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Não sou de dietas nem de mimimi

Juliana Paes conta tudo sobre Carolina, a protagonista sem escrúpulos de Totalmente Demais, nova novela das 19 h

Claudia Dias Publicado em 07/12/2015, às 10h00 - Atualizado em 07/08/2019, às 17h44

996 - Renato Rocha Miranda - Globo
996 - Renato Rocha Miranda - Globo
Para viver a diretora da revista Totalmente Demais na novela das 19 h, Juliana Paes visitou algumas redações de publicações de moda importantes. Imaginar esse universo remete imediatamente ao filme americano O Diabo Veste Prada, mas ela garante que sua personagem na novela das 19 h nada tem a ver com a Miranda, diretora carrasca interpretada por Meryl Streep. “A redação até tem a ver com o filme. Mas, em termos de personalidade, elas são bem diferentes”, diz. Nesta entrevista, ela também fala sobre os filhos, moda e como faz para manter o corpão, já que não abre mão de comer bem!

Como está sendo viver sua primeira vilã?
Não vejo a Carolina como vilã. Ela é a personagem que não é politicamente correta e está longe de ser a mocinha. Ardilosa, não mede esforços para conseguir o que quer. Eu diria que tem um código de ética um pouco elástico. Mas vilã, não. Vilão é aquele que pratica maldades e isso ela não faz. Não pensa em matar ninguém nem em destruir a vida das pessoas. Ela quer cuidar da própria vida. Agora, se alguém atravessar o caminho dela... Aí tudo muda.

É o que acontece com Elisa (personagem de Marina Ruy Barbosa)?
Carolina só coloca as garrinhas de fora quando percebe que o desejo de ser mãe está ameaçado por uma mulher mais jovem, a personagem de Marina. Que vilã que vocês conhecem que já começa uma novela tentando engravidar? Eu não conheço. Ela é uma mulher de verdade. Existe a vontade de ser mãe e para isso precisa de um pai. Ela acha que já tem, que é o Arthur (Fábio Assunção). Mas quando alguém mexe com isso...

O que é seu na Carolina?
Ela é muito diferente de mim. Eu tenho uma personalidade cordial. A Carolina não faz o menor esforço para agradar. Só sorri quando isso é interessante ou se conseguir algo com isso. Eu normalmente sou sorridente, gosto de estar em contato com as pessoas. Ela quer é distância. Acho que a única coisa que temos em comum é o desejo da maternidade. Também tive isso bem forte. 

Você acha que toda mulher quer ser mãe?
A grande maioria sonha com esse momento ou já cogitou essa possibilidade. Tenho amigas que optaram por não ter filhos. Mas esse drama de Carolina é atual. Ela se sente bem profissionalmente e como mulher, e acha que é a hora de ter filho. Mas ainda não tem um companheiro para dividir esse momento. 

Qual sua relação com a moda?
Eu gosto bastante! Sou assinante de todas as revistas, adoro acompanhar, mas sei das minhas limitações para consumir. Tenho o corpo curvilíneo, e muita coisa que está na moda não vai me valorizar. Hoje em dia, já sei o que funciona para mim. Procuro sempre o clássico, cores neutras, saias lápis... Aposto no que sei que funciona em meu corpo. Estou feliz em fazer uma personagem para explorar esse meu gosto pela moda. 

Em quem você se inspirou para compor Carolina?
Uma das minhas referências foi a Kim Kardashian. Me inspirei em seu cabelo liso e na maquiagem. Usamos também o figurino das editoras de revistas de moda internacionais, como Carine Roitfeld e Emanuelle Alt, diretoras da Vogue francesa.

Você é consumista?
Que mulher que não é? Eu sou! Mas existe um termo que é o “low sumerism”, a moda de reaproveitar as coisas. Tenho feito isso. Neste ano farei um bazar com a Preta Gil. Nunca tirei tanta roupa do meu armário: coisa de marca que eu nunca tinha usado. Foi metade do meu guarda-roupa! 

