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"Marilda traz crítica com muito humor", diz Letícia Spiller sobre ''O Sétimo Guardião''

Atriz falou sobre o sucesso na trama das 9, suas vivências profissionais e o que aprendeu com os filhos

Fabricio Pellegrino Publicado em 04/03/2019, às 09h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h46

Letícia Spiller é a Marilda em ''O Sétimo Guardião'' - João Cotta/ TV Globo/ Divulgação
Letícia Spiller é a Marilda em ''O Sétimo Guardião'' - João Cotta/ TV Globo/ Divulgação

A exemplo de sua Marilda, da novela global O Sétimo Guardião, Letícia Spiller arrebata a audiência ao criticar de forma bem-humorada a busca incessante pela juventude.  Em entrevista à AnaMaria, Letícia falou sobre o sucesso na trama das 9, suas vivências profissionais em várias frentes e o que aprendeu com os filhos Pedro, 22 anos, e Stella, 8.

Que fatores foram decisivos para aceitar viver a Marilda?
Uma das coisas é a questão da água, da fonte. Água é algo tão primordial para nós. E Marilda tem uma história forte com a fonte. Além disso, amo o texto do Aguinaldo [Silva, autor da novela]. Ele é muito perspicaz, crítico. E faz tudo isso com um humor, que é maravilhoso estar dentro dessa história. Me divirto da hora que recebo o roteiro à hora de gravar. Marilda traz crítica com muito humor e é multifacetada. Está sendo uma delícia interpretála, mostrar essa história e explorar suas várias nuances. Além disso, pela primeira vez trabalho com o Rogério Gomes. É sempre bom ter a chance de aprender ao vivo com um diretor tão talentoso. Não tinha como dizer não para Marilda [risos]. Ela foi irresistível desde o começo!

Como se policia para a Marilda, apesar do sotaque, da veia cômica, e da história voltada para o realismo fantástico, continuar humanizada e não ficar caricata?
Sempre penso que esses recursos estão a favor da criação da personagem. Essas são ferramentas para a composição da Marilda. Jamais posso perder de vista que ela é uma pessoa e vai além disso tudo. Trata-se de um cuidado que tenho, mas o Aguinaldo e o Papinha [Rogério Gomes] também têm: mostrar que ela é mais do que vemos à primeira vista. As camadas de história acrescentadas capítulo a capítulo indicam ao público todas as dimensões e nuances dessa personagem tão rica.

O que ela tem de melhor? E de pior?
De melhor, o bom humor [risos]. Marilda é engraçada, divertida, leve... e o público também enxerga isso. De pior, para mim, a busca desmedida pela juventude. Ela move mundos e fundos por essa água santa [risos]. Acho que isso a coloca em situações pouco confortáveis, mas ela está disposta a pagar. 

As cenas quentes entre a Marilda e o Fabim [Marcello Melo Jr.] estão na boca do povo. Por que acha que o casal agradou tanto?
As pessoas embarcaram nessa relação deles [risos]. Nem sei dizer se são mesmo um casal. É quase uma coisa meio de gato e rato [risos]. Acho que essa relação mais complicada desperta muito o interesse do público. 

Se descobrisse a existência de uma fonte da juventude, beberia nela?
Eu ia querer compartilhar com as pessoas essa descoberta [risos]. Para mim, não faz muito sentido saber de algo assim e guardar só para mim. 

A que tema você gostaria de dar voz e nenhuma personagem sua falou até agora? 
Já fiz tantas personagens, discuti tantos temas na TV. Não existe nada tão específico no momento. Como atriz, gosto de ser surpreendida. Isso é o mais interessante da profissão: ter sempre a possibilidade de lidar com o novo. Mas, acredito, mais do que um personagem, devemos dar voz a causas que acreditamos em nossa vida. Eu, por exemplo, prezo por um mundo melhor, a conscientização das pessoas em relação ao planeta, à poluição. Como sou muito ligada à natureza, essa causa me interessa. Mas gosto de outros assuntos também. Por exemplo, no momento gostaria de viver Hamlet.

Por quê?
Ele traduz minha desilusão e decepção com o sistema, a corrupção. Somos cidadãos diariamente traídos por essa máquina de engolir dinheiro. Mas quero vivê-lo em uma releitura  moderna. Ou alguma fábula infantil que desperte de forma lúdica a humanidade e as virtudes éticas das causas essenciais.

Você já dividiu o palco com seu namorado, o músico Pablo Vares, no projeto Infusión. Como o seu filho tem uma banda, já pensaram em algum projeto juntos?
Eu e Pedro somos parceiros profissionais também. Produzi o clipe Corrente, da banda Fuze, da qual ele faz parte. A gente já fez a peça Bodas de Sangue juntos, do Amir Haddad, e ele participou de todo o processo: da oficina até a peça. Depois produzi um curta, Joãozinho de Carne e Osso, e ele protagonizou. No cinema, o Pedro fez uma participação em O Casamento de Gorete. Então, já temos essa experiência de trabalharmos juntos. Me enche de orgulho vê-lo trilhando seu caminho e ser sua parceira também nessa frente. Em casa, também falamos de música. É muito bom trocar com ele. Se a gente montar esse projeto do Hamlet, quero muito que ele participe como músico e ator. E ele vai atuar agora na Malhação, né?

Falando em filhos... o que o Pedro lhe ensinou? E a Stella?
Com Pedro, fui descobrindo no instinto o que era ser mãe. A chegada dele me ensinou muito. Aprendi sobre esse amor incondicional, ponderar e pensar em outra pessoa. A chegada da Stella só intensificou esses sentimentos. Acho que tanto Pedro quanto Stella me fazem estar mais aberta para o outro: para ouvir o outro, acolher, entender que não há só uma forma de ver as coisas.