Nívea Maria fala sobre personagem de 'A Dona do Pedaço' e volta para as telinhas

De volta para as telinhas em 'A Dona do Pedaço', Nívea Maria fala sobre personagem

Bianca Portugal e Fabricio Pellegrino Publicado sábado 29 junho, 2019

De volta para as telinhas em 'A Dona do Pedaço', Nívea Maria fala sobre personagem
Nívea Maria interpreta Evelina em 'A Dona do Pedaço' - Globo/João Miguel Júnior

Desde que estreou na TV, em 1964, na novela A Outra Face de Anita, da extinta TV Excelsior, Nívea Maria está ininterruptamente diante de nossos olhos. Entra ano, sai ano, ela presenteia o público com uma personagem inédita. 

A da vez é Evelina, de A Dona do Pedaço, atual trama das 9 da Globo. Mulher forte e despojada, ela é a mãe da protagonista, Maria da Paz (Juliana Paes). 

Aos 72 anos, a atriz fala da nova empreitada na teledramaturgia, lembra do que precisou enfrentar e silenciar para ter sua profissão levada a sério e conta como superou a solidão ao ser surpreendida com um pedido de separação após 27 anos de casada.

Confira as declarações da atriz, em suas próprias palavras.

Novela e força
A personagem da Juliana Paes, a Maria da Paz, nasce em uma família que vive um conflito com outra família em uma cidade fictícia. A jovem tem uma avó muito forte, que é a personagem vivida pela Fernanda Montenegro, a dona Dulce, e uma mãe muito forte também, a Evelina, feita por mim. 

Os personagens masculinos da trama são fortes, mas as mulheres… Elas falam pouco, mas agem. Elas têm soluções mais fortes para os problemas que enfrentam.

Dignidade e respeito
A Maria da Paz sai de casa, no interior, e tenta a vida em uma cidade grande. Ela vai em busca de um trabalho e pode ser qualquer um. 

No caso, começa a fazer bolos. Eu digo que hoje, mesmo que vá para o chão, se a mulher quiser, ela pode ser a dona do pedaço. Se tiver personalidade, dignidade e firmeza nas escolhas dela, chega aonde quiser. Claro, também precisa se dar ao respeito e respeitar os outros, porque ninguém precisa pensar igual a você.

Silêncio e acertos
Com certeza, a minha imagem na TV é levada sempre para o lado da mulher romântica, boazinha e estabilizada emocionalmente. Mas me casei três vezes e não é nada fácil [Nívea foi casada, na ordem, com os atores Renato Master e Edson França, além do diretor Herval Rossano, falecido em 2007]. 

No último casamento, que durou muito tempo, passei por uma depressão. Tive três filhos e, por trabalhar muito, era criticada. E não porque os deixava sozinhos, pois morava com eles. Mas pensavam que eu só me preocupava com a carreira e esquecia das crianças. 

Sempre ouvi e respondi com silêncio porque sabia o que estava vivendo. Tanto que cheguei aos 56 anos de carreira com a tranquilidade de ter acertado nas minhas escolhas: na educação dos meus filhos e na minha vida profissional. E fiz com que respeitassem o fato de eu ser atriz.

Assédio e atitude
Tudo que falam hoje sobre assédio e uso indevido de imagem, sim, a gente sofre. Mas depende da sua atitude. Você tem soluções jurídicas ou o silêncio. 

Você tem que escolher entre as opções para continuar vivendo, sorrindo e ir em frente. Tenho 72 anos e estou muito tranquila com aquilo que conquistei e pelo que represento como mulher no mundo atual.

Filhos e culpas
Quando você tem filho [ela é mãe de Edson, 51, Viviane, 46, e Vanessa, 39], só sente culpa quando ele fala. Um dos meus se manifestou e percebi que aquele, em especial, precisava mais da minha atenção. 

Os outros souberam entender ou se relacionar melhor com minha profissão. Não foi fácil, mas não me senti culpada. Não estava fazendo mal a ninguém. Eu precisava estar bem para cuidar dos meus filhos. E não falo apenas de estabilidade financeira.

Bandeiras e paz
Fui de uma geração de meninas que, digamos assim, apanhou muito. Eu endureci um lado meu e aprendi a trocar o lado da cruz. Isso para mostrar que somos uma pessoa normal como todas as outras.

Não me manifesto com bandeiras nem nada. Eu não preciso que alguém grite do meu lado pra saber que a pessoa precisa de ajuda. Por isso, minha vida é tranquila. Vivo em paz. Olho o lado bom das coisas.

Separação e solidão
Eu fui a dona do pedaço depois que me separei após 27 anos de casada, em 2002. Não esperava isso depois de tanto tempo. Você acha que vai ser para o resto da vida. Aí, tive que ser a dona do meu pedaço. 

Sozinha, com meus filhos e tentando aprender a viver sem um companheiro ao meu lado. Meus pais já tinham morrido. Era hora de viver comigo mesma.

Último acesso: 30 Nov 2021 - 09:44:02 (1068216).