O que mudou em seu corpo para a novela?
Precisava desenhar mais o corpo. O figurino é bonito e eu quis valorizar. Combino o TRX (exercício de resistência corporal) com aulas que usam os princípios do crossfit. São 40 minutos intensos e bem próximos ao meu limite. Também comecei a treinar muay thai e estou apaixonada!

Só isso?
No meu dia a dia, tenho tentado me cuidar. Nunca fui de dietas nem de muito mimimi para comer. Eu como bem, gosto disso e janto com o meu marido. Então, me exercito mais. Tenho feito bastante atividade física na academia do prédio. Coloco o guri na escola, vou suar um pouquinho e trabalhar.

Por que a Carolina diz que “para uma mulher dar certo, ela tem que deixar de ser mulher”?
É em um contexto de trabalho mesmo. Quando ela diz que uma das coisas que as mulheres precisam fazer para vencer é deixar de ser mulher, é abrir mão, às vezes, de um relacionamento, de sair com o namorado, de investir nessa parte mais romântica. Às vezes, em função de uma carreira, você deixa de sair com alguém, de investir mais tempo nas relações. Nesse sentido, talvez sim, a gente tenha que abrir mão do feminino pela carreira. 

E com seus filhos? Você abre mão de algo?
Todo mundo acha que a nossa vida é um glamour só. Mas não. Fico muito angustiada. Eu [Juliana havia chegado em cima da hora para a entrevista, que era de manhã] quase me atrasei agora, porque o Antonio acordou e queria ficar no meu colo. E aí? Fica fazendo aquele chameguinho e a gente acaba cedendo. Fiquei com ele mais um pouquinho. Acabo deixando de fazer uma coisa ou outra para passar mais tempo com os filhos. A gente sempre deixa de fazer alguma coisa. Sempre fica algo no meio do caminho. Mas no final dá certo.

Você sente culpa em relação a eles?
Às vezes, sim. Principalmente quando não consigo compensar. Se eu trabalho 12 horas, procuro buscar ou levá-los à escola, colocar para dormir. Mas tem semana em que não dá. E aí a culpa vem mesmo.

Pretende ter mais filhos?
Agora, não. Por enquanto, só quero os dois. A Angélica outro dia me perguntou se eu não queria tentar uma menininha. Eu disse que, por enquanto, não. Mas falei para ela me perguntar novamente em dois anos. Agora, definitivamente não.

Como foi ficar longe dos meninos na Austrália?
A tecnologia tem vários pontos negativos, mas a coisa boa é poder falar no Skype ou no Facetime e ver a carinha deles. Hoje os 
dois já interagem bem. Quando o telefone não mostra a pessoa, já ficam procurando. Essa é uma maneira de matar a saudade, sim. Lá na Austrália, a gente ficava se falando pelo telefone. Mas o começo de gravação foi tão intenso que acabou sendo bom eu ter podido ficar esse tempo longe de casa e gravar as primeiras cenas sem a presença das crianças. Deu um respiro.

Eles são diferentes?
Antonio é o mais grudadinho. O Pedro é sagitariano, é do mundo. A coisa de que ele mais gosta é dizer: ‘Tchau, mamãe’. 

Você se sente insegura em relação ao seu marido?
Em casa, sou a primeira pessoa que fala para ele que uma mulher é bonita. Antes de dar a chance de ele se animar. Imagina que eu vou dar essa chance... Graças a Deus, somos bem resolvidos. A gente briga por muitas coisas. Não tenho uma vida perfeita com o meu marido, não. Mas o ciúme é o último item da nossa lista. Nem de um lado nem de outro. Acho que no começo, talvez um pouco. Mas a gente já está há doze anos juntos. Já aparamos essas arestas e não há mais espaço para isso em nossa relação.

O que você achou da Austrália?
Aquele lugar é divino, fiquei impressionada. Dizem que a Austrália é o Rio que deu certo. Já tinha escutado e não entendia bem. 
O jeitão é muito parecido. Os australianos têm um sorriso no olhar, um jeito de receber, um pouco de nossa ginga, são receptivos. Não têm a dureza do americano nem o nariz em pé dos europeus. Eles são muito calorosos!