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Em guinada histórica, Vaticano possibilita que homens casados se tornem padres

Vaticano cogita ordenar homens casado como padres na Amazônia

Da Redação Publicado em 17/06/2019, às 10h21 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h47

Papa Francisco cogita o ordenamento dos "viri probati" - Shutterstock
Papa Francisco cogita o ordenamento dos "viri probati" - Shutterstock

Um documento do Vaticano emitido nesta segunda-feira (17) declara que a Igreja deveria considerar ordenar homens casados como padres em áreas remotas da Amazônia, onde o clero é escasso. 

A declaração, preparada para um sínodo de bispos da Amazônia marcada para outubro, também pediu algum tipo de "ministério oficial" para mulheres da região, mas sem entrar em detalhes de como funcionaria.

Esta é a menção mais direta já realizada oficialmente pelo Vaticano sobre o sacerdócio de homens casados e de um papel ministral maior para mulheres.

FALTA DE PADRES

O documento trata da possibilidade de ordenar os conhecidos como "viri probati" - homens de caráter comprovado, em latim - para lidar com a falta de padres. Estes seriam membros idosos, de destaque na comunidade católica local e com famílias já criadas.

"Embora afirmando que o celibato é um presente para a Igreja, houve pedidos de que, para as áreas mais remotas da região, (a Igreja) estude a possibilidade de conferir ordenamento sacerdotal a homens idosos, preferivelmente nativos, membros respeitados e aceitos de suas comunidades", revela a declaração. 

O texto ainda diz que estes homens poderiam ser ordenados mesmo se já tiverem uma família estabelecida e estável. 

ÁREAS ISOLADAS

Trata-se da menção mais direta já vista em um documento do Vaticano da possibilidade do sacerdócio de homens casados, embora limitada, e de um papel ministerial maior para mulheres em uma área do mundo.

Apenas padres tem permissão para rezar missas ou ouvir confissões, o que significa que os católicos de comunidades isoladas da Amazônia podem passar meses sem participar destes sacramentos.

Estudiosos católicos afirmam que a aprovação dos "viri probati" na Amazônia pode ser empregado em outras partes do mundo em reação à falta de sacerdotes. 

Em uma entrevista a um jornal alemão em 2017, o Papa Francisco cogitou o ordenamento dos "viri probati" como padres em comunidades isoladas.

No entanto, ele descartou a abertura geral do sacerdócio aos homens casados ou reduzir o compromisso da Igreja Católica com o celibato, visto como uma virtude que liberta os padres para devotarem suas vidas por completo ao serviço de Deus.