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Emicida aborda temas relevantes no 'Domingão do Faustão': ''Abismos sociais são letais''

Cantor falou sobre racismo, machismo e o novo coronavírus

Da Redação Publicado em 15/06/2020, às 11h04 - Atualizado em 25/06/2020, às 23h14

Faustão entrevistou Emicida no último domingo (14) - TV Globo
Faustão entrevistou Emicida no último domingo (14) - TV Globo

Emicida deu uma verdadeira aula ao participar do 'Domingão do Faustão', na noite de último domingo (14). O cantor falou de temas relevantes da sociedade brasileira como o machismo, o racismo e o novo coronavírus e fez uma reflexão na qual evidenciou a desigualdade socioeconômica do país.

"As mudanças que a gente precisa não estão necessariamente ligadas ao corona. [...] A gente está vivendo um paradoxo triste. Por um lado, a gente enfrenta um vírus que se espalha muito rápido, mas que não tem uma letalidade tão grande, agora, o que é extremamente letal são os abismos sociais que a nossa sociedade produziu e finge que não existe. Todas as pessoas estão sujeitas a se contaminar com o COVID-19, mas nem todas as pessoas podem se tratar após se contaminar", disse. 

Emicida também relembrou um dos primeiros casos do novo coronavírus no Brasil e fez um paralelo com a realidade socieconômica. "A primeira vítima do coronavírus é uma empregada doméstica que pegou o vírus de sua patroa, aparentemente. Isso é muito simbólico. As pessoas pobres se contaminam mais, tem menos condições de se cuidar e essa letalidade é amplificada não pelo vírus, mas pelos abismos sociais."

O rapper ainda afirmou que existe um longo caminho para que haja orgulho no quesito sociedade. "A gente está colocando tijolinho por tijolinho para construir essa ponte que vai levar a gente para um lugar melhor", refletiu na entrevista feita por videochamada com Fausto Silva.

RACISMO

Emicida garantiu que o conceito de democracia racial não pode ser aplicado no país e comentou sobre as manifestações antirracismo que ocorreram nas últimas semanas. 

"O imaginário do brasileiro médio foi conduzido através de uma reflexão que faz ele acreditar que a gente vive de fato em uma democracia racial, o que não é verdade."

"E é por isso que quando uma nova geração emerge e traz à tona um discurso de que a gente vive um estado de desespero, de emergência e muito perigo. Quanto mais escura for a cor da sua pele, mais perigoso é. Essa tragédia que aconteceu com o George Floyd está fazendo o mundo inteiro fazer uma reflexão de como estruturalmente muitas pessoas corroboram com essa estrutura racista", afirmou. 

"A nossa realidade tem situações tão ou mais desesperadoras. E precisamos nos levantar contra isso também", disse ao comentar a morte do menino Miguel, em Pernambuco, e João Pedro, no Rio de Janeiro. 

MACHISMO

Além disso, o músico também abordou a fragilidade masculina e a violência doméstica. Para ele, o fato do homem não poder demonstrar sensibilidade, acarreta em uma carga de estresse. 

"Faz com que a gente exploda de maneira violenta e gera várias outras cargas mentais. Como homens temos que nos relacionar melhor com a nossa sensibilidade, isso não é uma característica exclusiva das meninas."

"A violência contra a mulher ainda faz parte da nossa realidade. Nesse momento que estamos reclusos em casa muitas mulheres estão trancadas com os seus agressores", ressaltou.