AnaMaria

“Depois de anos de autoestima baixa, aceitei minhas curvas!”

Veja o relato da jornalista e cantora Tainá Goulart, que parou de se criticar tanto ao olhar no espelho e agora está muito mais feliz com seu corpo

Redação AnaMaria Publicado em 17/01/2018, às 19h10 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h45

Tainá Goulart está muito mais feliz com seu corpo - Arquivo pessoal
Tainá Goulart está muito mais feliz com seu corpo - Arquivo pessoal

"No ano passado, em uma praia deserta, senti o alívio de não ter pessoas me julgando. Ao ficar de biquíni no lugar, durante minhas férias, onde não tinha mais ninguém, pensei: “Nossa, posso tirar meu short aqui de boa...” Foi a primeira vez na vida que entrei numa praia sem medo de mostrar minhas celulites, gorduras localizadas, culotes, estrias no bumbum, a barriga flácida, o famoso ‘tchauzinho’ do braço flácido, as gorduras de pneuzinhos nas costas, as pernas gordas, o peito caído, as estrias ao redor dos seios, a perna cheia de varizes... É, acho que a montanha-russa de emoções em relação ao meu corpo sempre pendeu para o ponto baixo... bem baixo, quase raspando no chão.

Na infância, por exemplo, me chamavam de gorda-baleia-sacode-areia, de Free Willy, filme cujo protagonista é uma baleia, de Snorlax, o Pokémon gigante. Lembro de chorar, de querer bater nas crianças que faziam bullying comigo e, claro, de querer emagrecer a todo custo. Na adolescência, quando eu emagreci 33 kg, aos 14 anos, me sentia um ET recém-pousado na Terra. Aí me chamavam de girafa, poste (tenho 1,82 m de altura), desengonçada. Mesmo magra, nada mudou em relação ao que eu via no espelho e ao que falavam de mim. Na faculdade, me sentia um patinho feio no meio de tanta menina bonita. Pensava: “Esses caras nunca vão namorar comigo, sou muito estranha, tenho um estilo bizarro de me vestir e sou alta demais para eles”. Alguma coisa estava errada, certo? Anos e anos de voltas e mais voltas na montanha-russa e eu nunca estava feliz.

No entanto, olhando para o mar no ano passado, me dei conta de tantas coisas negativas que pensei em menos de cinco minutos sobre mim mesma e fiquei triste. Por todas essas pressões, padrões, leis, achismos que eu mesma coloquei em mim nesses anos todos. Por estar me depreciando tanto, em vez de deixar isso de lado e curtir aquela paisagem e o dia lindo que estava fazendo. Aliás, quantas vezes isso já não aconteceu? Quantas vezes deixei de vestir roupas só porque achava que estava gorda e que iriam comentar o tamanho da minha barriga? Fazia dietas malucas para emagrecer e, como não conseguia, cheguei a deixar de ir às festas, pois achava que seria alvo de piadas, comentários ofensivos e por aí vai... Por que a gente se machuca tanto assim?

Aqueles cinco minutos de grosseria infinita comigo mesma antes de entrar no mar foram salvos por anos de reflexão. A maior lição que aprendi foi tentar, ao máximo, viver com equilíbrio. Ou seja, estar no meio da montanha-russa, surfar seus pontos cheios de adrenalina, porém, saber que eles acabam, e voltar com meus pés no chão. Depois do insight, olhei o mar, corri até ele e me joguei na água, brincando e agradecendo pela oportunidade de estar ali. Ou seja, mais um episódio vencido! Pontos para mim, vestida como eu quiser, no lugar onde eu quiser!

Ser uma pessoa equilibrada, que aproveita cada momento da melhor forma possível, é um desafio diário, ainda mais na sociedade atual. É claro que, mesmo com tanto tempo de reflexões e ajuda da terapia, eu ainda vou ter momentos de baixa autoestima, em que vou me olhar no espelho e ficar triste por 1 ou 2 kg extras. É normal, somos humanos. Mas não vou deixar de viver as coisas lindas que eu tenho na vida, né? #apenaspare e veja tudo de maravilhoso que você é, tem e vive! Que tal entrar em 2018 com algumas pequenas mudanças? Proponho um desafio, o de fazer uma lista diária de 5 coisas para agradecer e, duas delas devem ter relação com o seu corpo. Pode ser? 1- Obrigada por existir. 2- Obrigada por ser uma mulher saudável. 3- Obrigada pelas minhas curvas, pela minha altura, por poder sorrir, pelo meu emprego, pela minha família... Viu como a vida é fácil? Bora?"