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De Black Mirror a Neymar, redes sociais podem se tornar perigosas

Saiba como evitar problemas na web e não ficar viciado

Bruna Calazans Publicado em 14/06/2019, às 14h44 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h47

O perigo das redes sociais - Reprodução
O perigo das redes sociais - Reprodução

Basta olhar em volta e constatar: não é difícil ver alguém distraído enquanto olha algo no celular. E esse uso constante de redes sociais tornou-se assunto até mesmo na ficção.

Em um dos episódios da 5ª temporada da série Black Mirror, que estreou este mês na Netflix, o personagem principal é um motorista de aplicativo semelhante ao Uber, que está claramente infeliz com o vício da conectividade, o que leva a uma série de eventos na história.

Também temos exemplo do problema na vida real, onde tudo o que é publicado nas redes sociais, especialmente por pessoas famosas, tende a repercutir e virar assunto durante muito tempo. 

Foi o caso de Neymar, que expôs publicamente em seu Instagram uma conversa íntima que teve com a modelo que o acusou de estupro. Essa divulgação virou assunto no Brasil e no mundo.

VÍCIO

De acordo com uma pesquisa realizada pelos portais Hootsuite e We Are Social, os brasileiros passam em média nove horas conectados na internet. Neste quesito, ficamos apenas atrás da Filipinas e Tailândia. 

Entre as redes sociais mais acessadas, de acordo com o mesmo relatório, estão Youtube (60%), Facebook (59%), Whatsapp (56%) e Instagram (40%). Ficar tanto tempo online pode ser útil, mas também causar uma série de problemas.

EXCESSO DE COMPARAÇÕES

As suas redes sociais foram inundadas por fotos de casais apaixonados e perfeitos no Dia dos Namorados - e você se sente péssimo por está sem ninguém ou por seu relacionamento atual parecer pouco emocionante? Isso tem explicação.

De acordo com a psicóloga clínica Isabella Kitadani, viver imerso no universo digital pode prejudicar a autoestima, pois as pessoas começam a se comparar muito com as outras, “levando a um estresse diário que pode até gerar crises de ansiedade.” 

Antonio Carlos Hencsey, psicólogo e diretor do ICTS Protivitti, aponta que é importante repensar sobre veracidade do que é consumido na internet, justamente para evitar frustrações. 

"As pessoas só postam aquilo que elas querem, sendo que nem tudo sempre é verdadeiro", avalia. Segundo ele, os famosos influenciadores digitais também têm responsabilidade neste sentido, “por exporem além do que deveriam na tentativa de angariar apoio do público.”

Em seu canal no YouTube, a blogueira Nataly Néri publicou um vídeo sobre "slow blogging". Trata-se de produzir conteúdo para a internet na velocidade da vida, com equilíbrio. "A competitividade está cada vez maior [entre influenciadores]. Se você não postar pelo menos duas fotos por dia, seu engajamento cai gradativamente", desabafa.  Ela alerta para que o público seja mais crítico ao consumir o conteúdo desses influenciadores. Para ela, é importante entender que a internet possui perigos e limites. 

VÁ COM CALMA

O uso consciente da internet também é defendido por Antonio. "Se eu agrido uma pessoa e posto comentários agressivos, seja para uma possível vítima ou um possível agressor, eu sou responsável por esses comentários", avalia o especialista, lembrando que é mais importante interagir e compartilhar momentos na vida real. 

Já na visão da psicóloga Isabella, não é preciso sair definitivamente das redes sociais, pois "vivemos em uma sociedade tecnológica". No entanto, é importante usá-la de maneira moderada. "Não podemos esquecer que existe uma vida fora das telas", diz.