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Entrevista Domingos Montagner

"Sou determinado, caseiro e nada vaidoso"

Roseane Santos Publicado em 12/08/2016, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

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Entrevista Domingos Montagner - Cadu Pilotto
Entrevista Domingos Montagner - Cadu Pilotto
O que um paulistano acostumado com a vida urbana pode ter em comum com um nordestino sobrevivente da seca? Domingos
Montagner responde: a superação. Domingos dá vida a Santo, um herói romântico e determinado, em Velho Chico. Aos 54 anos, o ator está acostumado com personagens fortes, mas esse tem um sentido especial. “Ele encara a vida como eu. Eu enfrento os problemas conforme a vida me apresenta e já superei muitas coisas”, confessa. Em um bate-papo com a revista AnaMaria, Domingos fala um pouco do seu jeito de ser, admite que não é vaidoso (acredita que ele mesmo faz sua comida?) e que não troca os momentos com a família por badalações nas folgas do trabalho.


Santo aparece em fases bem diferentes da vida. Acha que a personalidade pode mudar com a idade?
Acho que a personalidade não muda, mas precisamos ver como ela vai se comportar aos 20 e depois aos quase 50 anos. Com essa
passagem de tempo, o que se espera é ter uma certa maturidade, mas acho que a personalidade é a mesma. O que se espera é que na
maturidade a pessoa tenha mais clareza do que pensa e o que sente. 


Como você define o Santo dentro da trama de Velho Chico?
Acho que é o arquétipo do sertanejo. O conflito do amor vai durar a vida inteira dele, mas mesmo assim ele não vai perder a determinação, não vai deixar de lado a família e o amor pela terra onde vive. O sertanejo é um forte e o Santo representa muito
isso para mim. Ele não tem medo de nada.


E você acha que os fortes sofrem menos por amor?
Sim, acho que a força ajuda. Ele consegue carregar várias coisas e sentimentos de uma vez só. Até vive o conflito do amor, mas não perde a determinação. Ele tem uma estrutura de personalidade de superação.


E você se vê como ele?
Sim, eu me vejo. Acho que cada um de nós tem todos os personagens dentro de si. A minha maior ligação com ele é na superação,
nessa determinação de ir para frente. Eu sou assim, vou construindo a minha vida de acordo com o que me apresentam. Eu estou
muito feliz de chegar aonde eu cheguei.


E como se vira morando longe da família, no Rio de Janeiro?
Ah, eu costumo dizer que cozinho para a sobrevivência [risos]. Não gosto, mas tenho que me virar e então procuro fazer coisas
saudáveis em casa. Não vou falar que sou um chef, mas sobrevivo [risos]. Saudade da família, a gente sempre tem, mas todos entendem o meu trabalho. Os meus filhos estão em idade escolar e não podem ficar se deslocando toda hora. Quando eles nasceram, eu já era ator e eles entendem perfeitamente isso.


Você é mais chegado ao campo do que a cidade?
Eu gosto muito de campo, ando muito descalço [risos]. Eu moro fora de São Paulo, gosto de ir pra lá e descansar. Adoro também
a vida urbana, mas eu tenho a necessidade de me recolher. Você dificilmente vai me ver em badalação. Vou ao teatro para prestigiar
o trabalho dos amigos, mas sou um homem caseiro. Eu tenho preguiça de sair.


Você se considera vaidoso?
Não, nada vaidoso. Não faria nenhuma intervenção no rosto, plástica, essas coisas. Isso, nunca. Eu faço exercícios, porque tenho
que ficar bem para o meu trabalho. Preciso estar bem disposto. Quem já trabalhou em circo sabe como é preciso ter força. Imagina
carregar uma lona de circo? Agora, em outras coisas, a vaidade não aparece. Não penso nem em pintar o cabelo, por exemplo, isso não me incomoda.

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