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Cristiane Machado fala sobre nova fase após tentativa de feminicídio do ex-marido

Cristiane Machado fala sobre projetos após agressões do ex-marido

Júlia Arbex Publicado em 27/10/2019, às 08h00

Cristiane Machado estreia os filmes ‘Fear’ e ‘Quando Chega a Hora de Esquecer’ ainda neste ano - Intensify Photo
Cristiane Machado estreia os filmes ‘Fear’ e ‘Quando Chega a Hora de Esquecer’ ainda neste ano - Intensify Photo

Por medo de ser morta e de os pais serem assassinados pelo marido e agressor, o empresário e ex-diplomata Sergio Thompson-Flores, a atriz Cristiane Machado denunciou o ex-marido por violência doméstica e tentativa de feminicídio. 

Ela instalou câmeras na casa onde o casal morava, no Rio de Janeiro, e divulgou os vídeos das agressões à imprensa assim que ele foi preso, em novembro de 2018. 

A atriz, que estreia os filmes ‘Fear’ e ‘Quando Chega a Hora de Esquecer’ ainda neste ano, falou com exclusividade à AnaMaria sobre os episódios de violência doméstica pelos quais passou. 

Em 2020, ela lançará um livro sobre o drama que viveu para ajudar cada vez mais mulheres a terem coragem para denunciar. A renda obtida com a venda da obra será revertida para o Instituto Maria da Penha.

PRIMEIRO ENCONTRO
O romance entre os dois começou em 2017 quando Sergio a procurou para fazer um ensaio de fotos para sua academia de ioga. 

“Ele se apresentou como um príncipe. Era extremamente carinhoso e cuidadoso. Eu tinha encontrado o amor da minha vida. Em maio, começamos a namorar sério e no dia 5 de agosto ele pediu minha mão em casamento em Machu Picchu, no Peru”, conta. 

Mas a história de amor com ares de conto de fadas foi invadida pela violência antes mesmo de eles subirem ao altar. “A primeira agressão aconteceu logo depois do casamento no civil. Ele me diminuía, me chamava de burra. Sempre que eu discordava dele, nós brigávamos”, relata a atriz.

CIUMENTO E POSSESSIVO
“Minha mãe tinha mais de 50 álbuns de recordações minhas. Uma vez, ele viu uma foto minha com meu primeiro namoradinho. Nós tínhamos 11 anos. Ele surtou e disse que eu não podia levar para a nossa casa. Depois desse episódio, tive que compartilhar a senha do meu celular com ele. Fiz isso por medo. Pensava: ‘Não tenho nada a esconder. Então, tudo bem’. Perdi minha individualidade. Passei a ser propriedade e não uma mulher e esposa”, conta. 

Cristiane também parou de trabalhar. “Ele tinha muitas inseguranças e por isso me fazia negar trabalhos, como novelas. ‘Você é casada. Mulher de respeito não atua’, dizia. Cheguei a questioná- -lo, mas sempre dava briga. Não aguentei. A partir daí, começou a escolher os trabalhos que eu podia fazer. Ele ditava tudo. Cedi em prol do amor”, desabafa.

DENÚNCIA
Quando aconteceu a primeira agressão física, ela o denunciou. Colocou a cachorra no colo e, ensanguentada, foi para a delegacia. “Não deixei ela em casa porque tudo que eu amava ele destruía.” 

Sergio ficou preso por 20 minutos. Saiu após pagar uma fiança de R$ 1.500. Ela voltou para a casa da mãe e todo aquele sonho que teve um dia, de ter uma família, viver em um lar seguro, ter planos e projetos, desmoronou. 

“O homem que eu amava e com quem estava casada havia quatros meses tinha me machucado brutalmente, quebrado tudo que era meu. Fiquei na minha mãe por duas semanas. Ele ia à porta de casa, mandava mensagens obsessivas pedindo desculpas e declarando amor. Afirmava que tinha sido um surto isolado porque estava passando por uma fase difícil. Ameaçou também se suicidar. Tive tanto medo que aceitei conversar com ele em um lugar público e com os filhos dele junto”, explica Cristiane. 

No encontro, ela disse que não queria voltar e Sergio ameaçou se matar, chorou, se ajoelhou e implorou. “Nosso casamento no religioso estava marcado para um mês e meio depois. Ele disse que seria uma renovação de votos perante Deus. Aceitei. Antes do casamento, ele foi benzer nossas alianças”, conta.

NÃO PAROU
Mas a violência continuou. Ela denunciou duas vezes, porém, viveu uma série de agressões. 

“Perdi a opinião própria, não sabia mais quem eu era. Estava triste e depressiva. Perdi um bebê porque ele chutava minha barriga. Quando eu falava que queria sair de casa e terminar tudo, ele colocava a faca no meu pescoço e ameaçava matar meus pais. Não sei como, mas quando ouvi isso tirei uma força que desconhecia e comecei a me preparar para gravar as imagens de violência. Ele é ex-diplomata, muito poderoso. Sem as câmeras, ninguém acreditaria em mim”, confessa. 

Sergio foi condenado a três anos de prisão em regime semiaberto.

CONSEQUÊNCIAS
“Tive anorexia, ansiedade e depressão. Com o colo dos pais, apoio dos bons e verdadeiros amigos, psicóloga, aulas de defesa pessoal e muita força de vontade, estou conseguindo enfrentar. Nasceu uma Cristiane nova. Forte, corajosa e que eu nem sabia que existia. Tenho orgulho de mim. O agressor é quem deve sentir vergonha. Agora, quero voltar a trabalhar com o que eu amo de paixão e tomar as rédeas da minha vida”, revela. 

Sobre ter um grande amor, Cristiane diz que ainda espera viver uma linda história com alguém. Por enquanto, está respeitando o luto e se permitindo processar tudo o que passou. “Vai aparecer alguém bacana na hora certa”, conclui.