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Em São Paulo, Cracolândia tem madrugada de tumulto

Segundo a polícia, confusão na Cracolândia começou depois da prisão de um homem

Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil Publicado em 02/06/2022, às 14h26

Cracolândia tem madrugada marcada por quebra-quebra e confusão - Reprodução/TV Globo
Cracolândia tem madrugada marcada por quebra-quebra e confusão - Reprodução/TV Globo

Vídeos de moradores da região central de São Paulo mostram grupos de pessoas em situação de rua depredando carros e lojas com paus e pedras durante a madrugada de hoje (2). Alguns dos veículos atingidos estavam parados no semáforo quando foram cercados pelos grupos.

Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública de São Paulo, a confusão começou depois que um homem foi preso durante a madrugada na Alameda Barão de Limeira. “Na ocasião, dependentes químicos se deslocaram pelas ruas da região e jogaram pedras em uma viatura da GCM [Guarda Civil Metropolitana]”, diz a nota. As ocorrências foram registrada no Distrito Policial do Bom Retiro.

OPERAÇÃO CARONTE

Desde o final de março, quando uma grande operação policial dispersou a concentração de pessoas em situação de rua e de usuárias de drogas da Cracolândia, que ficava na Praça Princesa Isabel, esses grupos menores têm circulado pela região central.

A Guarda Civil Metropolitana e a Polícia Militar agem constantemente para evitar que as pessoas permaneçam por muito tempo em um determinado local. A Polícia Civil também tem feito operações esporádicas, efetuando prisões e com apoio de atiradores de elite. As ações fazem parte da chamada Operação Caronte, iniciada em julho do ano passado.

“Trata-se de uma parceria entre a Polícia Civil e a Guarda Civil Metropolitana, iniciada em maio de 2021, para combater e reprimir a atuação de organizações criminosas armadas que exploram o tráfico de drogas na região da Luz, região central da cidade” diz nota divulgada pela GCM.

ABUSOS

Moradores da região também têm registrado abusos por parte dessas ações. O cinegrafista Caio Castor flagrou guardas civis agredindo uma transexual com cacetadas e spray de pimenta sem reação visível da mulher.

Após a divulgação das filmagens, na semana passada, ele foi ameaçado por vizinhos e teve que deixar o local com a família. A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgaram notas de apoio ao repórter.

Também na semana passada, um outro morador flagrou guardas civis imobilizando um homem com o joelho no pescoço. Nas imagens é possível ver que um dos agentes sai da viatura se aproxima com um saco com uma substância branca que é apresentada como drogas que estariam em posse do homem.

Após a divulgação das imagens, a juíza Gabriela Bertoli reconsiderou a prisão e decidiu pela soltura do homem. A magistrada avaliou que abordagem pode ter sido abusiva, determinando, inclusive, a comunicação do fato à Corregedoria da GCM.

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