer é a certeza de que nenhum rótulo é definitivo. Não é mesmo! E, se o outro me vê como não sou, é uma pena. Pra ele, claro. 

A maioria de nós, que estamos na faixa dos 50 anos, cresceu se apaixonando por príncipes, idealizando o “felizes para sempre”, esquecendo que esse capítulo nunca existiu nos livros que nos inspiraram. Coube a nós encararmos o dia seguinte de cara lavada, sem saber direito o que esperar de casamentos e uniões estáveis. 

Estável, isso mesmo? Uma união, por melhor que seja, estará sempre sujeita a tempestades ou, no mínimo, a uma amplitude térmica de 30 graus em um único dia. Aliás, não há nada mais instável do que uma união. E ouso dizer que nós, as princesas, mudamos mais do que os príncipes, que, na maioria das vezes, ficam mesmo encantados. Prostrados. Observando, incrédulos, suas parceiras descalçarem o sapatinho de cristal para andar com mais segurança e firmeza sobre os próprios pés.

 E a gente vai gostando disso, de pisar firme o chão, deixando marcas próprias. De entender que as pernas são ótimas para emoldurar uma saia, mas são melhores ainda para nos levar por aí, para onde a gente quer ir. “Você está tão diferente...”, certamente, vamos ouvir aqui e ali uma crítica nada velada para quem a transformação significa desconforto, perda de controle. 

Então, para esse público, eu tenho uma má notícia: nenhuma de nós volta para a caixa depois de segurar as rédeas da própria vida. Sabe aquela insegurança, aquele “não sei se consigo, se posso, se devo?” Esquece. Virou lenda urbana. 

Hoje o vestido cai muito bem, mesmo se não for para a sua idade. A viagem para longe é marcada, mesmo sem companhia alguma. Porque os vinhos, nos bares do mundo, também são servidos em taças. Somos árvores, que não por acaso pedem artigo feminino. Crescemos para o alto, para ir bem além, enquanto ficamos cada vez mais firmes. Mas as folhas... essas serão renovadas a cada nova temporada.

WAL REIS é jornalista, profissional de comunicação corporativa e escreve sobre comportamento e coisas da vida.