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Mãe que perdeu bebê de um ano em Petrópolis levou nove anos para engravidar

Corpo da menina foi encontrado no sofá de casa, com a avó e a prima

Da redação Publicado em 17/02/2022, às 08h55

Giselli e a filha Helena, de 1 ano e 11 meses - Reprodução/Instagram
Giselli e a filha Helena, de 1 ano e 11 meses - Reprodução/Instagram

O temporal em Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro, na última terça-feira (15), já fez mais de 100 vítimas. Uma delas foi Helena, uma bebê de apenas 1 ano e 11 meses, que foi encontrada no sofá de casa, junto ao corpo da avó e de uma prima. 

Em entrevista ao G1, Giselli Carvalho, mãe da menina, contou que levou nove anos para conseguir engravidar. "Quis fazer as coisas certinhas para ter condições, e só aproveitei a minha filha um ano", contou. 

Giselli afirmou que, durante o temporal, seu único objetivo era sair do trabalho e chegar bem em casa. No entanto, no meio do caminho, soube do desabamento do imóvel onde morava, através de um vizinho. 

Além de Helena, foram encontrados os corpos de Tânia Leite Carvalho, de 55 anos, e Maria Eduarda Carminate Carvalho, de 17 anos, mãe e sobrinha de Giselli, respectivamente. 

A mãe de Eduarda, Gizelia de Oliveira Carminate, chegou a usar uma enxada para cavar a lama e encontrar os parentes. Pouco depois, ela recebeu a confirmação de que o corpo da jovem tinha sido reconhecido. "Minha filha era a coisa mais linda que tem no mundo", disse. 

CALAMIDADE PÚBLICA

A Prefeitura de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, e o Corpo de Bombeiros informaram que subiu para 104 o número de mortos após a tempestade da tarde de terça-feira (15), até a manhã desta quinta-feira (17). Destes, 33 corpos foram identificados.

Segundo a Secretaria Estadual de Defesa Civil, 24 pessoas foram resgatadas com vida. O Corpo de Bombeiros ainda não sabe o número de desaparecidos. No entanto, Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) indica que ao menos 42 pessoas são procuradas. Quem tiver parentes desaparecidos deve procurar a delegacia.

O temporal que atingiu a cidade fez morros deslizarem, carregando pedras enormes, que se comparavam ao tamanho de carros. Além disso, veículos foram arrastados e ficaram empilhados, com a força da correnteza, e vias foram bloqueadas, dificultando o acesso aos desabrigados.

Até as 20h30, a Defesa Civil municipal registrava 80 pontos de deslizamento. As sirenes instaladas em áreas de risco foram acionadas, para alertar o perigo do temporal. O acumulado pluviométrico atingiu 259 milímetros — acima da média esperada para todo mês - em cerca de seis horas.

A Prefeitura decretou estado de calamidade pública e informou que as equipes dos hospitais foram reforçadas para o atendimento de vítimas.