"Meu valor não está atrelado ao manequim"

Mariana Xavier, a secretária Abigail de A Força do Querer, fala sobre o sucesso de sua personagem e o processo de aceitação do próprio corpo

quinta 28 setembro, 2017
Entrevista Mariana Xavier
Entrevista Mariana Xavier Foto:Marcos H. Carvalho/Divulgação
Não é de hoje que Mariana Xavier encanta o público por sua simpatia. Aos 37 anos, a atriz já havia roubado a cena como Marcelina, filha da encrenqueira dona Hermínia (Paulo Gustavo), nos filmes Minha Mãe É uma Peça 1 e 2. Agora, mostra seu talento como a secretária Abigail na novela das 21h da Globo: moça eficiente, leal aos amigos e sempre muito bem-vestida! No bate-papo a seguir, a atriz faz revelações sobre a carreira e como aprendeu a lidar com o corpo sem neuras com a balança.

Os looks da Abigail fazem sucesso. Você se identifica com o estilo da sua personagem?
Por trabalhar em escritório, a Biga tem um guarda-roupa social, um pouco diferente do meu. Mas sempre dou pitacos no figurino.
Inclusive, levo algumas camisetinhas e cintos para as gravações. Também sinto vontade de roubar muitas peças dela para mim [risos].
Por exemplo, quando ela usa jeans, camiseta e blazer estampado ou alguns vestidos que eu amo.

A Biga não leva desaforo para casa. Você é assim?
Dependendo da situação, dou uns “passa-foras”, mas procuro ser como ela e responder com uma pitada de humor, sem briga. Aliás,
algumas situações na novela, fui eu quem sugeriu para a Gloria [Perez, autora].

Por exemplo?
Propus a cena em que a Cibele [Bruna Linzmeyer] pergunta para a Biga: “Você é tão linda, por que não emagrece?” Às vezes, as
pessoas dizem “você tem um rosto lindo”, como se da cintura para baixo não prestasse nada. Ou pensam que o gordo deve estar
sempre bem-humorado. Aproveito situações que vivi ou foram relatadas a mim por outras pessoas para contribuir com o texto.

No seu canal do YouTube, Mundo Gordelícia, um dos vídeos mais assistidos é uma resposta aos comentários maldosos à sua imagem. Eles são frequentes?
Hoje não. Para fazer o vídeo, buscamos comentários em portais de notícias. Lá tem opiniões de perder a fé na humanidade... No dia a dia, só leio o que passa pelas minhas redes sociais. E lá, salvo exceções, as pessoas estão mais educadas.

Como reage ao ler um comentário negativo?
Tem coisas que morro de vontade de responder, mas desisto. São tantos comentários positivos, por que dar ibope ao negativo?
Abstraio. Acho que a vida da pessoa deve ser infeliz para ela investir seu tempo fazendo esse tipo de coisa.

Você já engordou 20 kg em um ano. Como isso aconteceu?
Aos 18 anos, entrei para a faculdade e minha rotina mudou. Engordei 5 kg e me achava imensa. Aí, comecei a tomar remédios, veio o efeito sanfona... Meu peso subiu rapidamente após a última leva dos medicamentos, que se somou às alterações hormonais e a uma paixonite que me levava a comer massa e tomar vinho todo dia às 2 horas da manhã...

Como lidou com isso?
Pensei: preciso parar, pois além da estética, minha saúde ficará prejudicada. Então, racionalizei o processo e entendi que aquela situação era fruto das minhas escolhas ruins e que precisaria assumir a responsabilidade, fazer escolhas melhores. Entendi que eu era muito mais do que um corpo, que meu valor não está atrelado ao meu manequim. Claro, é complicado... Eu que, há dez anos, achava roupa em qualquer loja, de repente não encontrava mais nada para comprar. O meu estilo era o que me servia.

Na sua opinião, por que o projeto Gordelícias repercutiu tanto?
Essas coisas de internet são difíceis de explicar. Por exemplo, no começo do ano, uma foto minha de biquíni bombou nas redes, mas não tinha muito sentido... Eu cansei de postar fotos assim e nunca virou esse furdunço. Acho que é uma conjuntura de fatores. Quando nós quatro fizemos as fotos na praia, claro que gostaríamos que atingisse muita gente, mas nunca imaginamos a proporção que tomaria. O texto que elaboramos contribuiu para isso, porque o que escrevemos era acolhedor. Tratava-se de um movimento pela democratização do verão, e não estávamos só falando de quem é gordo, mas também de quem é muito magro, de quem tem vitiligo, de quem é mais velho e mesmo assim não abre mão dos trajes de banho. Existiam várias classes de pessoas carentes de
representatividade.

Entenda o projeto Gordelícias
O quarteto formado por Mariana Xavier, Cacau Protásio, Fabiana Karla e Simone Gutierrez surgiu em 2014, quando fizeram um
ensaio em resposta a um texto de uma revista que criticava a presença de mulheres gordas na praia. A aceitação do público foi imediata. “Não é a gente que tem que ser gostosa pro verão, é o verão que tem que ser gostoso pra gente”, dizia a legenda. Neste
ano, elas lançaram o livro Gordelícias – Crônicas de Quatro Mulheres Felizes com Seu Próprio Corpo (Academia, R$ 32,90).
Ana Bardella
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