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Erika Januza revela ter passado por um longo processo de aceitação

A atriz falou sobre o movimento ‘Black Lives Matter’ e episódios de racismo

Bianca Portugal Publicado em 08/08/2020, às 08h00

A artista estava no ar em 'Amor de Mãe', que teve as gravações pausadas por conta da pandemia - Instagram/@erikajanuza
A artista estava no ar em 'Amor de Mãe', que teve as gravações pausadas por conta da pandemia - Instagram/@erikajanuza

Ela é um mulherão! Linda, forte e totalmente consciente de seu papel na sociedade. Quando criança, Erika Januza, 35 anos, não entendia por que seu cabelo era ‘diferente’. Lutou para se encaixar no padrão das amigas e, quem sabe assim, não receber ofensas. 

Usou megahair, alisou... Passou por um longo processo de autoconhecimento e aceitação. Em casa, não se debatia o racismo. Ela guardava as dores que sofria na escola para si. Hoje, Erika é uma das estrelas da Globo, dona de uma beleza invejada e que faz questão de debater o tema. 

“Enquanto houver preconceito eu continuarei falando. Quem diz que o racismo não existe é porque é branco e não convive com ele no dia a dia”, disse ela, que, certa vez, ouviu que jamais seria capa de uma revista por ser negra. 

COMO VÊ O MOVIMENTO BLACK LIVES MATTER NO MUNDO? ACHA QUE FALTA UM MAIOR POSICIONAMENTO NO BRASIL? 
Cada movimento que luta por vidas negras é muito importante. Vimos uma grande adesão ao Black Lives Matter, que me deixa feliz e triste ao mesmo tempo. Feliz por ver a união dos negros e dos antirracistas; e triste porque ainda temos vidas negras sendo perdidas. Temos artistas e movimentos no Brasil trazendo luz para esse problema que é o racismo e como ele é cruel. É inconcebível vivermos isso em pleno 2020.

FAMA DIMINUI O RACISMO? 
Não. O que a fama faz é deixá-lo mais velado. Mas o olhar torto que eu tanto conheço, ele ainda me acompanha em alguns lugares. É que hoje eu sou forte o suficiente para eles não me oprimirem e não abaixo a minha cabeça.

LEMBRA A PRIMEIRA VEZ QUE SENTIU O PRECONCEITO NA PELE? 
Difícil eleger um momento. Tenho uma lembrança forte da infância, de não entender por que meu cabelo era diferente das outras meninas. E de querer ter igual, porque eu era “diferente” delas. E, sim, já ali existia o preconceito. Foram muitos anos lutando contra meu cabelo. E lhe digo, de nada adianta. O que adianta é entender a força da sua beleza, da história do seu povo e de onde você veio. Isso, sim, muda.

HOJE, O CABELO AFRO É UM SÍMBOLO DE EMPODERAMENTO... 
Durante muito tempo, tentei ter aquele cabelo tipo “padrão”, liso. Mas eu sou uma mulher negra. Não escondo a cor da minha pele. Hoje sou muito feliz com o meu cabelo. Cortar ele curto foi uma verdadeira revolução. Fui reconhecer a minha beleza sem o escudo do cabelo e ver a real beleza dos meus fios.

É A PRIMEIRA VEZ QUE TEM O CABELO TÃO CURTO? 
Sim, primeira vez! E estou amando. Foi uma proposta minha para a Marina, de Amor de Mãe, e a direção topou. Mas, na hora de cortar, parecia que meu coração ia pular fora do peito. Fiquei com medo mesmo. E enfrentei mil pensamentos que me acompanhavam por toda a vida. O cabelo era um escudo e eu me vi sem ele. E esse processo de autoconhecimento, de descobrir a minha feminilidade, a minha força, foi intenso e muito bonito. 

CABELÃO SEMPRE FOI ASSOCIADO À SEDUÇÃO. TEM SE ACHADO MENOS SEXY AGORA? 
As pessoas costumam falar isso, mas, posso dizer hoje que é uma bobagem. Nunca me senti tão feminina e feliz. E tem muito a ver com o fato de ter cortado o meu cabelo e ter assumido ele do jeito que ele é.

SUA PERSONAGEM EM ‘AMOR DE MÃE’ DEIXOU DE INVESTIR NA CARREIRA POR AMOR. SE ARREPENDE DE ALGUMA DECISÃO QUE TOMOU POR AMOR? 
Acho difícil encontrar alguém sem nenhum arrependimento. [risos] Já tomei decisão por amor e me frustrei completamente. Assim como a Marina. No entanto, essa experiência me fez ver as coisas com outra perspectiva. Não abro mão mais de nada que seja importante para mim por causa de um amor. Relacionamento tem que chegar para somar e não subtrair. Se ele te tira algo valioso, algo não está certo. Tenho cada vez mais essa consciência e fico muito atenta para evitar qualquer armadilha do coração.

A MULHER EMPODERADA AINDA ASSUSTA OS HOMENS? 
A mulher independente assusta os homens, sim. Mas é uma questão que eles precisam resolver, né?! Nós é que não temos que nos preocupar com isso. [risos] Eu trabalho, sou independente, sei o que eu quero... E se isso deixa um homem inseguro, desculpe, ele não pode me acompanhar como parceiro. O mais legal de se relacionar é a troca, é um levantar a bola do outro, é o equilíbrio... Sem isso, você vive em descompasso.

ESTÁ SOLTEIRA? 
Ahh... [risos] Eu estou feliz. Estou bem mesmo! 

COMO TEM SE CUIDADO DURANTE A PANDEMIA? 
Me exercito em casa, diariamente. Tenho rotina. Há algum tempo eu faço uma alimentação saudável. De vez em quando, rompo com isso, sim, porque é importante se dar prazer também. Mas existe uma vida regrada. Amo cuidar do meu cabelo. Tenho produtos específicos para meus fios. E sigo o que a dermatologista me indica. Limpo a pele e hidrato, cuidados essenciais. Gosto desse tempinho para cuidar de mim. 

TEM TRABALHADO, ESTUDADO? 
Tenho feito preparação para a segunda temporada de Arcanjo Renegado, remotamente. Tenho estudado inglês e espanhol e estou fazendo aulas de dança. Já fiz curso de oratória e faço fonoaudióloga remotamente. Estou em constante movimento agora. E tenho aproveitado para cuidar da minha casa. Já fiz diversas mudanças e amigas on-line que me dão dicas.