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Jornalistas do SBT pedem demissão de Marcão do Povo após comentário sobre coronavírus

Apresentador havia sugerido 'campo de concentração' para vítimas do Covid-19

Da Redação Publicado em 13/04/2020, às 08h18 - Atualizado às 08h19

Marcão do Povo foi suspenso do SBT por 15 dias - SBT
Marcão do Povo foi suspenso do SBT por 15 dias - SBT

O clima nos bastidores do 'Primeiro Impacto', jornal do SBT, não é dos melhores. Isso porque os jornalistas que trabalham na produção do matinal redigiram uma carta repudiando a postura de Marcão do Povo, que sugeriu 'campos de concentração' para vítimas do novo coronavírus, na última quarta-feira (8).

A carta, acessada pelo portal UOL e divulgada no último domingo (12), diz que o profissional não segue as orientações de higiene da Organização Mundial da Saúde (OMS), colocando todos em risco.

"Um apresentador, que tem privilégio de ser ouvido por todo país, não pode sugerir qualquer orientação contrária a seus telespectadores. É um desrespeito à vida dos que nos assistem e confiam na credibilidade desta emissora", disseram em determinado trecho. 

De acordo com o UOL, a carta chegou a José Occhiuso, diretor do departamento de jornalismo do SBT. O texto foi assinado por todos que trabalham na produção do telejornal, com a exceção de Dudu Camargo. 

No entanto, para a coluna F5, da Folha de S. Paulo, a assessoria do SBT informou que a carta não foi recebida por nenhum dos diretores.  

ENTENDA

Marcão do Povo, apresentador do 'Primeiro Impacto', do SBT, gerou revolta nos telespectadores, na última quarta-feira (8), ao sugerir que as vítimas do novo coronavírus fossem tratadas em um "campo de concentração". 

O apresentador comentava sobre as recentes notícias envolvendo a pandemia do coronavírus e mostrou sua opinião a respeito das medidas protetivas que diversos países vêm tomando para conter a propagação do vírus. 

"Não seria interessante pegar o exército, a aeronáutica, a marinha e montar um campo de concentração, de cuidados, com os equipamentos mais sofisticados, com os melhores profissionais e colocar essas pessoas com problemas, com sintomas?", questionou.

Após a repercussão, ele foi suspenso da emissora por 15 dias. 

CONFIRA A CARTA NA ÍNTEGRA

"À direção do SBT Impossível nos calarmos. Ainda que em diversas outras ocasiões que envolveram a mesma pessoa tenhamos optado pelo silêncio, todos os valores de ética, ou mais, de decência humana foram violentados pelo apresentador do telejornal Primeiro Impacto, Marcos Paulo Ribeiro de Morais. Ao defender a criação de "campos de concentração" para pessoas infectadas pelo novo Coronavírus, o apresentador que se autointitula como Marcão do Povo, extrapola, no nosso entender, todo e qualquer limite.

Jornalistas que somos, por vocação acima de tudo, decidimos tornar público nosso repúdio à forma como o apresentador se referiu à maior crise de saúde do século. O que não nos causa ne nenhuma surpresa. O comportamento dele sempre foi o de não acatar orientações nem determinações dos jornalistas que dirigem o Primeiro Impacto e o próprio Departamento de Jornalismo do SBT. E isso sempre foi feito publicamente na redação. Muitos dos que assinam essa carta testemunharam o sr Marcão do Povo dizer, em alto e bom som, que só obedece o dono da emissora e que não presta contas a mais ninguém.

Nós, jornalistas do SBT, vivemos o maior desafio profissional que poderíamos sequer um dia imaginar. Talvez, o maior desafio pessoal. Estamos todos os dias nos expondo a todo tipo de risco para informar a população sobre a pandemia. Porque acreditamos na nossa função e nos princípios desta emissora. Essa, sim, do povo brasileiro.

Não é necessário descrevermos aqui a mais nova absurda declaração feita pelo apresentador. Os campos de concentração da Segunda Guerra Mundial estão entre as maiores vergonhas da humanidade. A necessidade de manter a população em casa é, segundo todas as autoridades de saúde do mundo, a única medida a ser tomada para diminuir o número de mortos. Um apresentador, que tem o privilégio de ser ouvido por todo País, não pode sugerir qualquer orientação contrária a seus telespectadores. É um desrespeito à vida dos que nos assistem e confiam na credibilidade desta emissora.

Hoje - e esse número será maior a cada dia -, morrem no Brasil, , em média, cento e quarenta pessoas vítimas da covid-19. O que significa dizer que, enquanto o sr. Marcos Paulo Ribeiro de Morais está no ar, ao vivo, para todo o Brasil, pelo menos 14 famílias perdem pais, avós, irmãos, maridos, esposas, filhos, amigos, enfim... Pessoas que, segundo o apresentador, deveriam estar em "campos de concentração". Mais do que envergonhar a todos nós, jornalistas, o sr. Marcos Paulo Ribeiro de Morais não está a altura de representar o nome e a história do SBT".