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Mãe de Kathlen Romeu pede justiça e critica governantes: ''Essa morte não pode ser em vão''

Jovem foi morta em uma comunidade do Rio de Janeiro, durante operação policial

Da Redação Publicado em 10/06/2021, às 14h05 - Atualizado às 14h07

Kathlen Romeu morreu após levar tiro em operação policial no Rio - Globo/Instagram
Kathlen Romeu morreu após levar tiro em operação policial no Rio - Globo/Instagram

Jaqueline Romeu, mãe de Kathlen Romeu, falou pela primeira na TV sobre a morte da filha, grávida, de 24 anos, atingida por um tiro de fuzil na comunidade do Lins de Vasconcelos, na Zona Norte do Rio de Janeiro. No ‘Encontro’ desta quinta-feira (10), a mulher clamou por justiça e lamentou que as pessoas da favela ainda são excluídas pelos olhos sociais.

"Parece que as vidas só importam na Zona Sul. Tudo que nos é ensinado parece que é perdido no meio do caminho, nós não somos respeitados por sermos negros e favelados. Devastaram a minha vida, a vida da minha família. Kathlen foi arrancada de nós brutalmente", lamentou Jaqueline, emocionada.

A tragédia aconteceu na tarde da última terça-feira (8), quando a jovem foi ao local para visitar a avó e a tia.

"Não importa de onde saiu o tiro, o importante é a reformulação do modus operandi truculento e desumano das ações policiais. A forma como se dão as abordagens em comunidades precisa ser mudada", pontuou Luciano, pai da vítima, também presente na atração da TV Globo.

A mãe de Kathlen fez um novo apelo às autoridades, para que haja justiça pelas mortes acidentais em confrontos policiais, e pediu um basta na violência dentro das favelas. 

"O Estado está doente, agoniza, e nós estamos pagando a conta. De acordo com a nota da polícia, os policiais foram atacados a tiros por criminosos, mas ninguém quer escutar a gente. Não tenho mais vida sem a minha filha, fiz tudo por ela e para ela, enterraram os nossos sonhos. Eu queria ter levado esse tiro, sou covarde, e estou tentando inventar uma mentira na minha cabeça para continuar”, pontuou.

"Se fosse o filho de um desembargador, de um juiz, teria uma resposta imediata, eu quero resposta. Kathlen é minha filha. Peço justiça, não sei que justiça, mas essa morte não pode ser em vão. Vidas negras e faveladas importam, sim!", concluiu.