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Letícia Isnard: “Muita gente ainda maltrata empregado!”

A atriz Leticia Isnard fala sobre a volta ao trabalho depois da maternidade e diz como deveria ser a relação entre funcionários e empregados

Roseane Santos Publicado em 02/09/2016, às 14h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

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Entrevista Letícia Isnard - Cadu Pilotto
Entrevista Letícia Isnard - Cadu Pilotto
Em Liberdade, Liberdade, Letícia Isnard interpretou a divertida Simoa, que, ao lado do marido, Caldeira (Jairo Mattos), cuidava de
uma taberna. Se a personagem vivia fugindo do trabalho e tinha preguiça de pegar no batente, a atriz estava ansiosa para voltar. Depois de dar à luz Tereza, que hoje está com 1 ano e 6 meses, ela fala da rotina de dona de casa. Letícia afirma que o tema da novela mexeu muito com ela. “Eu vejo pessoas explorando seus empregados e isso é muito desrespeitoso. Lá em casa nem tem quarto de empregada. Não é uma pessoa que trabalha para mim, é uma pessoa que trabalha comigo.”


Se acostumou com os cabelos grisalhos da Simoa?
Eu acho estranho uma mulher de mais de 60, 70 ou 80 anos não ter o cabelo grisalho. Encarei meu visual de forma mais normal. A
caracterização foi não fazer maquiagem e amarelar um pouco os dentes.


Como é se despir da vaidade?
É maravilhoso, porque ajuda a gente a entrar nesse contexto de época. Ator gosta mesmo de vestir a fantasia e se virar em outras
personalidades. As coisas que nos tiram do nosso padrão só têm a somar.


E o marido, não estranhou essa mudança no visual? Você também teve que deixar a depilação de lado, como outras atrizes?
Eu tive que dar uma negociada em casa, não é [risos]? Já estou grisalha, ficava com olheiras em cena e ainda tive que ficar
peluda?! Nossa, é quase um teste de fidelidade [risos]! Só que, como as roupas cobrem muito o corpo da personagem, perguntei
para a caracterização da novela: “Poxa, não dá para liberar o sovaco?” E eles deixaram que eu continuasse depilando normalmente, porque não aparece mesmo.


O sonho de Simoa era ter uma escrava. Acha que pessoas exploram empregados até hoje?
Tem muita gente que ainda trata os empregados como se fossem inferiores. Ser doméstica é uma profissão! Querer ter alguém que
trabalhe em seu lugar é comum ainda. A minha personagem não era uma vilã, porque queria ter uma escrava – isso é o
pensamento da época. Me sinto cuspindo marimbondo a cada vez que falo isso, mas era normal.


E como você faz para ter uma boa relação com sua empregada?
Tanto uma babá, empregada ou um cuidador de idoso são pessoas que estão dentro de sua intimidade. São profissões envolvidas
por afeto. Não tem como cuidar de um bebê e de um idoso sem amor. As pessoas precisam conversar muito sobre esses limites. Explorar empregados é muito desrespeitoso. Lá em casa nem tem quarto de empregada. A babá dorme ou no quarto dos hóspedes,
com ar-condicionado, ou no quarto da minha filha. Não é uma pessoa que trabalha para mim, é uma pessoa que trabalha comigo. Eu não sou melhor do que ela.


Você engravidou aos 40 anos. Como fez para voltar à boa forma tão rápido?
Eu ainda estou amamentando e a amamentação é um milagre, faz o corpo voltar à forma rápido. Eu só engordei 9 kg na gravidez,
então, duas semanas depois que a Tereza nasceu eu já estava com 7 kg a menos. Como tive muita azia na gravidez, cortei lactose, evitei doces, refrigerantes e fiquei sem bebidas alcoólicas também. Pude fazer ainda ioga e hidroginástica, que foi maravilhoso!