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Ingrediente de slime leva crianças para o hospital; veja como se prevenir

Slime pode causar intoxicação em crianças; entenda

Bruna Calazans Publicado em 27/05/2019, às 11h50 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h47

Brincadeira pode ser perigosa para os pequenos - Freepik
Brincadeira pode ser perigosa para os pequenos - Freepik

O desabafo de uma mãe relatando a intoxicação que sua filha sofreu por conta da manipulação do slime ganhou destaque na internet na última semana. Conhecido como geleca pelas crianças nos anos 1980 e 1990, a massinha pegajosa voltou a fazer sucesso entre os baixinhos na versão “faça você mesmo” do produto.

Em seu perfil no Facebook, Cris Pagano contou que sua filha estava internada há uma semana por conta de uma suposta gastroenterite, cujos médicos ainda não sabiam a causa. Até que viram a criança brincando com o slime e desconfiaram, pois ela costumava produzi-los de forma caseira, uma prática comum entre seus amigos.

Exames acabaram constatando que a causa do problema de saúde foi uma intoxicação causada pelo bórax, também conhecido como borato de sódio. Apesar da substância não ser regulamentada pela Anvisa (Agência Nacional de Saúde) para esse tipo de uso, o produto costuma ser listado como ingrediente para fazer slime em algumas receitas. 

NÃO FOI O ÚNICO
Nos comentários da publicação, muitas outras mães se solidarizaram com o caso. Fabiana Delazare, mãe de Valentina, contou ter passado por uma situação semelhante com a filha, que brinca com slimes todos os dias há pelo menos três anos. “Enquanto ela fazia somente com água boricada e bicarbonato, não tinha problema. Assim que começou a utilizar o bórax, vieram os sintomas”, contou a coordenadora administrativa para AnaMaria Digital.

Por se tratar de uma substância com um alto índice de toxicidade, o bórax é extremamente perigoso. Apesar do componente ser encontrado em produtos como fertilizantes e até mesmo medicamentos, pode causar danos para a saúde quando ingerido ou inalado. 

De acordo com a Anvisa, a venda do bórax como ativador de slime é inadequada. Contudo, é possível encontrá-lo facilmente em sites de compra e venda na internet, como o Mercado Livre. Fabiana, que não sabia do problema, conta que conseguia adquirir o bórax em lojas onde é comercializado o slime.

SINTOMAS DE INTOXICAÇÃO
Para a pediatra e neurologista Nathalie Moschetta Monteiro Gil, que atua no Hospital América de Mauá (SP), os riscos em relação à intoxicação com o slime estão diretamente relacionados ao tempo que a criança passa brincando com os produtos. 

“Os sintomas de intoxicação pelo slime com bórax são cólicas abdominais, vômitos, diarréia de aspecto azulado ou esverdeado, cianose (coloração azul-arroxeada da pele, embaixo das unhas ou nas mucosas), queda de pressão e perda de consciência transitória. Em casos mais graves, pode acontecer um choque cardiovascular”, explica. 

Caso perceba algo incomum, além de cortar o contato com o produto, as indicações oficiais da Anvisa são:

  • Não provocar vômito na criança; 
  • Evitar ingestão de água, leite ou outro líquido;
  • Entrar em contato com o Centro de Informações Toxicológicas (CIT) local. Se recomendado pelo atendente do centro, busque atendimento médico com urgência. 

COMO SE PROTEGER?
Parte do prazer das crianças em brincar com o slime é a fabricação da geleca. Existem, inclusive, canais no Youtube voltados apenas para ensinar como fazer o produto de forma caseira. Em uma breve pesquisa, também é possível encontrar vídeos em que pessoas ensinam como produzir o slime utilizando o bórax, sem nenhum aviso sobre o perigo do produto. 

Mas como manter os pequenos protegidos? De acordo com Nelson Douglas Ejzenbaum, pediatra e neonatologista da Sociedade Americana de Pediatria, a criança só deve brincar com esse tipo de massinha com a supervisão de um adulto. Mesmo quando o bórax não estiver entre os ingredientes. 

“Não é porque não tem bórax que o slime se torna seguro. Uma criança mexendo com cola ou tinta sem a supervisão de um adulto pode ser perigoso”, alerta o médico. 

Nathalie ainda reforça a importância do uso de equipamentos de proteção individual, como luvas. “O mais importante é substituir o bórax por algumas outras alternativas, como a própria gelatina, amido ou marshmallow”, indica. 

Para Nelson, o slime comercializado em lojas é mais seguro para as crianças. “Mas precisa checar se vem com selo do Inmetro, indicativo de idade apropriada para uso e aviso se é tóxico ou não”. 

No caso de Valentina, filha de Fabiana, a brincadeira se tornou mais segura quando ela parou de mexer com o borato de sódio. “Ela ainda brinca com slime, mas não deixo fazer a mistura com bórax e dou preferência para slimes prontas”, revela a mãe.