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Homem perde filho para tragédia, em Petrópolis, após não conseguir segurar sua mão

No Encontro, Fátima Bernardes e André Curvelo se emocionam ao contar casos da tragédia, em Petrópolis

Da Redação Publicado em 17/02/2022, às 12h28

No Encontro, Fátima Bernardes contou a história de um homem que perdeu a família durante a tragédia que assolou Petrópolis - Globo
No Encontro, Fátima Bernardes contou a história de um homem que perdeu a família durante a tragédia que assolou Petrópolis - Globo

André Curvelo está cobrindo a tragédia que aconteceu por causa das fortes chuvas em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro. Durante uma passagem ao vivo, nesta quinta-feira (17), no 'Encontro', o jornalista conversou com Fátima Bernardes e chegou a se emocionar diversas vezes.

O clima no estúdio do matinal ficou pesado quando Curvelo pediu para mostrar a história de um morador de Petrópolis que acabou perdendo toda sua família para os escombros da tragédia. Contudo, a história deste homem deixou até mesmo a apresentadora com os olhos marejados de lágrimas.

"Ontem eu tive uma conversa com um pai, mas eu não consegui terminar de contar pra vocês [por ter se emocionado tanto]. Mas, eu queria mostrar um pouco dessa dura entrevista, é uma entrevista triste, mas eu queria que a gente tentasse se colocar no lugar dele", começou André, com a voz trêmula de emoção.

"Esse homem tentou salvar a família toda, ele fez de tudo, mas perdeu todo mundo. Queria que a gente assistisse juntos, para refletir", disse, antes do VT do homem começar.

Durante a entrevista, o rapaz, que não se identificou com nome e sobrenome, começou contando sobre o momento em que o deslizamento chegou até sua casa. Nas imagens, ele aparece em cima de um morro formado por destroços.

"Desci, botei minha esposa aqui com a minha filha, daí ela falou: 'Vai pegar o Lucas'. Aí eu subi pra pegar o Lucas, que é meu filho de 21 anos. Ela [a esposa] ficou aqui. Cheguei lá e falei: 'Lucas, vamos descer porque tá descendo muita água suja com barro, isso vai descer'", começou o pai.

"A hora que eu vim descendo, eu olhei pra cima, vi assim… igual neve vindo [como se fosse uma avalanche]", continuou, chorando. "Aí eu corri ao contrário, meu filho, agarrado na minha mão, correndo ao contrário. Só que aí ele caiu, ainda agarrado na minha mão, escorregou os dois pés [tropeçou] e escapuliu da minha mão [e a lama o levou]", disse aos prantos.

Morador de Petrópolis relata sobre como perdeu toda sua família - Globo
Morador de Petrópolis relata sobre como perdeu toda sua família - Globo

"Daí eu tinha deixado a minha mulher e a minha filha de sete anos aqui em cima. Eu vim correndo, por dentro do mato, gritando 'Eliane, Eliane! A barragem levou o Lucas!', daí ela caiu", concluiu.

Quando as imagens acabaram, André Curvelo não conseguiu falar nada e a produção cortou direto para Fátima Bernardes que reagiu: "Meu Deus, é um choro tão doido, né André? Que eu não vou nem te pedir pra falar nada… Meu Deus! não sei nem o que falar!", com lágrimas nos olhos, mas se mantendo forte.

VÍTIMAS

A Prefeitura de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e o Corpo de Bombeiros informaram que subiu para 104 o número de mortos após a tempestade da tarde de terça-feira (15), até a manhã desta quinta-feira (17). Destes, 33 corpos foram identificados.

Segundo a Secretaria Estadual de Defesa Civil, 24 pessoas foram resgatadas com vida. O Corpo de Bombeiros ainda não sabe o número de desaparecidos. No entanto, Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) indica que ao menos 42 pessoas são procuradas. Quem tiver parentes desaparecidos deve procurar a delegacia.

O temporal que atingiu a cidade fez morros deslizarem, carregando pedras enormes, que se comparavam ao tamanho de carros. Além disso, veículos foram arrastados e ficaram empilhados, com a força da correnteza, e vias foram bloqueadas, dificultando o acesso aos desabrigados.

Até as 20h30, a Defesa Civil municipal registrava 80 pontos de deslizamento. As sirenes instaladas em áreas de risco foram acionadas, para alertar o perigo do temporal. O acumulado pluviométrico atingiu 259 milímetros — acima da média esperada para todo mês - em cerca de seis horas.

A Prefeitura decretou estado de calamidade pública e informou que as equipes dos hospitais foram reforçadas para o atendimento de vítimas.