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''É mesmo uma data a ser comemorada?'', questiona Zezé Motta sobre 132 anos da Lei Áurea

A atriz explicou que o 13 de maio é um dia de luta e não de festejo

Da Redação Publicado em 13/05/2020, às 14h37 - Atualizado em 25/06/2020, às 23h14

A atriz compartilhou uma reflexão - Instagram/@zezemotta
A atriz compartilhou uma reflexão - Instagram/@zezemotta

Zezé Mottaaproveitou o espaço das redes sociais para compartilhar uma reflexão sobre a data de hoje. Isso porque nesta quarta-feira (13), é 'celebrado' a assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel.

No entanto, a atriz questiona se há realmente um motivo para comemorar. 

"Lei Áurea: O 13 de maio é mesmo uma data a ser comemorada? Em 13 de maio de 1888, a princesa Isabel, herdeira do trono no Brasil, assinou a Lei Áurea, que oficialmente extinguiu a escravidão no país. A princesa e seu feito são reverenciados nos livros escolares de história e a data, Dia da Abolição da Escravatura, foi instituída no calendário oficial como algo a ser comemorado", disse.

Zezé explicou que não há o que festejar, já que a assinatura da lei não trouxe inclusão social para os negros, o que se alastrou e a exclusão continua sendo vista nos dias atuais.

"Depois de muita luta das negras e negros no Brasil Colônia, como a do Quilombo dos Palmares e a revolta dos Malês, por exemplo, a lei Áurea veio, mas veio sem nenhuma reparação moral ou econômica", continuou.

A assinatura não trouxe consigo uma reparação história e, com isso, a população negra se vê, mesmo em 2020, discriminada. Por conta desse processo histórico, a data não é motivo para celebração e sim de luta. 

"[A lei] não garantiu inclusão social. Muitos permaneceram na própria fazenda onde trabalhavam como escravos por não ter para aonde ir, outros, largados à própria sorte, passaram a ser marginalizados e discriminados, dando início às mazelas que combatemos até hoje: discriminação, pobreza, falta de oportunidades e de trabalho decente para a população negra. 13 de maio é mais um dia de resistência e de luta pela igualdade e combate ao racismo", concluiu.